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Um ano de reconstrução29/11/2017 | 13h28Atualizada em 29/11/2017 | 13h28

Data é marcada por homenagens às vítimas do acidente com a Chapecoense

"Nossos eternos campeões merecem todas as homenagens que possam ser prestadas, mas nesse dia, em especial, é preciso ter respeito", disse o clube

Data é marcada por homenagens às vítimas do acidente com a Chapecoense Angélica Lüersen/Especial
Foto: Angélica Lüersen / Especial
Diário Catarinense
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Os portões da Arena Condá estão abertos para visitas e orações pela passagem de um ano da tragédia com o avião da Chapecoense. Em uma das paredes do estádio, o artista paulista Paulo Consentino coloriu um mural de quase 500 metros quadrados no qual retrata jogadores e comissão técnica. No estacionamento do Centro de Eventos, ao lado da casa do Verdão, o grafiteiro local Digo Cardoso pintou 63 rostos em um muro de 66 metros de comprimento. Em vez de solenidades grandiosas marcadas pela emoção, a Chape optou pela simplicidade em memória aos 71 atletas, dirigentes, profissionais da imprensa, tripulantes e convidados que partiram há exatamente um ano. 

Também foi finalizada nesta quarta a plotagem de 48 fotos com dois metros de altura cada no túnel que leva aos vestiários. As imagens ilustram jogos memoráveis, comemorações de gols, defesas inesquecíveis e momentos descontraídos de um grupo que tinha como principal característica o sentimento de união e família. O acesso ao espaço será permitido das 9h às 21h, com entrada pelo portão 14, na Rua Clevelândia. 

Próximo das 22h, as 71 luzes que estão iluminando o escudo do clube no gramado vão se erguer em forma de canhões de luz para o céu, simbolizando uma conexão dos que se foram com a Arena Condá.  

Ainda nesta quarta serão realizadas duas celebrações religiosas, uma em Florianópolis e outra em Chapecó. Na Capital, a missa ocorrerá na Catedral Metropolitana, às 18h. No Oeste, será na Catedral Santo Antônio, às 18h30min.

Procissão luminosa e missa emocionam Chapecó

A homenagem oficial da Chapecoense às vítimas da queda do avião que levava a delegação a Medellín, na Colômbia, para a disputa do título da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, ocorreu no último dia 11. Na ocasião, foram entregues placas às famílias e houve um culto ecumênico. Segundo a assessoria de comunicação, desde o dia 22 a orientação da diretoria é para manter o silêncio, apesar das solicitações da mídia do mundo inteiro para entrevistas e depoimentos. Até amanhã, estão autorizadas declarações apenas para discorrer sobre as movimentações no aspecto esportivo. 

– Tinha um desejo grande de chegar a um ano do acontecido com a missão cumprida, e felizmente isso aconteceu. Eles nos inspiraram e deram forças para conseguirmos a permanência na Série A, para trabalharmos por nossos objetivos – disse o diretor de futebol, João Carlos Maringá.

O clube listou as ações em alusão à data e justificou o posicionamento em nota aos torcedores. "Nossos eternos campeões merecem todas as homenagens que possam ser prestadas, mas nesse dia, em especial, é preciso ter respeito. Respeito por quem ficou e respeito às boas lembranças – porque são elas que precisam ser eternizadas", diz um trecho do texto.

Isso não impede, porém, que se encontrem manifestações reverenciando os ídolos e o time em Chapecó. Algumas, como o distintivo da equipe em vitrines, estampado logo após o acidente, ainda se mantêm. Uma operadora de telefonia chegou a mudar suas tradicionais cores para o verde da Chape na fachada. Até um bazar foi batizado em tributo ao zagueiro Marcelo, uma das vidas perdidas no desastre: chamado Marcelo 13 (número da camisa com que jogava), pertence à família do atleta, de Juiz de Fora (MG), em sociedade com a comerciante Patrícia de Oliveira Flores. 

– O sonho dele era montar alguma coisa em Chapecó. Éramos amigos, conheci os pais dele no velório e em fevereiro abrimos a loja – diz ela.

Os pais do defensor criaram também uma fundação que leva o nome do filho e uma escolinha de futebol da Chape, ambos na cidade mineira. No bazar, fotos e objetos pessoais de Marcelo dividiam o espaço com os itens à venda. O estabelecimento fechou neste mês e será reaberto em novo endereço, no bairro Presidente Médici. O coração de Patrícia, porém, continua de portas abertas para a fé que a conforta nos momentos difíceis:

– Ele era uma pessoa muito especial, foi quem me levou para a Igreja do Evangelho Quadrangular. 

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