Sindicatos de Joinville têm queda de arrecadação após fim do imposto sindical obrigatório - Economia - A Notícia

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Reforma trabalhista12/11/2018 | 11h25Atualizada em 12/11/2018 | 11h25

Sindicatos de Joinville têm queda de arrecadação após fim do imposto sindical obrigatório

Um ano após alterações nas relações de trabalho, sindicatos dos trabalhadores de quatro categorias buscam alternativas para manter receita e atividade plena

Sindicatos de Joinville têm queda de arrecadação após fim do imposto sindical obrigatório Ministério do Trabalho/Divulgação
Alterações em vigor depois da Reforma trabalhista completaram um ano no domingo (11) Foto: Ministério do Trabalho / Divulgação

As alterações nas relações de trabalho provocadas pela reforma trabalhista, que completou um ano neste domingo (11), vão além da queda de 35% no volume de processos na Justiça do Trabalho, em Joinville. Para os sindicados dos trabalhadores das categorias mais representativas do município, com o fim do imposto sindical obrigatório a queda na geração de receita pesa no orçamento e vem exigindo mudanças na forma de arrecadação.

Quatro dos maiores sindicatos laborais de Joinville, que juntos representam um contingente de 47 mil trabalhadores, continuam com atuação forte, mas confirmam queda de arrecadação devido ao fim da contribuição sindical obrigatória. De acordo com os sindicatos dos setores Mecânico, do plástico, metalúrgico e da construção civil, medidas alternativas estão sendo tomadas e pensadas para manter a entidade em atividade plena.

Apesar desse desafio, no campo político algumas mudanças são vistas como oportunidade de melhora nas condições de negociação dos sindicatos dos trabalhadores com os representantes patronais.

A reportagem de A Notícia ouviu os sindicatos e reuniu abaixo a avaliação sobre o fim do imposto sindical obrigatório em cada segmento, confira:

MECÂNICO

Entidade: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região (SindMecânicos)

Representação: 12 mil trabalhadores nas cidades de Joinville, Garuva, Campo Alegre, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Barra Velha e Mafra.

Situação: Para o presidente do sindicato, Evangelista dos Santos, a reforma trabalhista flexibilizou alguns pontos que podem representar problema, em especial, para os trabalhadores e não para os sindicatos O crescimento do trabalho informal é tido como um deles, por não garantir benefícios ao prestador de serviços. Já para a instituição houve impacto financeiro, porque cerca de 40% da receita vinha das contribuições e esse saldo diminuiu. No entanto, o SindMecânicos considera ter reserva e patrimônio que garantem sobrevivência.

Além disso, o sindicato considera que politicamente as alterações não abalaram as entidades sindicais representativas. O entendimento é de que o enfraquecimento na questão financeira exige que se trabalhe mais em prol da instituição e tende a aumentar a organização de classe. “Nas convenções coletivas o olhar jurídico e técnico vem com mais força. Então, quando o sindicato vai para a mesa de negociação ele tem mais autonomia para discutir questões que antes não eram discutidas, e, de igual para igual com os sindicatos patronais, sem deixar retirar direitos dos trabalhadores”, avalia Santos. Em contrapartida, segundo ele, os sindicatos não representativos acabam enfraquecidos nas negociações e a tendência é que percam força e corram o risco de perder direitos em eventuais negociações como reajuste salarial e abonos.

PLÁSTICO

Entidade: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Material Plástico de Joinville e Região (Sindplasjlle).

Representação: 10 mil trabalhadores nas cidades de Joinville, Barra Velha, Balneário Barra do Sul, Balneário Piçarras, Araquari, Garuva, São Francisco do Sul e Itapoá.

Situação: O diretor de negociação coletiva do Sindplasjlle, Antônio Borinelli, segue a mesma premissa do ônus e bônus e afirma que na questão financeira os sindicatos dos trabalhadores ficaram enfraquecidos, mas na questão política a reforma de certa forma deu mais poderes aos sindicatos. “Nas questões de negociação pode haver avanços e vamos continuar defendendo os associados e sentimos até tendência de aumento. Porém, o trabalhador tem que se conscientizar de que foi ele o maior prejudicado, porque individualmente é muito difícil ele negociar algum beneficio”, diz.

O sindicato local abarcava 60% do total das contribuições (outros 40% eram divididos em outras esferas), valor que rendia em torno de R$ 400 mil/ano à entidade. O balanço deste ano ainda não foi feito, mas já há indicativo de queda nessa arrecadação. Os rendimentos atuais vêm das mensalidades e da prestação de serviços, como negociação coletiva, defesa dos direitos e fiscalização do cumprimento da lei e do acordo coletivo acordado entre patrões e os empregados associados.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Entidade: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Joinville (SITICOM).

Representação: 6 a 7 mil trabalhadores nas cidades de Joinville, São Francisco do Sul, Balneário Barra do Sul e Araquari.

Situação: Conforme Paulo Sérgio Barbosa, vice-presidente do sindicato, o SITICOM iniciou um trabalho diferenciado que visa conscientizar os membros da categoria da importância de fortalecerem a entidade representativa. A medida é uma ação de resposta à queda na arrecadação do SITICOM depois do fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. “A rotatividade na área é grande e isso dificulta a atração de novos sócios, hoje o sindicato se mantém com a “graxa” dos recursos conquistados nos anos anteriores. A arrecadação desabou e não havendo mudanças há riscos para a manutenção da entidade”, reconhece.

METALÚRGICO

Entidade: Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos na Indústria do Material Elétrico de Joinville.

Representação: 18 mil trabalhadores na cidade de Joinville.

Situação: Rodolfo de Ramos, presidente do sindicato, afirma que 35% das receitas da entidade vinham do imposto sindical e, neste ano, esse percentual praticamente zerou. Apesar da queda, os trabalhos foram mantidos sem perdas, uma vez que parte importante das receitas é gerada pela contribuição de 4,5 mil associados ativos da instituição. Esses colaboradores pagam taxa de mensalidade no valor de R$ 18, além de uma taxa de negocial de 3% dos rendimentos. Essa última foi reajustada para 5% neste ano (com amplo direito de manifestação) - elevando de 25% para cerca de 30% a participação do quesito na arrecadação. Outra mudança se deu no fim da entrega de prêmios para os associados, que eram entregues como uma espécie de devolução de parte do imposto sindical (30%), e o fim do custeio único de um jantar dançante promovido pelo sindicato, agora compartilhado entre os participantes. O Sindicato dos Metalúrgicos não considera que as novas regras tenham aumentado o poder de barganha em rodadas de negociação com o sindicato patronal.

 

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