Tensão e decepção marcaram torcida joinvilense na última partida do Brasil na Copa 2018 - Esportes - A Notícia

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Copa 201806/07/2018 | 18h29Atualizada em 06/07/2018 | 18h59

Tensão e decepção marcaram torcida joinvilense na última partida do Brasil na Copa 2018

Derrota para a Bélgica nas quartas-de-final foi despedida inesperada para os torcedores que se reuniram para acompanhar partida pela TV

Tensão e decepção marcaram torcida joinvilense na última partida do Brasil na Copa 2018 Salmo Duarte/A Notícia
Priscilla rezou, mas não teve chance de comemorar no fim do jogo Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Quando, aos 31 minutos do primeiro tempo, a Bélgica comemorou o segundo gol de sua seleção em cima do Brasil, na Arena de Kazan, a professora Priscilla Gomes Barbosa, 36 anos, não aguentou a pressão e, por alguns segundos, cobriu toda a cabeça com a bandeira brasileira. O símbolo máximo do país, que havia sido levado para a praça do Mercado Público Municipal de Joinville para ser agitada contra o vento em momentos de comemoração, acabou servindo de acalanto para ela e para o marido, Jorge Barbosa, quando a partida começou a parecer perdida.

— Eu amo futebol e ainda acredito. O Brasil é o país do futebol — justificou Priscilla, logo depois que, nos 31 minutos do segundo tempo, Renato Augusto gerou esperança na maioria dos torcedores ao fazer o que seria o único gol do Brasil.

 JOINVILLE,SC,BRASIL,06-07-2018.Copa do Mundo 2018mercado municipal,Priscilla Gomes Barbosa com a bandeira.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
No segundo gol da Bélgica, Priscilla até se escondeu sob a bandeiraFoto: Salmo Duarte / A Notícia
 JOINVILLE,SC,BRASIL,06-07-2018.Copa do Mundo 2018mercado municipal,Priscilla Gomes Barbosa e Jorge Barbosa.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Tensão circulava entre as mesas da praça do Mercado MunicipalFoto: Salmo Duarte / A Notícia

A tensão pelo jogo das quartas-de-final da Copa 2018 começou cedo em Joinville. A escrivã de cartório Karen Vanessa Reis, 25 anos, e o analista de sistemas Max Polastri, 27 anos, que assistiam à partida no Barão Chopp e Conversa, no centro da cidade, só tiveram os primeiros dez minutos para ficarem despreocupados aproveitando os serviços do local que escolheram para acompanhar à segunda vez em toda a história em que o Brasil (cinco vezes campeão mundial) jogou contra a Bélgica (nenhum título conquistado até agora) em uma Copa do Mundo. Apesar do bom desempenho da Bélgica até agora, ninguém esperava outro resultado que não fosse a vitória da seleção brasileira e, mesmo que Karen apostasse em 2 a 1, quando a Bélgica marcou o primeiro — com uma cabeceada de Fernandinho na rede adversária — ela e o namorado precisaram levantar e ficar mais longe da TV para aguentar pressão. 

 JOINVILLE,SC,BRASIL,06-07-2018.Copa do Mundo 2018,torcida no bar Barão,Karen Vanessa Reis e Max Polastri.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Karen e Max esperavam pelo menos 2 a 1 para o Brasil nessa partidaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Não longe dali, na praça do Mercado, onde Priscila e o marido agarravam a bandeira, a tensão corria pelas mesas postas na praça. Ela se dissipou brevemente no intervalo, quando uma ação da rádio Atlântida fez subir o som das músicas mais famosas e algumas pessoas até arriscaram dançar, com a segurança de que haveria 45 minutos para recuperar e conseguir, no mínimo, o empate para ir à prorrogação. Mas, quando as 16 horas chegaram, gritos e interjeições de decepção chegaram ao volume máximo. 

A estudante Emanuela Silveira esperava assistir não só a vitória sobre a Bélgica, mas a taça dourada chegar às mãos dos jogadores brasileiros pela primeira vez. Ela ainda não tinha dois anos de idade quanto o penta chegou e não tem lembranças de um título para a seleção brasileira na Copa do Mundo. O cachecol verde e amarelo deixou o pescoço e foi parar na cabeça, e era apertado como "cano de escape" para o nervosismo da jovem que, já no fim, participava do coral de "eu acredito" com outros adolescentes e jovens. 

Com o cabelo e a barba tingidos de verde, o vendedor Marcos Rossi, 38 anos, garantiu que era pura sorte o coração não ter explodido ainda. Era a primeira partida da Copa do Mundo 2018 que ele ia à praça do Mercado Municipal para assistir e, posicionado bem no meio da praça, ele não sentou nenhuma vez.

— Ainda tem chance, o Brasil sempre tem jeito — suspirou Marcos quando a partida se encaminhava para os 40 minutos do segundo tempo. 

 JOINVILLE,SC,BRASIL,06-07-2018.Copa do Mundo 2018mercado municipal,Marcos Rossi.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Marcos ficou em pé durante toda a partida, nervoso com o resultado que se desenhavaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Quando Neymar teve a última oportunidade de gol, Priscilla, a professora do início da partida, juntou as mãos e fechou os olhos. Difícil dizer se era momento de reza ou se o nervosismo a fez fechar os olhos para não ver a derrota ser legitimada com o fim do segundo tempo. Depois ela contou que rezou para os búzios, os orixás, qualquer divindade afro-brasileira, mas não deu. Ainda atônita, Priscilla comparou. 

— Se é pior que é o 7 a 1? O 7 a 1 ficou no passado, perder agora é muito pior — afirmou. 

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