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Pyeongchang08/02/2018 | 09h04

COI quer proteger atletas de agressões sexuais

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Coincidindo com as condenações por agressões sexuais de Larry Nassar, ex-médico do time de ginástica dos Estados Unidos, o COI quer colocar em prática uma célula para ajudar as vítimas durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que começam nesta sexta-feira.

"Quando começamos este trabalho, era realmente um tema tabu", explica Susan Greinig, responsável por esta célula do COI e que nega qualquer responsabilidade no escândalo da ginástica norte-americana.

Durante os 15 dias de disputas olímpicas em Pyeongchang, na Coreia do Sul, entre os dias 9 e 25 de fevereiro, quatro locais estarão abertos para dar suporte médico e psicológico às vítimas de assédio ou abuso sexual.

A iniciativa chega depois de Larry Nassar receber três condenações por assédio sexual a jovens ginastas, que somadas chegam a mais de 300 anos de prisão.

Durante os processos contra o ex-médico, dezenas de vítimas prestaram depoimentos sobre as práticas de Nassar, que passaram impunes durante quase duas décadas até as primeiras denúncias em 2016.

- Tomada de consciência -

Aproximadamente 160 atletas falaram diante do tribunal sobre a maneira como o agressor se escondia atrás da imagem de osteopata "milagreiro". Nassar exerceu a profissão entre 1994 e 2016 na Federação Americana de Ginástica (USA Gymnastics), no Comitê Olímpico norte-americano (USOC) e na Universidade do Estado de Michigan (MSU).

"Temos que reforçar a tomada de consciência com o objetivo de proteger os atletas e ajudá-los a evitar ou administrar todas as situações", explicou Susan Greinig.

"As federações podem constatar até que ponto estas práticas podem destruir o esporte. Perdemos atletas talentosos e é um verdadeiro desastre ver como atletas desistem de suas carreiras", acrescentou Greinig, que trabalha desde 1997 na direção médica do COI.

Concretamente, a célula começa a funcionar para recolher depoimentos de vítimas e oferecer conselhos jurídicos para eventualmente apresentar uma denúncia.

O COI, que também abriu uma linha direta telefônica, pode recorrer a seu departamento jurídico e ético para abrir processos disciplinares contra os autores dos crimes. As sanções podem ir desde uma advertência até a perda da credencial.

- Dar voz -

Questionada pela AFP em Pyeongchang antes do início da competição, a atleta americana Summer Britcher aplaudiu a decisão do COI em criar a célula.

"O que aconteceu no time de ginástica é horrível. Mas o ponto positivo, se é que posso falar assim, foi a coragem mostrada por estas mulheres para testemunhar. Isto pode dar voz para outras mulheres", opinou a competidora de luge.

O presidente do COI, Thomas Bach, expressou no domingo apoio moral da entidade às vítimas de Nassar, parabenizando a "coragem das vítimas em prestar depoimento".

Ao mesmo tempo, questionado se os abusos do ex-médico não poderiam ter sido detectados antes, Bach indicou que o COI não era responsável pela presença do agressor durante os Jogos.

"É uma questão que tem que ser vista com o Comitê Olímpico norte-americano. O COI não nomeia os membros do time olímpico americano, é uma prerrogativa da USOC", disse o mandatário.

Diante da indignação do caso nos Estados Unidos, vários dirigentes da USA Gymnastics renunciaram, assim como membros da USOC e da Universidade de Michigan abriram investigações internas para esclarecer como o médico poderia atuar desta maneira durante tanto tempo, apesar das denúncias.

* AFP

 
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