Claudio Loetz: As dores cotidianas - A Notícia

Versão mobile

 

 

Livre Mercado16/01/2016 | 11h34

Claudio Loetz: As dores cotidianas

A uma semana da volta das férias, encontro Joinville mais cara. Só para assustar, três aumentos de tarifas públicas já abatem fatia dos salários dos joinvilenses ainda empregados neste início de ano.

O passe de ônibus subiu de 13% a 21%, dependendo se o passageiro compra nos guichês ou se adquire o bilhete já dentro do veículo, com o motorista. A inflação anualizada de 2015 foi de 10,67%. A tarifa de lixo subiu acima da inflação do ano passado.

A conta de água veio com alta antecipada para este mês, atendendo a urgência financeira da Cia. Águas de Joinville. O IPTU, dentre tantos, foi o único preço público municipal a subir em limites razoáveis, dentro do parâmetro da inflação oficial.

-

O que se extrai disso tudo é que a vida do trabalhador está ficando mais difícil a partir dos desembolsos necessários à mínima sobrevivência digna. Um dos possíveis efeitos da alta do ônibus é aumentar o número daqueles que optam por fazer caminhadas ou andar de bicicleta, em vez de pagar para entrar nos coletivos da Gidion e da Transtusa. Não custa lembrar que em época de contenção grande de despesas pessoais, e de temor pelo aprofundamento do nível de desemprego, vinte reais a menos é um valor significativo, já que o bolso se esvazia rapidamente. Hoje, o bilhete do ônibus custa R$ 3,70; até dia 3 de janeiro, valia R$ 3,25. Então, os 45 centavos de diferença, por passagem, multiplicados por 40 viagens por mês, numa conta bem simples, representam R$ 18 a menos para se gastar com leite, pão e carne.

Parece pouco, não é? Desprezível, mesmo. Sim. É um nada para quem ganha bem acima de um salário mínimo e meio, ganho mensal predominante a milhares de trabalhadores da produção nas indústrias.

-

A coleta de lixo é concessão pública dada a uma empresa privada. Responsável pelo trabalho, a Ambiental cuida de atender ao que manda o contrato. O problema está na alta da tarifa definida no carnê para este ano. O povo não consegue compreender isso. Nem pode. No geral, incapaz de fazer conta de matemática financeira básica, atropela-se diante dos vencimentos de dívidas, a se acumular na mesa, à espera de pagamento. O que o povo sabe é uma coisa só: há mais mês do que dinheiro. Não se trata, aqui, de apenas julgar os reajustes como inadequados. Claro que todos eles têm sua base técnica demonstrada. A questão não é essa. É o descompasso entre a cobrança e a capacidade financeira da população em absorver os reajustes.

Lógico, que em Joinville não há – e nem haverá – manifestação pública contra os aumentos. Diferentemente de São Paulo, onde o confronto com a polícia durou horas nesta semana, o ambiente é pacífico por aqui. Ainda bem.

-

E olhe que nem falei da inflação mais notada no dia a dia: a dos supermercados, onde, a cada quinzena, mais sustos surgem nas prateleiras, com o inchaço dos preços, em relação ao verificado da vez anterior.

Não é por acaso que o perfil do consumidor, embora varie, seja padrão, ao menos quando o tema é evitar o desperdício. Estudo da agência Nova/SB revela que 92% dos entrevistados cuidam, de alguma maneira, de controlar seus gastos. E só 8% – aqueles com padrão ostentação, – estão alheios a novas dívidas. Os agentes econômicos que agem com responsabilidade controlam seus ganhos mensais e também se importam com os excessos de consumo. O problema central está na outra ponta. Na ponta daqueles que definem os preços administrados, como se diz na linguagem acadêmica. Para estes, não há muito a fazer. Somente pagar.

-

O comportamento da sociedade gira ao redor de suas vontades confrontadas com suas possibilidades. Vejamos: o comprador inteligente e com pé no chão (metade do universo pesquisado) procura promoções, olha na internet, sabe que obter economia exige esforço, corta despesas supérfluas. Outro é aquele que não tem margem de manobra. Sua vida corre no fio da navalha, precisa ir ao encontro de itens baratos e se obriga a ter mão de ferro para administrar o dinheiro. Este representa um quarto do total de clientes. Este, sim, mais do que só comprar nas liquidações, evita ligar o ar-condicionado, apesar do intenso calor, porque precisa economizar de qualquer jeito para não se afundar em dívidas impagáveis.

