Funcionários da empresa envolvida na Carne Fraca ainda não receberam toda rescisão em Jaraguá do Sul - AN Jaraguá - Geral - A Notícia

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Um ano depois05/03/2018 | 15h02Atualizada em 05/03/2018 | 15h26

Funcionários da empresa envolvida na Carne Fraca ainda não receberam toda rescisão em Jaraguá do Sul

Pagamento de valores rescisórios começaram em fevereiro deste ano, depois de acordo entre categoria e o frigorífico 

Funcionários da empresa envolvida na Carne Fraca ainda não receberam toda rescisão em Jaraguá do Sul Marco Antônio/RBS TV
Foto: Marco Antônio / RBS TV
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Quase um ano após as primeiras ações da operação Carne Fraca, em Jaraguá do Sul, os trabalhadores da Peccin Agro Industrial ainda não receberam o total das verbas rescisórias. A previsão inicial era que os quase 180 funcionários do frigorífico contassem com as quantias em abril do ano passado, mas os valores só começaram a ser pagos no início deste ano. A primeira fase da operação, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março do ano passado, busca investigar irregularidades no setor frigorífico.  

A empresa com sede em Curitiba e filial em Jaraguá foi denunciada por adulterar a produção de embutidos. Há indícios de que era utilizado ácido sórbico – um  conservante alimentar proibido – na cadeia de produção dos produtos. A indústria fabricava salsichas e presuntos termoprocessados, bem como linguiças frescais — aquelas de churrasco — para a marca Italli Alimentos (própria da empresa) e várias outras do mercado.  

Cerca de dez dias depois do cumprimento dos mandados de busca e apreensão na unidade, o local foi interditado e os colaboradores receberam a informação que seriam demitidos. A filial da indústria em Jaraguá permanece fechada desde então.  

Inicialmente, as rescisões dos funcionários estavam agendadas para abril do ano passado.  Mas, segundo Valcir Braga Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação de Jaraguá do Sul (STIAJS), as verbas rescisórias começaram a ser pagas somente no início de fevereiro deste ano — quase um ano depois dos primeiros desdobramentos da operação.  

O recebimento dos valores iniciou após acordo firmado no início deste ano, entre a empresa e os trabalhadores nas ações coletivas impetradas pelos colaboradores. De acordo com Guilherme Saad, advogado trabalhista da empresa, os 182 funcionários demitidos em março não receberam a verba à época por causa da interdição do frigorífico.  

— Os funcionários que começaram a receber as verbas rescisórias em Jaraguá representam aproximadamente 90% das pessoas demitidas da empresa — afirma o advogado. 

De acordo com Fabio Roberto de Oliveira, advogado que representa os colaboradores, o pagamento das verbas rescisórias será realizado em duas parcelas - a primeira já foi paga e a segunda deve creditada ainda nesta semana. O advogado ainda informou que em ação conjunta do sindicato, aproximadamente R$ 2 milhões em bens e contas da empresa foram bloqueados para garantir o pagamento das rescisões.  

— Uma terceira empresa comprou todo o maquinário do frigorífico. Com dinheiro da venda, os funcionários daqui começaram a ser pagos — explica o advogado. 

No total, 63 pessoas foram denunciadas em cinco processos decorrentes da primeira fase da Carne Fraca. Uma delas é o diretor da filial jaraguaense da empresa , Normélio Pecin Filho, que chegou a ser preso preventivamente em março do ano passado, mas saiu em liberdade em agosto, após o pagamento de fiança.   

Normelio Pecin filho, diretor do frigorífico, chegou a ser preso em março, mas foi liberado em agosto após pagar fiançaFoto: Reprodução / Reprodução

De acordo com Louise Mattar Assad, advogada de defesa de Normélio, será feita uma nova audiência em meados de abril onde os réus serão interrogados novamente. Depois disso, ainda há o prazo para as alegações finais, com manifestação do Ministério Público Federal (MPF) e da defesa de todos os denunciados no processo. Somente após estes prazos é que deve ser formulada a sentença, ainda sem data para publicação.  

Se condenado, Normélio poderá responder pelos crimes de advocacia administrativa, concussão, corrupção passiva, crime contra a ordem econômica, emprego de processo proibido ou de substância não permitida, falsidade, corrupção ativa, adulteração de substância ou produtos alimentícios, organização criminosa, peculato, prevaricação, uso de documento falso e violação de sigilo funcional.  

Terceira fase da operação

A terceira fase da operação foi deflagrada pela PF na manhã desta segunda-feira. Em Chapecó, no Oeste Catarinense, há quatro mandados de mandados de busca e apreensão, dois mandados de condução coercitiva e um mandado de prisão temporária para serem cumpridos. Já em Treze Tílias, os agentes devem cumprir um mandado de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. O alvo é a empresa BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão, maior empresa de Santa Catarina e uma das maiores do país.

 
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