Joinvilense dá aulas gratuitas de jiu-jítsu para 85 crianças e adolescentes - Esportes - A Notícia

Versão mobile

Joinville Que Queremos15/09/2017 | 07h30Atualizada em 15/09/2017 | 08h32

Joinvilense dá aulas gratuitas de jiu-jítsu para 85 crianças e adolescentes

Bruno César Cândido da Silva treina às terças e quintas-feiras na quadra da Escola Municipal Professora Elizabeth von Dreifuss, no bairro Morro do Meio

Joinvilense dá aulas gratuitas de jiu-jítsu para 85 crianças e adolescentes Maykon Lammerhirt/A Notícia
Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia
Alex Sander Magdyel
Alex Sander Magdyel

alex.cardoso@somosnsc.com.br

Apostando no esporte como meio para afastar as crianças e adolescentes do mundo do crime, o joinvilense Bruno César Cândido da Silva, de 27 anos, conta orgulhoso sobre o projeto social que coordena no bairro Morro do Meio, na zona Oeste de Joinville. Desde 2015, o faixa-roxa dá aulas gratuitas de jiu-jítsu para crianças e adolescentes que estudam em escolas públicas da cidade. 

Às terças e quintas-feiras, o tatame é montado na quadra da Escola Municipal Professora Elizabeth von Dreifuss, colégio que cede o espaço para as aulas do Projeto Social Nova União desde o início de 2017. Antes de se mudarem para ali, os alunos faziam as aulas no pátio da Igreja Nossa Senhora do Caravaggio, que agora está em reforma. A primeira sede foi oferecida por um padre quando Bruno procurava parceiros para colocar em prática a ideia que teve após perceber a quantidade de jovens que queriam praticar a arte marcial, mas que não tinham condições financeiras. 

Leia as últimas notícias de Joinville e região

O fechamento da academia em que era instrutor foi o estopim para Bruno colocar seu plano em ação. O projeto é ligado à equipe de jiu-jítsu Nova União, que tem três iniciativas com o mesmo formato nos bairros Rio Bonito, Centro e Nova Brasília. O projeto no Morro do Meio, segundo Bruno, foi o primeiro a oferecer aulas gratuitas na cidade. 

– É na rua que eles aprendem as coisas erradas. Pensei comigo: ‘Eu preciso fazer alguma coisa para tirar essas crianças do mundo das drogas e sem cobrar nada por isso’. É mais gratificante quando se faz de coração. Eu acredito que o jiu-jítsu, o esporte em geral, é capaz de mudar a vida das crianças. Dou tudo o que eu tenho para esse projeto – diz Bruno, que sonha com o jiu-jítsu fazendo parte do currículo escolar.

Confira mais resportagens do Joinville Que Queremos

Além de afastar as crianças das “coisas erradas”, o instrutor sugere que os pais matriculem suas filhas em aulas de jiu-jítsu para que elas possam se defender de possíveis ataques violentos. Metade da turma é formada por garotas, conta o professor. Bruno defende que toda criança deve praticar algum tipo de esporte. Paralelamente ao projeto, ele acompanha o desempenho escolar de seus alunos. Faz reuniões com os pais, pede para ver os boletins e envia um formulário para os professores.

Mais responsabilidade


O pequeno Ederson Teles, de 11 anos, que já faz aula com o professor Bruno há cerca de dois anos, confirma que o professor é bastante exigente. 

– Ele é legal, mas às vezes tem que brigar com alguns que fazem bagunça. Ele ensina bem – conta Ederson, que é faixa-cinza. 

 JOINVILLE, SC, BRASIL (08-09-2017) - Ederson Teles durante aula de Jiu Jitsu para crianças no bairro Morro do Meio(Foto: Maykon Lammerhirt, A Notícia)
Mãe de Ederson Teles (em destaque na foto) diz que filho melhorou seu desemprenho escolar após iniciar as aulas de jiu-jítsuFoto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

Jaqueline Luciene Emidio, de 44 anos, mãe de Ederson, lembra que tudo começou quando seu filho ficou sabendo do projeto por um amigo. A mãe diz que o filho se convenceu de que queria mesmo lutar logo no primeiro dia de aula. Ela conta que também recebe um formulário para preencher e informar sobre o comportamento de seu filho em casa.

– Desde que começou, ele está mais responsável. O Ederson melhorou bastante na escola. Tem que ter nota boa, o Bruno cobra. As crianças estão melhorando. O projeto é muito bom – diz a mãe, que teve como única despesa a compra do quimono.

“Hoje eu sou outra pessoa”


Hoje, conforme o instrutor, são 85 alunos beneficiados pelo projeto. O professor divide os alunos em duas turmas, de acordo com a faixa etária: kids (de 4 a 13 anos) e juvenil (14 a 17 anos). 

O caráter solidário, acredita Bruno, é herança de sua avó materna, de 83 anos. Ele se acha muito parecido com ela, que sempre ajudou as pessoas. O jovem é dono de uma lanchonete na rua Minas Gerais, onde mora com a esposa e dois filhos, uma menina de 14 anos e um menino de 12, que também treinam com o pai. Ele conta que começou a treinar jiu-jítsu em 2011. 

A Joinville Que Queremos depende de cada um de nós. Quer contar sua história? Que tal ajudar Joinville a ser uma cidade ainda melhor? Entre em contato com a gente!

– Comecei a treinar porque sempre gostei de artes marciais, mas apenas para a autodefesa, não tinha a intenção de dar aula. Foi tão apaixonante, que me tornei uma pessoa com mais disciplina, com mais respeito ao próximo. Hoje eu sou outra pessoa. Encontrei minha paz interior – revela.

Bruno conta com a parceria de seu mestre, Henrique Pelé Marcos, faixa-preta responsável pelo projeto. Além de contar com o voluntariado de Bruno e Henrique, o Projeto Social Nova União é mantido por meio de doações de parceiros, apoios pontuais da Secretaria de Esportes (Sesporte) e eventos beneficentes.

JOINVILLE, SC, BRASIL (08-09-2017) - Bruno César Candido da Silva fundador do projeto social Nova União que oferece aula de Jiu Jitsu para crianças de escolas publicas no bairro Morro do Meio(Foto: Maykon Lammerhirt, A Notícia)
Bruno César Cândido da Silva aposta no esporte como alternativa para afastar crianças do mundo do crimeFoto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

Quem quiser contribuir com o projeto pode entrar em contato com Bruno pelo telefone (47) 98868-0086. Interessados em participar do projeto devem comparecer no local das aulas, na rua Minas Gerais, 5876, no bairro Morro do Meio, às terças e quintas-feiras, a partir das 20 horas. A prioridade é para crianças e adolescentes que morem nos bairros Morro do Meio e Nova Brasília. Os jovens precisam estar matriculados em escolas públicas.


A Notícia
Busca