Escritora em tratamento contra o câncer de mama faz palestra sobre autoestima e moda em Joinville - A Notícia

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Outubro Rosa13/10/2015 | 16h51Atualizada em 13/10/2015 | 19h00

Escritora em tratamento contra o câncer de mama faz palestra sobre autoestima e moda em Joinville

Flávia Flores dá dicas de beleza para mulheres que enfrentam a mesma doença nesta quarta-feira

Escritora em tratamento contra o câncer de mama faz palestra sobre autoestima e moda em Joinville Divulgação/Flavia Flores
Flávia descobriu a doença aos 35 anos durante um banho Foto: Divulgação / Flavia Flores

"O tratamento não é um bicho de sete cabeças. Ele é suportável." Este é uma das frases usadas pela empresária e escritora Flávia Flores, de 38 anos, para incentivar e apoiar mulheres de todo o Brasil a prosseguirem com o tratamento do câncer de mama sem perderem a autoestima e a vontade de viver. 

Nesta quarta-feira, às 19h, ela faz a palestra "Química da vida", no Shopping Mueller, no Centro de Joinville, faz parte do ciclo de ações do Outubro Rosa “AN”. A escritora contará sua história de enfrentamento do câncer de mama e também sobre as mudanças que aconteceram na vida dela quando descobriu que estava doente e como conseguiu encontrar forças para dar a volta por cima.

Além de palestrar, a catarinense é autora do livro "Quimioterapia e Beleza", escrito a partir de anotações em seu diário feitas enquanto passava pelo tratamento. Tudo começou em outubro de 2012, quando Flávia descobriu o câncer na mama direita enquanto tomava banho e estava prestes a fazer uma cirurgia plástica. Depois de fazer ultrassom e a mamografia, o resultado veio: era câncer, precisaria retirar o seio. Flavia estava com 35 anos, fora da idade de risco.
 
— A pior parte é o diagnóstico médico. Quando você descobre que tem câncer, seu chão cai — diz.
 
Ela lembra que os tratamentos contra o câncer são agressivos, o cabelo cai e retirar os seios é um trauma que afeta a autoestima. Como ex-modelo, a moda sempre esteve presente na vida da escritora. Depois de fazer buscas na internet sobre quimioterapia e beleza, estética e oncologia, câncer e cuidados pessoais e não encontrar praticamente nenhum conteúdo relacionado, Flávia criou uma página no Facebook intitulada Quimioterapia e Beleza para compartilhar dicas. Hoje, a página tem mais de 90 mil curtidas.
 
— O câncer se não mata, embeleza. A beleza pra mim é uma ferramenta contra o câncer.  Essa beleza que vem durante o tratamento vem de dentro, devagar, e o seu jeito de pensar e de ver o mundo muda. Sonho e autoestima andam juntos. Tanto faz realizar o meu sonho ou o dos outros — afirma.
 
Serviço
O quê: palestra Química da vida com Flávia Flores
Quando: hoje, às 19h30
Onde: Shopping Mueller, primeiro piso, em frente à loja Marisa
Quanto: Gratuito.
 
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Confira abaixo a entrevista que a escritora concedeu ao jornal "A Notícia"





Como era a sua vida antes de descobrir o câncer?
Flávia Flores —
Eu trabalhava muito, cuidava pouco de mim, sustentava a casa, meu filho e eu me cobrava muito, parecia que meu corpo pedia para eu ficar quieta até que veio o câncer e me deixou de cama.
 
Depois do choque inicial, quais foram suas primeiras medidas para lidar com a doença?
Flávia —
Descobri o câncer de mama em outubro de 2012. Foram três anos de tratamento e agora tem 17 meses que estou sem fazer quimioterapia, mas continuo com o tratamento. Agora faço hormonioterapia.
 
Você notou certo desconforto das pessoas ao seu redor na hora de tocar no assunto da doença e do tratamento? O que fez para driblar isso?
Flávia —
Sim, muito. Muitas pessoas se afastaram, ficaram assustadas, penalizaram, vinham falar comigo como se eu tivesse dia marcado para morrer. No começo foi horrível. Aos poucos, fui usando isso como filtro, separando quem realmente se importava comigo, porque os amigos mesmo, as pessoas que se importavam não sumiram, me apoiaram desde sempre. Isso me ajudou a driblar a situação.
 
