Heynckes e Zidane, dois cavalheiros do futebol - Esportes - A Notícia

Versão mobile

 

Madri24/04/2018 | 13h31

Heynckes e Zidane, dois cavalheiros do futebol

AFP
AFP

Treinadores, mas também cavalheiros: Jupp Heynckes e Zinedine Zidane encarnam a elegância de seus clubes e não vão abandonar os valores de Bayern de Munique e Real Madrid nas semifinais da Liga dos Campeões nesta quarta-feira.

Nomeado em outubro em meio a um ambiente tenso, Jupp Heynckes suavizou a situação e motivou seus comandados.

O veterano técnico de 72 anos impôs suas ideias apoiando-se nos pesos pesados do elenco bávaro, ao contrário do antecessor Carlo Ancelotti. As estrelas tiveram seu orgulho e responsabilidades devolvidas, ao mesmo tempo que Heynckes pode integrar novos rostos como Corentin Tolisso e James Rodríguez.

Tendo conquistado a tríplice coroa em 2013 e com vários jogadores daqueles títulos ainda no elenco, chegou acompanhado com uma aura de magia no vestiário. "Todos os jogadores o amam, o ambiente no clube é sereno", disse o diretor geral do Bayern Karl-Heinz Rummenigge, referindo-se ao técnico como uma "pessoa extraordinária".

A história de Zidane é similar. No início de 2016, assumiu o Real Madrid após a passagem conturbada de Rafael Benítez, transformando o clube merengue em uma máquina de conquistas com oito títulos em 11 possíveis, incluindo duas Ligas dos Campeões consecutivas.

"Zidane mudou nossa vida", resumiu há um ano o presidente Florentino Pérez em entrevista à AFP. "Tem essa autoridade sobre os jogadores porque foi um grande jogador", acrescentou.

Graças a sua gestão de pessoas, Zizou conseguiu colocar no banco de reservas nomes de peso como o colombiano James Rodríguez e o galês Gareth Bale. Com ele, todos têm suas oportunidades, como Marco Asensio e Lucas Vázquez.

- Dois emblemas -

Zidane é francês, mas com o maior vencedor clube espanhol o encontro foi imediato.

"Seus valores são os do Real Madrid. É uma história de amor, bonita e eterna", disse Pérez, que o contratou como jogador em 2001.

Zidane passou por todos os cargos no Real Madrid: conselheiro do presidente, diretor esportivo, auxiliar técnico, técnico da filial e por último treinador do time principal. "Tenho o DNA do Real Madrid, esta é minha casa", resumiu o francês.

Recentemente, Zizou prorrogou seu contrato até 2020 e garante desfrutar do dia a dia apesar da pressão monstruosa. Na semana passada, defendeu o clube qualificando de "vergonha" as críticas que sugeriram "roubo" na classificação obtida contra a Juventus nas quartas de final.

Heynckes, por outro lado, é um personagem central do Bayern de Munique apesar de nunca ter jogado no clube. É sua quarta passagem pelo clube e foi o responsável pela tríplice coroa com os títulos da Bundesliga-Copa-'Champions' em 2013.

Quando voltou no início de outubro, chamado durante sua aposentadoria, reconheceu que o fez por "pura paixão pelo Bayern" e por amizade ao presidente Uli Hoeness, com quem foi campeão da Copa do Mundo de 1974.

- Conectados com os jogadores -

No dia a dia, Heynckes explica claramente o que quer. E depois deixa sua confiança cega com os jogadores.

Assim, tirou Thomas Müller de uma má fase e elevou o nível do goleiro Sven Ulreich a ponto de ser cotado para a Copa do Mundo da Rússia.

O campeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid, em 1998, também colocou James Rodríguez nos eixos por conta de seu domínio da língua espanhola.

"Acrescentou um novo espírito de equipe", afirmou o zagueiro Mats Hummels, que acrescentou que "a coisa vai muito bem com muitos jogadores quando diz claramente: 'quero ver isso ou aquilo, e não quero voltar a ver isso ou aquilo'".

Zidane, por outro lado, tenta acrescentar sua serenidade. "O que você sente, tem que transmitir para seus jogadores. Basta ser tranquilo", dizia após a classificação no limite da partida contra a Juventus.

O francês defende seus jogadores independentemente do mau tempo e eles retribuem a confiança: "estamos com ele até o final", disse o brasileiro Marcelo.

Em resumo, Zidane é um facilitador que usa sua cumplicidade e sua aura de lenda do futebol para tirar o melhor de cada um.

"Gosto do jogo, gosto que meus jogadores joguem", explicou. "Transmito aos jogadores quem sou", acrescentou.

* AFP

 
A Notícia
Busca