"Eu não quero voltar porque não me sinto segura", diz moradora de prédio interditado em Jaraguá do Sul - AN Jaraguá - Geral - A Notícia

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Habitação12/06/2018 | 15h47Atualizada em 12/06/2018 | 15h47

"Eu não quero voltar porque não me sinto segura", diz moradora de prédio interditado em Jaraguá do Sul

Defesa Civil liberou o prédio para os moradores na manhã desta terça-feira, mas alguns ainda têm medo de voltar para casa

"Eu não quero voltar porque não me sinto segura", diz moradora de prédio interditado em Jaraguá do Sul Salmo Duarte/A Notícia
Nilvane ficou assustada com os pisos da sala se soltando durante a noite Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Moradores de um prédio de quatro andares precisaram ser retirados de casa na noite desta segunda-feira em Jaraguá do Sul. O bloco 8 do condomínio residencial Ester Menel, no bairro Nereu Ramos, chegou a ser interditado depois de moradores chamarem os Bombeiros Voluntários e a Defesa Civil. Eles informaram terem escutado barulhos na estrutura e visto o piso se soltar em um apartamento. Os moradores alegam estar com problemas há pelo menos dois anos.

A dona de casa Nilvane Corrêa, 32 anos, mora no andar térreo com três filhos. Era por volta das 22 horas, quando ela colocou as crianças para dormir e, logo em seguida, escutou estalos no apartamento. Foi para a sala em busca do que provocava os barulhos e foi surpreendida com os pisos que haviam se soltado do chão. Assustada, ela correu para pegar as crianças, saiu do local e gritou para os demais vizinhos do bloco deixarem suas casas.

- Eu estou em pânico até agora porque é desesperador, como mãe e moradora - conta.

Com o prédio interditado ainda durante a noite pela Defesa Civil, alguns moradores tiveram de dormir no salão de festas do condomínio, enquanto outros pediram abrigo para familiares. Nilvane reuniu os filhos e foi para a casa da mãe, onde se sentiria mais segura depois do susto. Na manhã de terça-feira, mesmo após a liberação do órgão municipal para as famílias voltarem aos seus apartamentos, a dona de casa ainda sofria com a preocupação e o medo de passar mais uma noite no prédio.

- Eu não quero voltar porque não me sinto segura. Eu, sinceramente, não sei como proceder daqui em diante, só sei que aqui não tem condições mais de moradia -  explica.

Outros moradores também contaram ter perdido a confiança de morar no prédio após a interdição. A conferente Marizete Vizintanhi Demétrio, 30 anos, mora com o marido e três filhos no terceiro andar do bloco 8. Ela diz que as reclamações sobre os problemas estruturais já são antigas. Houve relatos há alguns meses sobre o cheiro de gás constante, a alteração na estrutura do piso e as rachaduras nas paredes. Marizete também teve de tirar um dos vidros da janela do quarto dos filhos porque ele começou a trincar e estava próximo de cair sobre a cama das crianças.

- A minha paz acabou depois de ontem (segunda-feira). Não vou ter mais sossego porque não vou conseguir mais dormir aqui - relata.

O condomínio foi construído há seis anos pelo Programa Minha Casa Minha Vida, em uma parceria entre Prefeitura e Governo Federal. O investimento foi de R$ 10,08 milhões. São 14 edifícios de quatro pavimentos com 16 apartamentos cada. Os apartamentos têm área de 44,15 metros quadrados, adquiridos por pessoas com renda mensal de até três salários mínimos. A empresa Concreto Construtora de Obras Ltda, foi a responsável pela obra.

 JARAGUÁ DO SUL,12-06-2018.Bloco 8 do condominio residencial Ester Mene ,no bairro Nereu Ramos,em Jaraguá do Sul,foi liberado no fim da manhã desta terça feira,após incidente.Marizete Vizintanhi Demetrio.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Marizete mostra o vidro quebrado no quarto dos filhosFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Defesa Civil garante que não há riscos para famílias

A Defesa Civil realizou uma vistoria no prédio durante a manhã e liberou o edifício para os moradores retornarem aos apartamentos. Na ficha de ocorrência feita pelos técnicos do órgão, há informações sobre "manifestações patológicas" encontradas na estrutura. No entanto, mesmo com a presença de fissuração, os profissionais apontaram que não foi constatada nenhum indício que coloque em risco a estabilidade da edificação.

Entre os problemas encontrados pelos técnicos estão fissuras e trincas em esquadrias; quebra de vidros; fissuras de retração e expansão de revestimento em paredes de alvenaria; sinais de infiltração decorrente de deterioração de juntas do piso cerâmico; deslocamento ou destacamento de piso cerâmico por causa de variação térmica, vibração, falha de execução e/ou aumento da tensão no primeiro e no último pavimento do bloco; e sistema de drenagem pluvial de cobertura incompleto.

Em razão dos sinais de degradação encontrados, a Defesa Civil apontou algumas orientações aos moradores na ficha de ocorrência. Entre elas, está a contatação de um profissional habilitado ou empresa para recuperar as manifestações patológicas do prédio, além do monitoramento no aparecimento de novas manifestações ou agravamento das que já existem.

Segundo a Prefeitura de Jaraguá do Sul, os Bombeiros Militares da cidade também vão realizar uma vistoria no bloco afetado para saber quais são as condições estruturais.


 
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