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Investigação21/11/2013 | 09h40

'Se teve recadastramento, foi falha de quem fez', diz filha pensionista que morreu há 11 anos

Rita de Cássia Perini, uma das filhas de João José, disse desconhecer a fraude e demonstrou surpresa

Há três semanas, o Iprev apura um esquema de fraude em pensão que causou aos cofres públicos um rombo de pelo menos R$ 441 mil. Por meio de uma denúncia, o instituto descobriu que o salário do pensionista João José Perini, de Joinville, de valor inicial aproximado de R$ 3 mil, foi sacado ao longo de uma década, mesmo após a morte dele. Isso porque alguém conseguiu se passar por João José neste tempo todo, assinando o recadastramento anualmente na agência do Iprev de Joinville. Segundo o instituto, nos últimos meses, o valor da pensão chegou a R$ 7 mil mensais.

Procurada pela reportagem na terça-feira, Rita de Cássia Perini, uma das filhas de João José, disse desconhecer a fraude e demonstrou surpresa:

— Isso está causando espanto. Não fomos comunicados de nada. Nunca foi dito que meu pai não morreu. Meu pai morreu há 11 anos, em 15 de agosto de 2002. E a minha mãe faleceu dia 7 setembro de 1996. A minha mãe era funcionária da Fazenda, e o meu pai ficou como pensionista. Vou precisar me informar do que está acontecendo, porque realmente não sei. Mas sabe o que acho interessante: também sou aposentada, e no dia do aniversário, o aposentado tem de fazer o recadastramento. Então, como é que era feito isso? Daqui de dentro te garanto que não foi. Te juro, eu estou tranquila. Agora, alguém usou o nome do meu pai, mas se teve recadastramento me desculpe, foi falha de quem fez o recadastramento. Porque acusar é fácil. E a pessoa na hora não viu?

À reportagem, Rita relatou sobre as dificuldades financeiras que tem passado:

— Tanto que essa casa é do meu pai. A gente nem fez inventário. Minha irmã é viúva, o marido dela morreu faz dois anos e não deixou nada. Eu que sustento a casa, pois sou funcionária da Prefeitura. Isso realmente está me causando espanto, porque se fosse retirado por alguém daqui, nós não estaríamos numa situação difícil. Pode ver o que eu ganho, a minha irmã não tem um tostão – disse.

Sobre o registro de óbito tardio, Rita disse ter justificado o pedido à Justiça:

— Os motivos todos foram declarados para a Justiça.

Assista ao vídeo
(confira o vídeo no YouTube)



Mulher – Eu não, porque quem vai... ser tudo “coisa” é a Rita. Você acha que ela merece?

Homem – Se eu denunciar vocês pela fraude no Besc(*). O que vai acontecer?

Mulher – Eles vão fazer um levantamento. Se achar que realmente foi. Primeiro que eles vão lá no Besc. Vão lá saber quem é que levava o pai entre aspas lá no Besc fazer a assinatura. Eu não ia.

Homem – Pai entre aspas. Quem? O seu Milton?

Mulher – Era o seu Milton que ia, né?

Homem – E tu levava ele?

Mulher – Nunca levei. Presta atenção. Tu sabe que o governo é ... Então, tu acha que lá no Besc aqueles caras que estão lá, não sabiam que aquele não era o meu pai? Claro que sabia. Tua acha que lá dentro não tinha junto também coisa. Claro que tinha. É assim.

Homem –Tem ainda?

Mulher – Eu nunca mais peguei nada porque eu nunca fui lá.

Homem – Tu tirou até quando?

Mulher – Foi aquele que você tem a prova, em 2009 a última vez. É um esquema tão grande, tão grande, que você tem que pensar tudo isso. O Walter fazia. Eu estava fora e eu não aparecia mais. Seu Milton que fazia.A última vez que eu fui com o meu pai foi em 2002 e ele ainda estava vivo.

Homem – Era o Walter que fazia?

Mulher – Ele transferia porque queria o dinheiro. Foi a última vez que ele pegou.Estamos com “tanto medo”, que já está no Ministério. Já está no Ministério o óbito do meu pai.Então é bobagem tu fazer (denúncia), porque agora tem o óbito. Tá lá com o advogado.Denuncia, que você vai “cair de boca”, porque já está lá no Ministério.

(*)Segundo o Iprev, o recadastramento é feito direto na sede do Iprev, não envolvendo o banco neste caso. O banco é um meio para o aposentado receber o dinheiro.

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