Rodrigo Faraco: conceito de jogo x resultado, futebol feio x futebol bonito - Esportes - A Notícia

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Comparação15/07/2017 | 10h05Atualizada em 15/07/2017 | 10h05

Rodrigo Faraco: conceito de jogo x resultado, futebol feio x futebol bonito

Análise do momento do futebol brasileiro no momento

Rodrigo Faraco: conceito de jogo x resultado, futebol feio x futebol bonito MARCO GALVÃO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto: MARCO GALVÃO / FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A semana foi dura para os fãs do futebol jogado com construção de jogo e bola no pé, envolvimento. Nos dois principais jogos do Brasileirão, o que valeu foi a destruição e o contra-ataque. O Corinthians venceu o Palmeiras finalizando apenas três vezes durante a partida. Fez dois gols. Teve apenas 39% de posse de bola. O Corinthians é o líder disparado do Brasileirão. É um time muito bem treinado e muito eficiente, mas joga um futebol feio. 

O Grêmio, que joga bonito, com toque de bola e muito envolvimento, resolveu copiar o Corinthians na partida de quinta, contra o Flamengo. Os números são muito parecidos. O Grêmio chutou apenas quatro vezes. Fez um gol e venceu o jogo. O Flamengo teve 56% de posse de bola, finalizou 21 vezes e perdeu o jogo. O Grêmio foi eficiente, como o Corinthians vem sendo, mas deixou o chamado ¿jogo bonito¿ de lado. Jogou feio e objetivo.

 Aqui, a análise é sobre duas coisas diferentes. Uma coisa é o conceito de jogo. Outra coisa é o resultado. Particularmente, nunca fui fã deste conceito de jogo em que o time só destrói e não quer saber da bola. Mas sempre é preciso admitir – já usei esta frase várias vezes – que o futebol não se joga de um jeito só. E a eficiência do Corinthians, que joga feio, é incontestável.

Reflexos

O problema do futebol Brasileiro ter um campeão jogando como o Leicester, no título da temporada passada na Inglaterra, é o reflexo que isso vai trazer. A leitura geralmente tende a ser: esqueçam a qualidade e essa história de jogar bonito e vamos jogar só pelo resultado, com volante marcadores e bico pra tudo que é lado. Não é que o Corinthians jogue assim, mas a discussão pode ser reduzida a isto, como já foi outras vezes. 

Como em 1982, quando muitos chegaram à conclusão que não adiantava jogar com Sócrates, Cerezo, Falcão e Zico. Telê colocou Elzo e Alemão em 1986. Como se a Itália, que venceu em 82, não tivesse qualidade. Tinha muito – o time era recheado de talentos. O que tem que ficar como reflexo maior dessa campanha do Corinthians é o exemplo da organização. 

Repito que o futebol se joga de diversas formas, mas para vencer é preciso, em qualquer modelo/conceito de jogo, ter qualidade, inteligência de jogo e organização – tudo que o Corinthians alia neste momento. 


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