"Vivenciar esse tipo de emoção, não tem como explicar", diz bombeiro que fez o parto da filha em Jaraguá - AN Jaraguá - Geral - A Notícia

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Dia de herói02/06/2017 | 20h23Atualizada em 03/06/2017 | 10h31

"Vivenciar esse tipo de emoção, não tem como explicar", diz bombeiro que fez o parto da filha em Jaraguá

Cristiano Leandro estava com a mulher gestante em uma ambulância quando recebeu a filha Melinda em seus braços no trajeto para o hospital

"Vivenciar esse tipo de emoção, não tem como explicar", diz bombeiro que fez o parto da filha em Jaraguá Salmo Duarte/Agencia RBS
Cristiano chora quando relembra o momento do nascimento da filha Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Sentir a responsabilidade de pai desde o primeiro minuto. Essa foi a sensação de Cristiano Leandro, 30 anos, ao dar boas vindas à filhaMelinda Moraes Ferreira, que nasceu em seus braços, na tarde de quinta-feira, em Jaraguá do Sul. A menina veio ao mundo às 17h25, no quintal da casa da família, dentro de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários do município, corporação que o pai faz parte há dez anos.

Com 39 semanas de gestação, a mãe da criança, Daniele Moraes Ferreira, 23, começou a sentir as dores do parto por volta das 4h da manhã e chegou a ir até o Hospital e Maternidade Jaraguá, ao meio dia. Recebeu atendimento médico, mas preferiu voltar para casa, pois ainda não estava com dilatação suficiente para ter o bebê.

Horas depois, a bolsa estourou e, distantes a 7 km do hospital, os pais preferiram chamar o resgate dos bombeiros para chegar a tempo na maternidade.Da ligação até a chegada da ambulância à residência da família, no bairro Jaraguá Esquerdo, foram cerca de oito minutos.

Já dentro do veículo e percebendo que o marido havia sentado no banco da frente da ambulância, Daniele pediu para que ele a acompanhasse. O marido consentiu e, enquanto ainda colocava as luvas do kit parto, a menina nasceu em seus braços.

– Na hora, eu fiquei tão nervoso que nem a máscara deu tempo de colocar porque eu só queria que ela viesse e foi tudo muito rápido. Quando nasceu, eu nem levantava mais a cabeça, só chorava e a balançava no colo. Os meus companheiros que ajudaram, Everson e Guilherme, batiam nas minhas costas e davam os parabéns, e eu, de cabeça baixa, chorando – recorda Cristiano, bastante emocionado.

A preocupação dos pais com o parto vem desde o nascimento do pequeno Lukayan Leandro, primeiro filho do casal, de apenas um ano e um mês. Quando ele nasceu, as dores do parto duraram cerca de 17 horas, bem diferente do nascimento de Melinda. Foi essa ligação que motivou o pedido de Danieli para que Cristiano estivesse junto com ela enquanto a mãe reunia forças para ter a menina.

Melinda nasceu com 2.910 kg e 47 centímetros de cumprimento Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

– Sinto mais segurança com ele por perto e, no momento em que eu entrei na ambulância, vi que ele sentou lá na frente. É claro que eu confio no trabalho dos bombeiros, mas quis ter ele do meu lado porque a presença dele me deixa bem mais tranquila desde o nascimento do meu outro menino – explicou Daniele.

Melinda nasceu saudável, com 2.910 kg e 47 centímetros de comprimento. A criança seguiu para o São José logo após o nascimento. A bebê e a mãe devem receber alta médica no fim da manhã deste sábado.

– Agora, é dar graças a Deus pela saúde delas e agradecer aos bombeiros que ajudaram. Todo pai faz o melhor por um filho e, nessa hora, mesmo com a emoção, você não pode se desesperar. Tem que contar até dez e respirar – diz Cristiano, aliviado.

O parto da filha foi o segundo acompanhado de perto pelo bombeiro. Há cerca de três anos, Cristiano recebeu um chamado e atendeu uma ocorrência parecida com a que viveu na quinta-feira. Naquele dia, uma gestante acionou a corporação e ela estava em trabalho de parto, mas conseguiu segurar o bebê até a entrada do hospital, local onde teve a criança.

– Vivenciar esse tipo de emoção não tem como explicar. Se um parto já é inexplicável, imagine fazer o parto da própria filha? Ainda me deram a honra de cortar o cordão umbilical dela. Eu não imaginava que seria assim – concluiu.

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