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Paris02/11/2017 | 12h12

Mulheres brigam por espaço no circuito da Fórmula 1

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ãm 68 edições do Campeonato Mundial de Fórmula 1, apenas duas mulheres assumiram o cockpit em um Grande Prêmio: desde 1976, quando a última mulher pilotou um carro na categoria mais prestigiosa do automobilismo, a presença feminina aumentou nos boxes, mas elas nao voltaram a ter o volante nas mãos.

Apesar das mulheres terem o mesmo direito aos homens para participarem de competições em todas categorias, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) não tem nenhuma atleta do sexo feminino dentro das pistas durante corridas.

"Existe um problema de falta de interesse das mulheres pelo automobilismo" avalia o presidente da FIA, Jean Todt. "Elas também não foram motivadas para entrar na indústria de carros de corrida", acrescentou.

"Também pode existir um problema de constituição física. Existem dois segundos (na verdade apenas 91 centésimos) entre o recorde dos 100 metros rasos de homens e mulheres no atletismo. Se você me perguntar se uma mulher é capaz de fazer o que fazem Hamilton, Vettel ou Verstappen, não terei resposta para essa pergunta", avaliou Todt.

Os que duvidam das condições das mulheres conseguirem sucesso na Fórmula 1 também se apoiam no mesmo argumento: a massa muscular feminina, que normalmente é inferior à masculina e muito demandada pelas altas forças produzidas pelas frenagens.

- Músculos -

"Em média, nós temos 30% menos de músculos. Por isso preciso treinar mais fisicamente, mas não quer dizer que eu não posso ser tão competitiva quanto os homens", afirmou a colombiana Tatiana Calderón, de 24 anos, pilota de desenvolvimento da escuderia Sauber que compete na GP3.

Calderón quer ser a próxima piloto mulher na maior categoria do automobilismo, depois que a britânica Susie Wolff trabalhou nos testes da Williams em 2014 e 2015.

"Susie fez de tudo para que sua forma física não fosse um problema, para não dar razão aos que defendem essa teoria. Às vezes foi melhor que alguns homens", lembra Claire Williams, diretora da escuderia britânica.

Michele Mouton é outra exceção à regra, depois de conquistar quatro ralis de categoria mundial no início dos anos 1980. "Dirigir é sempre parecido. Não existem 36.000 formas de fazer e é o mesmo para um homem e uma mulher".

"Por isso sou totalmente contra qualquer competição apenas para mulheres", como propõe o ex-proprietário da F1, Bernie Ecclestone, acrescentou a presidente da comissão de mulheres para o automobilismo da FIA, inaugurada em 2009.

- Aparência física -

Mas quando uma mulher voltará a participar de um Grande Prêmio? As últimas a entrem no grid foram as italianas Maria Teresa de Filippis (três GPs em 1958) e Maria Grazia "Lella" Lombardi (12 GPs entre 1974 e 1976).

Provavelmente ainda será preciso esperar. Apesar do novo chefe da F1, Chase Carey, avaliar que ter uma piloto seja "algo bom", nenhuma mulher domina um carro de alto nível desde a suíça Simona de Silvestro.

Antes, a britânica Divina Galica (1976 e 1978), a sul-africana Desiré Wilson (1980) e a italiana Giovanna Amati (1992) também não decolaram.

"É preciso reconhecer que as mulheres nunca tiveram a possibilidade de chegar aos melhores times, com os melhores carros", admite Todt. Por exemplo, Silvestro foi impossibilitada de continuar seu processo como piloto de testes da Sauber em 2014 por falta de meios econômicos.

Já a espanhola María de Villota morreu em 2013, depois de se envolver em acidente nos testes da escuderia Marussia, no ano anterior

Mas além da necessidade de demonstrar suas capacidades, as mulheres que chegaram à Fórmula 1 precisaram lidar com comentários depreciativos e assédio nos boxes.

Foi o caso da espanhola Carmen Jordá, piloto de desenvolvimento da Lotus (2015) e Renault (2016), cujos críticos afirmavam que sua contratação aconteceu por sua beleza e não pelas qualidades atrás de um volante.

As acusações preconceituosas continuarão a existir, mas as mulheres brigam por seu espaço em um meio predominantemente masculino de diretores, mecânicos e diretores de escuderias.

* AFP

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