Funcionários de frigorífico de Jaraguá do Sul protestam contra interdição da empresa - AN Jaraguá - Geral - A Notícia

Versão mobile

Operação Carne Fraca23/03/2017 | 10h32Atualizada em 23/03/2017 | 21h00

Funcionários de frigorífico de Jaraguá do Sul protestam contra interdição da empresa

Grupo se reuniu na manhã desta quinta-feira em frente ao frigorífico

Funcionários de frigorífico de Jaraguá do Sul protestam contra interdição da empresa Salmo Duarte/Agencia RBS
Funcionários realizam manifestãção em frente à empresa Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Colaboradores da Peccin Agro Industrial, de Jaraguá do Sul, protestaram na manhã desta quinta-feira contra a interdição do local, que ocorreu na última sexta-feira, dia 17, durante a Operação Carne Fraca. A empresa é suspeita de adulterar a fabricação dos produtos.

A manifestação começou por volta das 8h30 em frente aos portões, depois continuou em passeata pelas ruas próximas até o retorno para a filial. De acordo com o supervisor de planejamento da empresa, Jonatas Martins da Silva, a manifestação foi organizada pelos trabalhadores da produção e abraçada pelos funcionários do setor administrativo da indústria. A reivindicação é que as operações retornem o mais rápido possível.

— Os colaboradores estão aqui pedindo para voltar a trabalhar e assim garantir o pagamento do contracheque, já que as contas da fábrica foram bloqueadas — defendeu.

Leia as últimas notícias de Joinville e região em AN.com.br

Os manifestantes seguravam cartazes, faixas e apitos e pediam 'justiça sim, desemprego não'. O protesto durou cerca de duas horas. Aproximadamente 90 pessoas acompanharam a ação, conforme o representante da Peccin, entre funcionários, familiares, representantes do sindicato e pessoas da comunidade. Segundo Jonatas, 180 funcionários fazem parte do quadro e quase 80 são colaborares indiretos.

Ainda conforme o supervisor, ele e mais dois funcionários da administração permanecem de plantão no frigorífico. Este procedimento é para manter alguns serviços funcionando, por exemplo, o recebimento de ligações e atualização de e-mails. Na linha de produção os serviços estão completamente parados.

— Temos alguns lotes de carnes aqui que estão aguardando para serem processadas. Se não retomarmos os trabalhos vamos perder todo este insumo. A intenção também é que não haja nenhuma demissão, por isso precisamos voltar a produzir o quanto antes — completou.

Jonatas ainda expõe que os advogados da empresa já foram acionados na matriz que fica em Curitiba. Eles cuidarão do processo, mas ainda não há previsão de quando se pronunciarão oficialmente sobre o caso. O protesto aconteceu também na sede da Peccin, onde trabalham aproximadamente 600 pessoas. 

Funcionários seguram cartazes e faixas em apoio a empresa Peccin Agro Industrial

Repercussão na comunidade

A interdição do frigorífico impactou negativamente a vida dos colaboradores. Uma funcionária do setor administrativo, que não quis ter a identidade revelada, conta que todo dia 20 é pago o adiantamento salarial. Muitos trabalhadores necessitam deste valor para pagar as contas do mês.

— Quem está sofrendo é o trabalhador que muitas vezes não tem nada a ver com a história — afirmou. 

Ela conta que a Peccin é considerada pela maioria dos colaboradores como uma grande família . Por ser uma das poucas empresas na área rural do Santa Luzia, os moradores da comunidade é que ocupam grande parte do quadro de funcionários.

— Às vezes o próprio trabalhador indica um irmão, primo, muitas vezes até pai e mãe. Assim, a família toda depende do salário pago aqui. É muito triste ver que talvez eles não recebam o dinheiro em abril porque a empresa está interditada — completa.

A colaboradora não acredita que as alegações feitas pela Polícia Federal aconteceram no seu ambiente de trabalho. Para a mulher, o respeito e a qualidade são os principais pilares da organização, repassados diariamente a todos os colaboradores.

— Nós fabricamos e também consumimos estes produtos, por isso que estamos aqui protestando. A gente acredita no que faz — expõe.

Celso da Silva trabalha como auxiliar de produção da Peccin há dez meses, ele não mora no bairro, mas nem por isso deixa de acreditar na importância do frigorífico para a vida da comunidade.

— Nós queremos que volte às operações para que a gente possa trabalhar, todos dependem do emprego — comentou.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação de Jaraguá do Sul e Região (Stiajs), Valcir Braga Rodrigues, os colaboradores não podem ser prejudicados no decorrer da investigação. O órgão pretende acompanhar todas as manifestações e apoiar os empregados. A intenção é que a situação seja resolvida o mais rápido possível, para que todos retomem seus postos.

— Os funcionários não podem pagar pelo que está acontecendo, eles precisam voltar a trabalhar imediatamente. Por isso é fundamental mobilizar mais pessoas para essa manifestação — justificou.

Os comércios da região também podem ser afetados com a interdição da indústria. Vivian Gomes é proprietária de uma lanchonete nos arredores e já observou uma baixa nas vendas desde que os portões foram fechados. Ela acredita que essa paralisação irá prejudicar não somente os funcionários, mas também, as lojas do bairro.

— Eu estou aqui hoje porque os clientes do meu estabelecimento são trabalhadores da Peccin. Alguns são meus amigos também. A economia nesta área só existe porque eles consomem, mas claro precisam ter salário para isso — defendeu.

A comerciante Vivian também compareceu ao protesto

Interdição ainda pode se prolongar

A indústria dever permanecer fechada até que sejam concluídas as investigações. A auditoria iniciada nesta segunda-feira analisou documentos e relatórios de produção, também foram recolhidas amostras do produto final para análise. De acordo com Jacir Massi, superintendente federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em SC, os dados dessa primeira ação não são conclusivos, somente após a análise dos produtos é que haverá um parecer.

—  A ação do Mapa terminou nesta quarta-feira. É preciso aguardar os 20 dias para examinar as amostras, somente depois deste período que terá um relatório final da auditoria — declarou.

O diretor do frigorífico, Normelio Peccin Filho, permanece detido em Curitiba na Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná. Ele deve prestar depoimento durante a tarde desta quinta-feira. A Peccin Agro Industrial produz salsichas e presuntos termoprocessados e linguiças frescais. A empresa é proprietária da marca Italli Alimentos e também fabrica produtos para outras marcas que não tem a planta processadora.

A NOTÍCIA

Notícias Relacionadas

Operação Carne Fraca 21/03/2017 | 07h32

Começa a busca por evidências de irregularidades em empresa de Jaraguá do Sul

Auditoria na Peccin Agro Industrial vai examinar processo de produção de embutidos. Análise sai em até 20 dias

Busca e apreensão 17/03/2017 | 11h55

Operação Carne Fraca cumpre mandado em Jaraguá do Sul, Norte de SC

Policiais buscam no frigorifico possíveis evidencias que comprovem a pratica de crimes descritos no processo

Polícia Federal 17/03/2017 | 10h12

Operação Carne Fraca tem mandados de busca em Balneário Camboriú e Porto Belo

Fraudes resultavam na venda de carne imprópria para o consumo

Carne Fraca 17/03/2017 | 09h49

Carnes podres e uso de produtos cancerígenos: o que a PF encontrou na operação contra frigoríficos

1,1 mil policiais cumprem 309 mandados contra quadrilha liderada por fiscais agropecuários e empresários no RS e em outros seis Estados

Siga A Notícia no Twitter

Veja também

A Notícia
Busca