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Catarinense06/05/2016 | 07h01

Em Chapecó, Joinville se reencontra com o fantasma de decisão de 1996

Há vinte anos, final entre JEC e Chapecoense ficou marcada por um foguetório polêmico

Em Chapecó, Joinville se reencontra com o fantasma de decisão de 1996 Salmo Duarte/Agencia RBS
O Joinville se recusou a entrar em campo e o caso foi parar na justiça Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Vinte anos se passaram, mas uma decisão entre Joinville e Chapecoense, com o segundo jogo sendo disputado no Oeste do Estado, reabre algumas feridas mal cicatrizadas no Tricolor. Isso porque, há exatamente duas décadas, os dois times se encontraram em uma polêmica final de Campeonato Catarinense, em um episódio que traz péssimas lembranças para jogadores e torcedores do JEC.

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Ao contrário do confronto deste ano, quando a maioria dos prognósticos aponta o Verdão como o campeão, foi o Tricolor que chegou com o favoritismo ao seu lado na finalíssima de 1996. No jogo de ida, no Ernestão, a vitória por 2 a 0 do JEC deu ainda mais vantagem para o time dirigido por Raffaele Graniti, que precisava de apenas um empate no Estádio Índio Condá para ficar com o troféu.

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A polêmica aconteceu horas antes do jogo, que seria disputado na tarde de sábado, 13 de julho daquele ano. Se o Joinville era o favorito, alguns torcedores do Alviverde tratariam de deixar as duas equipes em pé de igualdade na marra: a partir da meia-noite de sexta para sábado, um foguetório nas imediações do Hotel Bertaso – na região central de Chapecó, onde o JEC se hospedava – tirou a paz do Tricolor. Jogadores e comissão técnico não conseguiram dormir.

– Todo mundo foi para o corredor do hotel, tinha muita gente. Ficamos todos esperando aquilo passar. A maioria dos atletas não dormiu, foi direto para o café da manhã. Ninguém aguentaria dormir depois daquilo, pois foi muito pesado o foguetório – recorda o atacante Marcos Paulo, artilheiro daquele Catarinense pelo JEC.

As “cenas de guerra”, como muitas testemunhas definem aquele ato, duraram mais de três horas. A partir da meia-noite, como conta a matéria de “A Notícia” publicada em 14 de julho, as baterias de foguetes estouravam de dez em dez minutos. A partir das 2 horas, era de meia em meia hora. Uma funcionária do hotel chegou a ficar ferida por estilhaços de vidro.

Por temer pela segurança física de seus atletas e preocupado com as condições emocionais do time, o presidente Vilson Florêncio decidiu, em acordo com diretores, comissão técnica e jogadores, não ir a campo naquele dia. Na manhã de sábado, a delegação entrou no ônibus e iniciou a viagem de volta a Joinville. Durante a tarde, o árbitro Dalmo Bozzano cumpriu os rituais da partida e declarou o JEC como equipe desistente. O caso foi parar nos tribunais.

Depois de correr nas instâncias da Justiça Desportiva, uma nova final foi marcada para 18 de dezembro. O Joinville já não era mais tão favorito quanto antes, o que ficou comprovado em campo. A Chapecoense venceu por 1 a 0 no tempo normal e repetiu o placar na prorrogação, confirmando a conquista do título.

Ao JEC, permanece, até hoje, a pergunta se aquele time poderia ser campeão se tivesse optado por jogar, apesar do cansaço. Uma dúvida que tem pouca importância. Para a história, ficou registrado que a Chapecoense é a verdadeira campeã daquele Estadual.

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