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Paris19/09/2017 | 15h48

Neymar recupera face egocêntrica em Paris

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Neymar é um artista: altruísta em sua época ao lado de Lionel Messi, mas muito individualista nos tempos de Santos e no início da passagem pelo Paris Saint-Germain, o brasileiro mostra a personalidade que o ajudou a se tornar o jogador mais caro da história.

No jogo de domingo entre PSG e Lyon (2-0), Neymar reclamou em vão do companheiro uruguaio Edinson Cavani na hora de cobrar penalidade máxima. Na ocasião, passaram-se sete anos e dois dias do momento que colocou o camisa 10 no hall de jogadores marrentos.

No dia 15 de setembro de 2010, o então técnico do Santos, Dorival Junior, encarregou outro jogador na missão de bater o pênalti. Aos 18 anos, Neymar desobedeceu as ordens do comandante e chegou a insultar o treinador.

"Estamos criando um monstro", criticou Renê Simões, técnico do Atlético Goianiense, adversário da partida.

Seis dias depois, Dorival foi demitido e a diretoria do Santos ficou do lado do jogador.

Muricy Ramalho, que substituiu Dorival no comando da equipe, conquistou a Libertadores de 2011 com Neymar e acha que tem o segredo para lidar com o craque.

"A confusão foi culpa do treinador. Não disse quem tinha que bater as faltas e os pênaltis. É um cara frouxo", declarou Muricy, agora comentarista de televisão, sobre o técnico Unai Emery.

- Chefe do clã -

O treinador espanhol deu declarações à imprensa garantindo que os dois jogadores deveriam encontrar "um pacto de cavalheiros" para bater os pênaltis. Emery propôs que os dois se alternassem.

Nas três penalidades assinaladas em favor do PSG nesta temporada, Neymar se aproximou de Cavani para pedir para bater. Em todas a resposta foi sempre a mesma: "não".

No último domingo, o enfrentamento foi evidente e o brasileiro acabou se distanciando da marca da cal com a cara fechada. Neymar foi consolado pelo capitão Thiago Silva.

"Acho que isso provoca algumas dúvidas sobre sua integração. É uma demonstração de individualismo em relação a um grupo. Se outros incidentes desse tipo acontecerem, a situação pode piorar", comentou à AFP o jornalista Lédio Carmona.

Pouco tempo depois de chegar ao novo território, Neymar se converteu rapidamente o chefe do clã parisiense. A rápida adaptação se deu pelo elenco repleto de compatriotas, como o veterano Dani Alves.

O brasileiro também demonstrou grande cumplicidade em campo com a pérola Kylian Mbappé, a ponto de publicar fotos com o jovem francês durante partida contra o Lyon. Já Cavani não aparece em nenhuma destas publicações.

Mario Balotelli (Nice), famoso pelo ego inflado, publicou foto com a manchete do jornal L'Équipe nas redes sociais. A imagem indica o confronto entre Cavani e Neymar, mas o atacante italiano aconselhou o brasileiro a "nem sequer pedir para bater (os pênaltis)".

- Virada e rancor -

Neymar foi alçado a uma nova dimensão na última janela de transferências. O jogador se tornou a venda mais cara da história, depois do PSG desembolsar 222 milhões de euros para tirá-lo do Barcelona.

Ao ser apresentado pelo presidente Nasser Al-Khelaïfi como "o melhor jogador do mundo", o clube parisiense demonstrou vontade de ajudar o atacante a conquistar a Bola de Ouro.

A chegada foi bem diferente de quando foi anunciado pelo ao Barcelona, em 2013, para aprender do ídolo Messi. E ao lado do argentino e do uruguaio Luis Suárez, formando o trio MSN, Neymar demonstrou excelente futebol.

Em 2015, o então técnico do Barcelona, Luis Enrique, explicou que os três atacantes se ajudavam para cada um marcar seu gol nos jogos: "têm cumplicidade e sem o gol a festa não seria completa para eles".

Messi era o batedor oficial de pênaltis do Barça, mas com frequência deixava Neymar cobrar quando precisava de confiança. Isso ajudou o craque brasileiro a se distanciar da etiqueta de "menino mimado".

A imprensa espanhola, no entanto, informou que Neymar decidiu deixar o Barcelona no dia seguinte da histórica virada contra o PSG, depois de vencer por 6 a 1 nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

O brasileiro foi o herói do jogo e o protagonista da goleada. Mas no dia seguinte jornais catalães estampavam fotos de Messi como um deus sob o carinho dos torcedores.

O fato pode ter despertado mais uma vez o monstro adormecido de Neymar.

* AFP

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