Amistosos na Ásia valem a pena para clubes europeus? - Esportes - A Notícia

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Xangai21/07/2017 | 15h34

Amistosos na Ásia valem a pena para clubes europeus?

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Campo em péssimo estado, em Hong Kong, partida suspensa na última hora, em Pequim, e intoxicação alimentar que afetou vários jogadores do Arsenal, em Xangai, são exemplos que colocam em dúvida se as turnês de pré-temporada dos clubes europeus na Ásia valem a pena.

"É uma boa pergunta", respondeu o francês Arsène Wenger na última quarta-feira, depois de vários jogadores sofrerem intoxicação antes do jogo contra o Bayern de Munique.

"Se vocês se referirem ao ideal de preparação física, eu diria que não", acrescentou o treinador do Arsenal, a menos de um mês para o início da Premier League.

Mas o objetivo destas viagens, organizadas por potências europeias como Arsenal, Chelsea, Liverpool, Milan, Inter de Milão e Bayern de Munique, é fazer caixa e ampliar mercados.

"Temos outras vantagens, porque nos permite estar em contato com nossos torcedores em outros lugares do mundo e favorecer a coesão da equipe. Não deixam de ser duas semanas de convivência", avaliou Wenger.

Ainda assim, alguns pontos continuam sendo grandes inconvenientes, como o calor sufocante, chuvas torrenciais e intermináveis viagens de avião.

Após disputar dois jogos no inverno da Austrália, os Gunners ficaram atordoados ao chegar aos 38º C de Xangai.

- "Campo assassino" -

O técnico português José Mourinho não guarda boas lembranças de Pequim. Na temporada passada, o clássico entre Manchester United e Manchester City seria disputado no Ninho do Pássaro - estádio olímpico da cidade-, mas foi adiado poucas horas antes da bola rolar por conta do mau estado do gramado.

"Mou" disse na época que seu único objetivo era levar os jogadores inteiros de volta pra casa.

Em Hong Kong, onde Liverpool, West Bromwich Albion, Leicester e Crystal Palace disputam o "Troféu Premier League na Ásia", o técnico alemão Jürgen Klopp reclamou das chuvas torrenciais que atingem a cidade, com índice umidade próximo aos 100% e altos níveis de contaminação.

As condições meteorológicas obrigaram o técnico dos Reds a suspender sessões de treinamentos. Klopp também se mostrou inquieto pelo estado do gramado do 'Hong Kong Stadium', com capacidade para 40.000 pessoas.

Em 2013, o então treinador do Sunderland, Paolo di Canio, falou que o estádio tinha um "campo assassino". Já o português André Villas-Boas, treinador do Tottenham na época, ameaçou tirar o time do jogo para evitar lesões, depois de Jan Vertonghen machucar o tornozelo.

Assim como Wenger e Mourinho, Klopp destaca o valor comercial destas turnês de pré-temporada, mas acrescenta que seu trabalho vai ser avaliado pelo resultado esportivo do time, e não pelo resultado financeiro.

"Sou técnico de futebol. É o jogo o que me interessa, a qualidade do jogo, e muitos fatores influenciam nessa qualidade", explicou o alemão aos jornalistas em Hong Kong, fazendo referência à qualidade do gramado.

"Efetivamente, há quatro anos dissemos que não voltaríamos a organizar o campeonato", reconheceu o diretor executivo da liga inglesa, Richard Scudamore. No entanto, o dinheiro voltou a desequilibrar a balança e a atrair os gigantes europeus ao continente.

* AFP

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