Conheça a trajetória de Mário Sérgio, o meia habilidoso que conquistou gremistas e colorados - Esportes - A Notícia

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Luto29/11/2016 | 16h10Atualizada em 29/11/2016 | 20h25

Conheça a trajetória de Mário Sérgio, o meia habilidoso que conquistou gremistas e colorados

Jogador foi campeão brasileiro pelo Inter e mundial pelo Grêmio

Conheça a trajetória de Mário Sérgio, o meia habilidoso que conquistou gremistas e colorados Emílio Pedroso/Agencia RBS
Foto: Emílio Pedroso / Agencia RBS

Foi-se a perna esquerda habilidosa, a língua afiada, o temperamento genioso e o amigo leal. O acidente que vitimou a delegação da Chapecoense levou, também, um dos mais ricos personagens e talentos mais brilhantes da história do futebol brasileiro. Um dos poucos a conquistar o coração de torcedores gremistas e colorados, Mário Sérgio Pontes de Paiva, o meia genial, técnico competente e comentarista sem papas na língua, morreu aos 66 anos.

O futsal ajudou a forjar o drible curto que Valdir Espinosa, aos prantos, relembrou ao falar sobre a morte do amigo.

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— Ele precisava só de um palmo de campo para resolver — disse o diretor e ex-técnico do Grêmio.

No Fluminense, ainda criança, o carioca iniciou a trajetória nas quadras. A carreira nos campos arrancou no rival Flamengo, a partir de 1969. O jovem já mostrava sinais de talento e rebeldia. Na época, desentendimentos com o técnico Yustrich dificultaram sua ascensão. Em 1971, foi para o Vitória.

Foi na Bahia que virou destaque. Com sequência de jogos, apareceu a perna esquerda que disparava lançamentos precisos e ludibriava marcadores com dribles desconcertantes. Por fazer algo que, décadas depois, tornou-se marca de Ronaldinho, ganhou o apelido de Vesgo: costumava dar passes para um lado enquanto olhava para o outro. Jogou tanto que teve reconhecimento nacional, algo raro à época para jogadores de fora do eixo Rio-São Paulo.

No Vitória, foi companheiro de Espinosa, que até hoje é grato pela recepção do craque. Lembra que, ao chegar a Salvador, foi "retirado" por Mário do hotel em que estava para que os dois morassem juntos.

De volta ao Rio, integrou a "Máquina Tricolor" do Fluminense ao lado de craques como Rivellino, Paulo César Caju e Carlos Alberto Torres. Passou também pelo Botafogo e pelo Rosario Central, até chegar ao Inter para se consagrar em 1979.

Paulo Roberto Falcão lembra que bateu pé com os dirigentes da época para contratá-lo. Havia o temor de que o temperamento difícil contaminasse o vestiário, mas Falcão tinha convicção de que o time precisava daquele talento:

— Eu lembro que eu disse que o Mário só faz confusão com as pessoas que não o tratam bem, o desrespeitam e não cumprem o que está combinado com ele. Ele veio e foi de um comportamento exemplar. Puxava fila nos treinos físicos.

No time do histórico tricampeonato brasileiro invicto, tornou-se parte importante do brilhante meio-campo que contava com, além de Falcão, Batista e Jair.

— Mário Sérgio foi o jogador mais habilidoso que conheci — comentou Falcão.

No Beira-Rio, ainda foi à final da Libertadores de 1980 e, após a saída de Falcão para a Roma, tornou-se o principal jogador do time. Naquele ano, voltou a vencer a Bola de Prata, assim como em 1981.

Em 1983, quando o amigo Valdir Espinosa, então técnico, quis trazê-lo para o Grêmio, já estava na Ponte Preta. Espinosa recebeu dos dirigentes a mesma desconfiança que antecedeu a contratação pelo Inter. Mas insistiu. O Grêmio já era campeão da Libertadores e sabia que teria pela frente o Hamburgo no Mundial de Clubes. A técnica e habilidade de Mário seriam, na visão de Espinosa, um contraponto importante à força física dos europeus. Não deu outra. No Japão, foi um dos destaques da decisão em que Renato brilhou com os dois gols da vitória por 2 a 1.

Depois do Mundial, retornou ao Inter e foi protagonista de uma cena inusitada. No "Gre-Nal das Faixas", em que o Grêmio recebeu as faixas de campeão do mundo de 1983, e o Inter, as de campeão gaúcho de 1984, foi premiado duas vezes.

A carreira de jogador se aproximou do fim nas passagens por Palmeiras, Botafogo-SP e Bellinzona, da Suíça, e se encerrou no Bahia em 1987. Dali, Mário trocou os campos por períodos intermitentes nas casamatas e à frente dos microfones. Treinou clubes grandes como Corinthians e São Paulo, atuou como executivo do Grêmio em 2005 e foi vice-campeão brasileiro como técnico do Inter em 2009. Como comentarista, passou pela TV Bandeirantes, SporTV e Fox Sports, em que estava escalado para comentar a decisão da Sul-Americana.

Deixa três filhos e uma neta, além de um séquito de amigos que conquistou com sua lealdade.

— Ele era um louco, mas louco de inteligente. Louco de vivo. Louco de amigo — resumiu Falcão.

* ZH Esportes

 
 
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