Em Chapecó, a maior dor está por vir com a chegada dos corpos das vítimas - Esportes - A Notícia

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Desastre aéreo02/12/2016 | 00h31Atualizada em 02/12/2016 | 00h37

Em Chapecó, a maior dor está por vir com a chegada dos corpos das vítimas

Cenário no Bar do Boca reflete como Chapecó está lidando com a maior dor que já sentiu

Em Chapecó, a maior dor está por vir com a chegada dos corpos das vítimas Marco Favero/Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Nesta quinta-feira seria dia de movimento no Bar do Boca, um dos pontos de encontro da torcida da Chapecoense. Um bom resultado diante do Atlético Nacional na primeira partida da final da Copa Sul-Americana, que ocorreria na quarta-feira em Medellín, faria brindes serem erguidos na expectativa da conquista do título. Um placar adverso provocaria debates sobre como o time deveria atuar para revertê-lo no jogo de volta, previsto para a semana que vem, em Curitiba. Mas nas poucas mesas ocupadas no estabelecimento na Avenida Getúlio Vargas, a principal da cidade do Oeste, a cerveja descia mais amarga do que de costume para os frequentadores, ainda incrédulos com a queda do avião que dizimou a equipe que tanto orgulho lhes dava.                        
 
— O choque inicial está passando. Duro mesmo vai ser quando os corpos chegarem — diz o proprietário do bar, Osmar Boca Carasek, 46 anos.                        
Torcedor do Internacional, ele montou o negócio em 2000, de olho no grande número de simpatizantes do colorado gaúcho que vivem na região. Na época, a Chapecoense limitava-se a disputar o Campeonato Catarinense, entre janeiro e maio, e depois ficava o resto do ano sem participar de competições importantes.

A escalada do time pelas séries nacionais – da D para a A em apenas seis temporadas – obrigou uma mudança de perfil. Pelo menos desde 2009, o verde está tão ou mais presente do que o vermelho no Bar do Boca. Inclusive na camisa envergada pelo dono, um modelo vintage de 1979 da equipe local.                        
O cenário no Bar do Boca reflete como Chapecó está lidando com a maior dor que já sentiu. Três dias após a tragédia, a cidade tenta tirar forças sabe-se lá de onde para retomar a rotina – embora todos suspeitem que ela nunca mais será a mesma. Em algumas escolas as aulas já voltaram e o comércio teve expediente normal. No entanto, os sinais de luto são onipresentes. Da mais modesta loja à requintada loja de departamentos, passando por monumentos públicos, não há lugar sem algum escudo, bandeira ou faixa da Chapecoense envoltas em laços pretos.        
                
A praça em frente à Catedral, toda decorada com motivos natalinos, está deserta. Todas as festividades de final de ano foram canceladas. Na rótula do cruzamento da Getúlio Vargas com a Quintino Bocaiúva, uma espécie de totem agradecendo os torcedores pelo grande ano que a Chapecoense vinha tendo, com uma foto do goleiro Danilo erguendo as mãos para o céu, ganhou a companhia de uma pequena cruz de madeira e um cartaz com a inscrição: ¿Nas alegrias e nas horas mais difíceis, meu Furacão, tu é (sic) sempre vencedor¿. O processo é lento porque o baque foi forte – e, conforme atesta Boca, será ainda maior com a chegada dos corpos das vítimas, prevista para sábado de manhã.

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