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Los Angeles07/05/2018 | 16h32

Quatro atletas acusam comitê olímpico americano de tráfico sexual

AFP
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Quatro mulheres atletas denunciaram o Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC) e a Federação de Taekwondo (USA TKD) por tráfico sexual, alegando terem sido forçadas a treinar e viajar com conhecidos predadores sexuais.

Heidi Gilbert, Mandy Meloon, Amber Means e Gaby Joslin foram nesta sexta-feira à Corte de Colorado após "duas décadas de abusos sexuais, exploração e tráfico de atletas da equipe olímpica americana de taekwondo por parte de entidades, oficiais, técnicos e mentores em que confiavam para protegê-las".

A acusação cita o ex-técnico de taekwondo Jean Lopez e seu irmão Steven, duas vezes campeão olímpico neste esporte.

O US Center for SafeSport (Centro para o Esporte Seguro) suspendeu Jean para sempre de todos os eventos mundiais de taekwondo. Steven recebeu uma restrição interna enquanto as investigações não são concluídas.

Meloon, bicampeã olímpica, apresentou uma queixa em 2007 alegando que havia sido estuprada por Jean durante a Copa do Mundo de taekwondo do Egito, em 1997, quando tinha apenas 15 anos.

"Pelo menos desde 2007 em diante, o USOC e a USA TKD protegeram, empoderaram e outorgaram a Jean Lopez a autoridade, legitimidade e confiança para ser o técnico oficial da equipe americana de taekwondo e a seu irmão Steven para ser a superestrela do taekwondo americano", acusa a denúncia.

"Ao fazer isso, expuseram a centenas de jovens atletas femininas a dois predadores sexuais, o técnico da equipe americana e seu próprio irmão".

A denúncia garante que "em sua busca por 'medalhas e dinheiro', o USOC e a USA TKD protegeram Steven Lopez de ser processado porque ele entregava riquezas comerciais".

Gilbert afirmou que Jean a agrediu sexualmente depois de eventos no Equador em 2002 e na Alemanha em 2003.

A denúncia afirma que as mulheres que queriam fazer parte da seleção americana de taekwondo "não tinham outra opção a não ser se entregar às demandas sexuais dos irmãos Lopez. Caso recusassem, os irmãos Lopez, o USOC e a USA TKD colocavam as atletas na reserva, as suspendiam ou as cortavam da equipe americana".

Em comunicado publicado nos jornais USA Today e New York Times, o porta-voz do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, Patrick Sandusky, declarou que a entidade "está profundamente focada em apoiar, proteger e empoderar os atletas".

Sandusky explicou que várias ações foram colocadas em prática, como o lançamento do US Center for SafeSport, que "garantirá que nossos atletas estejam mais protegidos desses atos atrozes".

A Federação de Taekwondo dos Estados Unidos afirmou em comunicado que não teve tempo de revisar os detalhas da denúncia e que "como trata-se de um processo legal em andamento, seria inapropriado fazer qualquer tipo de comentário a respeito neste momento".

* AFP

 
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