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Mais um problema26/11/2013 | 00h31

Lima, atacante do JEC, deve ir a júri popular por crime de aborto

Atleta e namorada são investigados devido a um caso que aconteceu em 2011

Lima, atacante do JEC, deve ir a júri popular por crime de aborto Leo Munhoz/Agencia RBS
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS
O atacante Lima, maior artilheiro da história do Joinville, deve ser levado ao banco dos réus pelo crime de aborto. Em uma decisão publicada nesta segunda-feira pela juíza da 1ª Vara Criminal de Joinville, Karen Francis Schubert Reimer, foi determinado que ele e a namorada, Thais Helena de Oliveira, sejam levados a júri popular em data ainda a ser confirmada.

Ambos foram denunciados pelo Ministério Público pela prática de um aborto provocado em 2011. Além do aborto, Lima ainda responde por deixar de prestar assistência "à criança abandonada ou extraviada". O julgamento de casos envolvendo aborto é decidido em júri popular por se tratar de crime contra a vida, assim como ocorre em homicídios e tentativas de homicídio. A pena prevista para o caso envolvendo a dupla (artigo 124 do Código Penal) varia de um a três anos de detenção.

Conforme a denúncia do MP, "após a ré Thais receber de Lima quatro comprimidos Citotec, dirigiram-se ambos para o apartamento dele, com o propósito de interromperem a indesejada gravidez". Lá, segundo a denúncia, Thais foi auxiliada pelo jogador para utilizar o medicamento, "não se consumando o aborto por circunstâncias alheias às vontades dos denunciados".

Mas, com base em depoimentos e em uma ultrassonografia obstétrica, a promotoria confirmou que a gravidez foi interrompida em um segundo momento.

– Existem indícios para se concluir, ao menos nessa fase processual, que existe possível intenção de prática de crime contra a vida – anotou a juíza.

A investigação

Em depoimento, o delegado Adriano Bini, responsável pelas investigações, informou que chegou até o casal quando investigava a venda de medicamentos abortivos conhecidos como Citotec (abortivo de venda proibida). Ao obter um documento de compra e venda dos remédios, a investigação passou a tentar identificar as gestantes.

Foi quando, conforme o delegado, a mãe de Thais prestou depoimento afirmando que a jovem praticou aborto sob coação do jogador. As investigações, então, foram juntadas. Depois, contou o delegado, o nome de Lima foi encontrado no caderno das pessoas presas por venderem o remédio.

Por decisão da juíza, Lima e Thais poderão recorrer da decisão em liberdade. Caso uma eventual apelação em segunda instância não seja acatada, o júri poderá ser marcado.

Contrapontos
A defesa de Lima

"A Notícia" tentou contato com o advogado de Lima, Eduardo Antonio da Silva, na noite desta segunda-feira. Mas o único contato informado pelo cadastro dele na OAB era um telefone fixo e não houve retorno. Em depoimento à Justiça, Lima alegou que Thais sofreu um aborto espontâneo e tentou lhe prejudicar com a versão do aborto provocado para que fosse preso. O jogador negou todos os fatos narrados na denúncia. Procurado pela reportagem, o presidente do JEC, Nereu Martinelli, informou que o clube não irá se manifestar sobre problemas pessoais do atleta.

A defesa de Thais

Procurado pela reportagem, o advogado Edemilson da Silva, cadastrado como defensor de Thais no processo, informou que não cuida mais do caso. Um segundo advogado de Thais, Rodrigo Ortiz dos Santos, também não foi localizado. Somente um telefone fixo era informado no cadastro dele na OAB. À Justiça, Thais Helena de Oliveira alegou que sofreu um aborto espontâneo, ficou muito triste e não queria assumir a culpa sozinha por ter perdido seu filho. Por isso, fez as declarações contidas no processo, porque queria colocar toda a culpa no atleta.

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