Você sempre foi uma pessoa muito vaidosa e sempre encarou a vida com alto-astral. Foi difícil manter esse olhar depois das primeiras sessões de quimioterapia e os efeitos colaterais começarem a aparecer?
Flávia —
Depois de um ano longe da quimioterapia, hoje avalio a vida de forma diferente e com outros olhos. Eu fui modelo e sempre estive ligada ao mundo da moda, estava acostumada com a beleza dos editoriais de moda, com a cobrança pela nossa aparência impecável. O diagnóstico caiu como uma bomba na minha cabeça. Chorei por dez dias, entrei em desespero. O que seria da minha vida? Cheguei até a sentir vergonha do que estava acontecendo comigo, eu queria me esconder. Você recebe uma notícia dessas e perde o rumo, acha que o mundo acabou ali, só que não. É apenas um recomeço. Não foi fácil, mas ficar chorando pelos cantos também não iria amenizar a doença. O jeito foi vestir o melhor lenço e encarar de frente. Nesses tempos, aprendi a resgatar a autoestima, a ver o outro lado das coisas, a não encarar tudo como o fim, como as vezes fazemos com os alguns problemas diários.
 
Qual foi a parte que mais mexeu com a sua autoestima durante o tratamento?
Flávia —
Perder os cabelos não é nada para quem poderia perder a vida não é. Com esse pensamento levei um dia após o outro, da mesma forma que sempre encarei tudo, com alegria, beleza e leveza. Pesquisando e convivendo com pessoas que passavam pelas mesmas dificuldades, descobri que muitas deixaram a autoestima de lado. Desde então, tento ajudá-las a resgatar isso. Com autoestima elevada, o tratamento se torna menos doloroso. Cursos de make, fundação de um banco de lenços, ensaios fotográficos que inspiram qualquer pessoa são provas de que mesmo com algumas limitações a vida pode ser vivida de forma plena. Em março, completei um ano sem quimioterapia e sou uma pessoa muito melhor.
 
Você acha que a felicidade e o alto-astral são fundamentais para o tratamento do câncer?
Flávia —
Acho que é fundamental não se deixar entregar, é um período difícil, a gente fica com cara de minhoca, sem cabelo, cílios, sobrancelha. Se a make já é difícil para algumas mulheres tendo tudo isso, imagina sem. Não ter a sobrancelha para se basear e fazer a sombra, passar o delineador. Ficar sem os cabelos é chocante para a maioria, pois é o mais perceptível num primeiro momento. Aí, você se acostuma usar lenços, perucas e vai criando um novo visual.
 
Depois de criar o "Quimioterapia e Beleza" você notou que pouquíssimos blogs traziam dicas de beleza para mulheres durante o tratamento de câncer. Como foi descobrir sozinha todo esse “nicho”?
Flávia —
Durante minhas pesquisas, percebi que muito se fala sobre a prevenção, cuidados, o que não fazer durante o tratamento, mas em nenhuma pesquisa se falou de beleza, por isso criei a página e escrevi o livro Quimioterapia e Beleza. A maneira leve de ver a vida, além de ajudar no tratamento, incentiva outras mulheres a cuidar da beleza e resgatar a autoestima. O período de tratamento é delicado física e emocionalmente. Não perdemos apenas os cabelos, muitas ainda perdem também o companheiro, pois ele não consegue segurar a onda de ter ao lado uma pessoa doente e passando por tantos “traumas”. Por isso autoestima é fundamental para seguir em frente.
 
Mesmo depois de superar o câncer você notou que sua vida mudou no sentido de ter uma vida mais saudável? Ainda é importante discutir a doença?
Flávia —
Sim, depois do tratamento meus hábitos mudaram em todos os sentidos. Presto mais atenção na minha alimentação, evito situações estressantes, me preocupo muito mais comigo mesma, me preocupo mais com minha saúde.

Movimento

O jornal “A Notícia” se une a movimentos de luta contra o câncer de mama em todo o mundo ao realizar, pelo quarto ano consecutivo, o Projeto Outubro Rosa, que oferece palestras, workshops e conteúdos especiais ao público joinvilense sobre a prevenção da doença.

Na edição de 2015, uma das principais novidades é uma obra do artista plástico Juarez Machado, criada exclusivamente para a campanha. A arte estampa camisetas da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Joinville, e todo o dinheiro arrecadado com as peças será revertido para a instituição. A colunista Adri Buch dá destaque diário para quem adere a causa na sua coluna no "AN".

Clique na imagem para visualizar toda a programação em tamanho maior:




* Priscila Andreza é estudante de jornalismo e é estagiária em “AN”.

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