Família, amigos, religião: saiba como elas encontraram forças para vencer o câncer de mama - A Notícia

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Outubro Rosa13/10/2016 | 08h02Atualizada em 13/10/2016 | 14h20

Família, amigos, religião: saiba como elas encontraram forças para vencer o câncer de mama

Joinvilenses contam suas experiência no mês marcado para a conscientização da doença

Família, amigos, religião: saiba como elas encontraram forças para vencer o câncer de mama Salmo Duarte/Agencia RBS
Andrea da Silva posa com a foto da família formada depois de descobrir o câncer de mama Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

É certo que quem procura, acha. Mas quando o assunto é câncer de mama, quem não procura também encontra. Mas aí é que entra a questão: a pessoa que não se cuida e não faz exames preventivos descobre a doença quando o nódulo está maior do que deveria, e, muitas vezes, precisa enfrentar um tratamento mais agressivo. É para a conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama que a campanha do Outubro Rosa quer chamar a atenção.

A doença é a mais comum entre as mulheres no mundo e também no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. Para 2016, a estimativa é de 58 mil novos casos da doença e de 14 mil mortes,  segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

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Mesmo que a prevenção do câncer de mama não seja totalmente possível, em função da diversidade de fatores relacionados ao surgimento da doença, o mastologista Fabrício Morales Farias ressalta que as pessoas precisam ter consciência de que têm uma parcela de responsabilidade sobre a própria saúde. Manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos com regularidade e fazer exames preventivos podem reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver a doença, segundo dados do Inca.

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A mamografia, alerta o médico, pode detectar o câncer de mama, em geral, dois anos antes de o nódulo ser perceptível pelo toque. Quer dizer, se as mulheres fizerem o exame conforme a recomendação médica, é possível antecipar o diagnóstico a partir de uma lesão bem pequenina. O maior benefício é o de ter um tratamento bem menos agressivo e com chances ainda maiores de cura.

A recomendação é de que as mulheres façam uma mamografia por ano a partir dos 40 anos – quem tem parentes de primeiro grau com histórico da doença deve começar a fazer a prevenção dez anos antes do familiar mais jovem com a doença.

– É claro que tem de fazer o autoexame. Ele é importantíssimo. Mas não desejamos que a mulher só encontre o nódulo em um exame de toque. Queremos que, se tiver de encontrá-lo, que isso ocorra muito antes de o corpo manifestar qualquer sintoma clínico. Antes de sentir o nódulo com as mãos. Aí, sim, o tratamento pode ser muito menos pesado.

De acordo com Fabrício, a estimativa nacional é de que se façam entre 40% e 45% de mamografias em pessoas que têm assistência à saúde. Na saúde pública, o índice é ainda menor. A média de pessoas que fazem regularmente a mamografia é de 15% a 20%.

– A procura pelo exame é baixa e a culpa não é da falta de vagas. Em Joinville, por exemplo, não há fila de espera para a realização de mamografia. Há pouca procura mesmo. As pessoas falam do assunto durante o Outubro Rosa, mas precisam colocar em prática. O ideal é ir ao consultório do médico para fazer prevenção – diz.

Em Joinville, 1,8 mil mulheres estão em tratamento de câncer de mama, segundo a Secretaria da Saúde.

Boa alimentação

A nutricionista Mariana de Macedo Boz ressalta o poder da boa alimentação no combate ao câncer de mama. Segundo ela, nutrientes, vitaminas e minerais ajudam a prevenir o aparecimento de doenças, além de melhorar a qualidade de vida e aumentar a imunidade.

De acordo com a especialista, cerca de 5% dos casos dos cânceres e de outras doenças ocorrem exclusivamente devido à hereditariedade genética, enquanto 95% ocorrem devido a interação entre os genes e o ambiente, dieta e estilos de vida variáveis.

– Quanto mais saudável a alimentação, menor a probabilidade de desenvolver doenças, entre elas o câncer.

“Decidi que ia me tratar e me curar”

Faltavam poucos dias para o Natal de 2006 quando Solange Kruger, 55 anos, descobriu um caroço no seio durante o banho. A confirmação do diagnóstico veio em janeiro do ano seguinte. Mas o câncer de mama “esbarrou” na disposição de dona Solange para enfrentar a doença.

– Encarei como se fosse uma gripe. Decidi que ia me tratar e me curar. Mantive meu alto-astral e dava apoio para a família – lembra.

