Futebol no Tibete, entre o profissionalismo e a falta de oxigênio - Esportes - A Notícia

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Xangai15/11/2017 | 10h52

Futebol no Tibete, entre o profissionalismo e a falta de oxigênio

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Jogar futebol a mais de 3.600 metros de altitude, privados de oxigênio: este é o desafio que esperam os rivais do Lhasa Chengtou FC, o primeiro clube do Tibete a integrar o futebol profissional da China.

O time da capital tibetana, cujo estádio custou 735 milhões de iuanes (95 milhões de euros), acaba de deixar para trás o status de clube amador, depois de subir à League Two, a terceira divisão chinesa.

No entanto, o Lhasa talvez não possa disputar seus jogos como mandante em seu estádio, o mais alto da China, justamente por conta da altitude. A 3.658 metros acima do nível do mar, a escassez de oxigênio dificulta a prática esportiva de alto nível, problema conhecido pelos sul-americanos que se aventuram na cordilheira dos Andes pela Libertadores.

Por conta disso, os jogadores estão autorizados a utilizar tanques de oxigênio posicionados ao lado do campo para evitar náuseas em atletas sensíveis ao chamado "mal de altura".

Mas a federação chinesa de futebol avalia o potencial perigo para a saúde dos jogadores que possam jogar nestas condições.

A situação se assemelha à vivida em outras regiões do mundo com altitudes parecidas, como no caso de La Paz, na Bolívia, onde os 3.640 metros acima do nível do mar redobram a preocupação de times e seleções que vão jogar na cidade.

- 'Esporte número 1' -

O Lhasa Chengtou, time formado principalmente por jogadores da China, carimbou a passagem para a terceira divisão depois de eliminatória de ida e volta contra o Shenyang Dongjin.

O jogo de ida foi deslocado para o sul da China, a 4.000 quilômetros de Lhasa, oficialmente por prolemas no gramado. Mas muitos suspeitam que a principal razão para a mudança foi a altitude.

O time tibetano venceu a primeira partida por 2 a 0 e perdeu o jogo de volta por 1 a 0.

"O futebol está profundamente enraizado na cultura local do Tibete. É realmente o esporte número 1", explica Wang Dui, dirigente do clube.

"Se você passa pelos bairros antigos de Lhasa, ao sair das salas de aula vai encontrar crianças jogando bola por todos os lados", avalia.

- Saindo de maca -

O clube não vai ter moleza em um campeonato profissional, com nível mais alto que o amador. Além disso, pode não conseguir a autorização da Associação Chinesa de Futebol (ACF) para celebrar jogos em seu estádio, equipado com pista de atletismo e que pode receber mais de 20.000 pessoas.

Desde agosto, segundo mensagens publicadas nas redes sociais, seis jogadores visitantes tiveram que deixar o campo de maca por conta do mal de altura. As informações foram desmentidas pela polícia local.

O Lhasa Chengtou foi fundado no último mês de março, mas o futebol tem longa tradição no Tibete, tendo chegado ao país com tropas britânicas.

As autoridades chinesas controlam de maneira restrita toda informação que sai do Tibete, mas buscam o desenvolvimento do futebol local como elemento de integração dos tibetanos na China.

Muitos tibetanos exilados denunciam a repressão de sua religião e cultura no Tibete, avaliando que o auge da economia local favorece apenas as empresas chinesas e prejudica o meio ambiente.

* AFP

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