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Saúde24/03/2016 | 07h11

No dia de combate à tuberculose, veja a história do ex-morador de rua que luta contra a doença em Joinville

Atualmente, são 250 pessoas com tuberculose na cidade realizando o tratamento

No dia de combate à tuberculose, veja a história do ex-morador de rua que luta contra a doença em Joinville 1/Agencia RBS
Claudeir descobriu a doença numa clínica de recuperação. Está em tratamento há mais de um ano Foto: 1 / Agencia RBS

Tudo começou com o que parecia ser uma tosse comum, daquelas que aparecem em um dia e vão embora logo em seguida. Havia acontecido antes, mas Claudeir não deu importância. Achou que era causada pelo cigarro, companheiro desde os 12 anos, ou pelo crack consumido nas ruas do bairro Guanabara, onde passava os dias e as noites.

As semanas passaram, os sintomas se agravaram, mas o diagnóstico veio apenas depois que ele se mudou das ruas para uma clínica de recuperação. Em meio à luta contra as drogas e a bebida, ele teve que começar também uma batalha contra a tuberculose.

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Claudeir Goulart tem 48 anos e hoje vive sozinho em uma casa no bairro Fátima. Ainda não trabalha porque diz ter medo de contaminar as pessoas, mas gosta de sair para caminhar durante o dia e ver o movimento na rua. No início da doença, ele sentia uma moleza no corpo e passava o dia entre o sofá e a cama. Não tinha vontade de tomar banho, aparar a barba e nem de comer. Chegou a ter 20 quilos a menos do que o peso normal.

— Era uma vida nojenta. Eu passava mal, faltava o ar e tossia muito. Não conseguia nem dormir por causa da tosse — recorda.

Após começar a tratar a doença, à base de antibióticos, a vida começou a mudar para melhor. Claudeir levanta cedo todos os dias para ir ao posto de saúde tomar os remédios, que são controlados e não podem ser levados para casa. No início, eram 11 comprimidos e duas injeções diariamente – hoje, são seis medicamentos. O cansaço ainda existe, mas é bem menor do que antes, quando não dava conta de pedalar a bicicleta sem passar mal.

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Em fevereiro, o tratamento completou um ano e deve continuar por mais seis meses até ele estar curado. Geralmente, o tratamento dura seis meses, mas o bacilo que afetou Claudeir é mais resistente do que o normal e precisa de mais tempo para ser combatido. Segundo a médica Patrícia Pacheco de Andrade, os exames do ex-morador de rua mostraram melhora no estado de saúde, o que permitirá trocar o medicamento injetável por comprimidos.

Atualmente, são 250 casos ativos de tuberculose em Joinville. Apesar de moradores de rua terem mais chances de contrair a doença, qualquer pessoa corre o risco de ser contaminada, já que o bacilo é transmitido pelo ar e afeta quem tem a imunidade baixa. No entanto, ele pode ficar alojado no organismo e a pessoa desenvolver ou não a doença.

— O paciente etilista (alcoólatra), que deixa de comer para beber, pode ser afetado, mas aquele estressado que deixa de comer para trabalhar e não dorme direito também está sujeito. Todo mundo está predisposto — explica a médica.

Claudeir admite ter enganado a si mesmo ao ignorar os sintomas e alerta para a importância de buscar ajuda médica desde o início. Hoje, ele se arrepende de ter demorado tanto tempo, mas segue à risca o tratamento para se curar o mais rápido possível e espantar qualquer risco de transmitir a doença.

— Quem tiver o mesmo problema do que eu tem que se cuidar. Não beba, não use drogas, não fume e pense na sua recuperação. No decorrer dos dias, você vai ver a mudança na sua vida e no bem-estar. Eu ainda não estou 100%, mas tenho certeza de que vou chegar lá.

A DOENÇA

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, que afeta prioritariamente os pulmões, mas pode afetar também outros órgãos, como ossos, rins e meninges. É transmissível pelo ar, por meio da tosse e espirro. A tuberculose não se transmite por objetos compartilhados.

SINTOMAS

Os principais sintomas são tosse persistente, por mais de três semanas, febre no final da tarde, cansaço fácil, dor no peito, emagrecimento e suores noturnos. Pode existir catarro esverdeado, amarelado ou com sangue. Porém, alguns pacientes não exibem qualquer indício da doença.

PREVENÇÃO

Para prevenir a doença, é necessário imunizar as crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou, no máximo, até quatro anos, com a vacina BCG. A vacina previne, nos pequenos, formas graves como a meningite por tuberculose e a disseminada. Mas não evita a tuberculose pulmonar.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico geralmente é simples e feito a partir da análise dos sintomas e da realização de exames, como a baciloscopia, a cultura do escarro e raio X de tórax.

TRATAMENTO

A tuberculose é uma doença curável em praticamente 100% das novas ocorrências, desde que a pessoa receba e complete o tratamento adequado. O tratamento da tuberculose dura, no mínimo, seis meses e deve ser completado mesmo que a pessoa apresente melhora dos sintomas. E está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde.

FIQUE POR DENTRO

- Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose é celebrado no dia 24 de março.
- O Brasil ocupa o 18º lugar entre os 22 países com alta carga da doença, responsáveis por 80% do total de casos no mundo, segundo o último relatório da OMS.

INDICÊNCIA DA DOENÇA

Brasil
: 33 casos a cada 100 mil habitantes
Santa Catarina: 28 casos a cada 100 mil habitantes.

POPULAÇÕES MAIS VULNERÁVEIS

Pessoas em situação de rua
- 44 vezes mais chances de infecção
Privadas de liberdade - 28 vezes
Vivendo com HIV/AIDS - 29 vezes
População indígena - 3 vezes

* Colaborou Karine Wenzel

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