O médico recomendou que Solange fizesse oito sessões de quimioterapia. E ao fim desta etapa do processo, não foi preciso retirar a mama, pois a químio eliminou a doença.

– Ainda lembro que o médico que fez o exame disse: “Aconteceu um milagre aqui. Teu câncer sumiu”. Saí do hospital para levar o exame ao mastologista sem que a ficha tivesse caído. Mas ele estava certo.

Apesar disso, Solange passou por uma cirurgia. O médico preferiu abrir para verificar como estava a mama por dentro. Mas nem um centímetro precisou ser retirado. Solange tirou apenas glândulas abaixo da axila, mas por precaução.

O apoio da família, garante Solange, foi essencial para a superação. Frequentar a Missa da Saúde, sempre com a fiel companhia da amiga Jane, também ajudou na conquista de paz e fé.

No ano em que esteve doente, Solange iria festejar bodas de prata, ao lado do marido, do casal de filhos e de amigos. Mas, por causa da doença, tudo foi adiado. Mas em 2008, a comemoração foi em dose dupla. Além de festejar os 26 anos de união, Solange pôde também comemorar a vida.

– Muita coisa mudou no meu jeito de encarar a vida depois da doença. Hoje, dou mais valor para os momentos simples. Tiro tempo para brincar com o meu neto, não me importo mais com coisas pequenas. Curto muito mais a minha família.

Há vida depois do câncer

Faz quase 18 anos que a vida de Andréa da Silva Batista, 44 anos, ganhou um novo rumo. A descoberta de um câncer de mama, quando ainda tinha 26 anos, a deixou sem chão, adiou os planos de casamento e mudou suas prioridades. Mas, hoje, olhar para trás é sinônimo de vitória e conquista.

A notícia da doença caiu como uma bomba na vida de Andréa, em 1999. Ela estava com a carreira na área de contabilidade encaminhada, noiva e cheia de planos para o casamento, que ocorreria em maio do ano 2000.

Na época em que ficou doente, as informações sobre a doença não eram tão difundidas quanto hoje. Talvez por isso, Andréa tenha demorado um ano para procurar um médico, apesar das dores que sentia no peito.

– Minha mãe sempre falava para que eu fosse ao médico, mas eu só pensava em trabalhar e na correria que era o meu dia a dia. Só busquei ajuda no dia em que acordei morrendo de dor e, ao colocar a mão sobre o peito, senti o caroço. Não tinha noção do que iria passar. Jamais passou pela minha cabeça.

O nódulo de Andréa causaria a retirada total de uma mama. Mas o apoio total da família e do noivo foram fundamentais. Além deles, conversas com voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Joinville a ajudaram a olhar a doença sem achar que havia recebido uma sentença de morte.

– No mesmo dia em que recebi a notícia, encontrei um estande da Rede Feminina no shopping, que ficava em frente ao consultório. Quando saí de lá, era outra pessoa. Estava com esperança de cura e disposta a fazer o que fosse possível para enfrentar a doença.

E assim fez: encarou a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Precisou esperar três anos para fazer a reconstrução do seio. E foi depois da primeira etapa da cirurgia de reconstrução da mama, em 2003, que Andréa teve outra surpresa ruim: uma metástase.
O tumor reapareceu, desta vez, num osso. Ela precisou enfrentar nova cirurgia para retirar o osso esterno, além de encarar outra vez sessões de químio e rádio. Mais uma vez, a coragem e o apoio da família ajudaram a enfrentar as dificuldades.

Em meio a toda essa luta pela vida, o sonho de ter filhos de Andréa e do marido – ela e Diovane casaram-se em 2001 – havia ficado para trás. Por causa da metástase, o médico desaconselhou uma gestação. Ainda assim, o casal se arriscou uma única vez sem se prevenir... E eis que Djovana Cristine Batista está hoje com cinco anos.

– Queríamos demais ter filhos. E passamos por tanta coisa. Foram anos muito sofridos. Mas a minha gravidez, aos 39 anos, foi um presente de Deus. Tudo ocorreu de forma tranquila e minha filha nasceu perfeita. Hoje, somos uma família feliz.

Andréa conseguiu recuperar tudo o que achou que tinha perdido. A doença assustou, mas teve cura. Por falta de informação e por não buscar logo ajuda, ela acabou perdendo uma mama. Sua mãe, por exemplo, que teve a doença em 2007, não passou por tudo isso. Detectou a doença cedo e teve um tratamento bem menos agressivo.

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