-

Assim vamos nós, consumidores, vivendo um dia por vez para, no dia seguinte, procurar alívio para as dores e depressões cotidianas.

 

A NOTÍCIA

Notícias Relacionadas

Livre Mercado 15/01/2016 | 07h07

Claudio Loetz: Novas regras do Minha Casa, Minha Vida afetam as cidades do Norte de SC

Principal mudança trata do valor máximo dos apartamentos ou casas a serem financiadas pela Caixa Econômica Federal

Livre Mercado 11/01/2016 | 07h04

Governo do Estado quer acelerar o cadastro de propriedades rurais em SC

Prazo termina no dia 5 de maio e, até agora, pouco mais da metade dos imóveis foram regularizados

Livre Mercado 09/01/2016 | 06h31

Balança Comercial de Santa Catarina tem déficit de R$ 4,96 bilhões em 2015

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou balanço nesta semana

Livre Mercado 08/01/2016 | 07h02

Perini reforça a segurança com instalação de novas câmeras de monitoramento

Complexo localizado na zona industrial de Joinville terá equipamentos que reconhecem as placas de veículos em apenas três segundos

Livre Mercado 06/01/2016 | 07h09

Celesc firma contrato de concessão com cinco usinas catarinenses por 30 anos

Assinatura do contrato ocorreu em Brasília, nesta terça-feira. Entre as usinas está a do Bracinho, localizada em Schroeder

Livre Mercado 05/01/2016 | 07h07

CDL de Joinville projeta crescimento de 10% nas vendas do comércio em janeiro

Para presidente da entidade, Luiz Kunde, a presença de turistas e a permanência de moradores na cidade têm contribuído para a perspectiva otimista neste início de ano

Livre Mercado 04/01/2016 | 07h02

Em Joinville, Caixa registra aumento de imóveis comercializados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida em 2015

Foram comercializadas 1.918 unidades habitacionais, 45% mais do que em 2014

Livre Mercado 02/01/2016 | 12h17

Aeroporto de Joinville comemora avanços em 2015

Confira entrevista com Rones Rubens Heidemann, superintendente do aeroporto

Livre Mercado 30/12/2015 | 18h13

Walmart fecha unidades da rede Todo Dia em Joinville

Grupo americano não confirma número de unidades desativadas, apenas que serão "algumas"

Livre Mercado 30/12/2015 | 07h08

Mais da metade dos joinvilenses está com dívidas, diz pesquisa da Fecomércio

Índice de famílias endividadas na cidade atingiu 50,4% em dezembro. No ano passado, no mesmo mês, a taxa era 39,2%

Livre Mercado 29/12/2015 | 07h09

Mercado imobiliário de Joinville dá sinais de recuperação em alguns setores

Pesquisa encomendada pelo Sinduscon mostra que no terceiro trimestre deste ano foram comercializadas 40% mais unidades de prédios verticais do que no trimestre anterior

Livre Mercado 28/12/2015 | 06h31

Loetz: Trabalhadores das indústrias têxteis definem pauta de reivindicações

Documento tem 80 cláusulas e pede, entre outras coisas, a reposição da inflação oficial a partir de 1º de fevereiro

Livre Mercado 25/12/2015 | 19h12

Claudio Loetz, sobre 2016: "Luz no fim da escuridão? Sempre há. Precisaremos de paciência, determinação e disciplina"

Colunista faz análise sobre o que esperar da economia no ano que vem

 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaDuas pessoas sofrem tentativa de homicídio na zona Norte de Joinville https://t.co/WVigtP2Wpb #LeianoANhá 1 horaRetweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaDebate sobre baixa adesão à vacina contra HPV em Joinville chega à Comissão de Saúde da Câmara  https://t.co/gRB0zENMnY #LeianoANhá 15 horas Retweet

Veja também

A Notícia
Busca