Especialistas mostram os potenciais das criptomoedas e novas tecnologias digitais nos negócios   - Economia - A Notícia

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Expogestão 201809/05/2018 | 16h27Atualizada em 09/05/2018 | 18h24

Especialistas mostram os potenciais das criptomoedas e novas tecnologias digitais nos negócios  

O painel desta quarta-feira trouxe os especialistas Fernando Ulrich e Oliver Cunningham para falarem sobre transformação digital e novos modelos de negócios

Especialistas mostram os potenciais das criptomoedas e novas tecnologias digitais nos negócios   Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

A transformação digital e os novos modelos de negócios ficaram em evidência no segundo dia da Expogestão 2018, na tarde desta quarta-feira (09), em Joinville. Em um painel que reuniu Fernando Ulrich, especialista em criptomoedas do Grupo XP, e Oliver Cunningham, sócio de Estratégia e Operações de serviços financeiros da KPMG, foram abordados temas com ampla margem de discussão e que despertam a curiosidade de quem visa pegar carona nas revoluções tecnológicas que se apresentam para o futuro.

Ao longo de quase duas horas de bate-papo, com direito a perguntas dos congressistas, os convidados apresentaram um panorama das transformações advindas das novas tecnologias, o futuro do trabalho e das profissões, robótica, inteligência artificial, blockchain, moedas digitais e os novos mapas mentais. Tudo isso para chegar a um denominador comum: os impactos nos negócios.

Em sua explanação, Fernando Ulrich, trouxe ao centro do debate as "Moedas Digitais – a democratização da inovação", explicando o que essa novidade no mundo corporativo pode representar para a economia e o mercado empresarial. Defensor das potencialidades das criptomoedas, o especialista destacou que a própria criação da internet despertava desconfiança, assim como a criação das moedas digitais. No entanto, afirma que grandes empresas mundiais já atuam puramente com modelo de negócio digital e as transações por meio dessa tecnologia são seguras e ainda possuem espaços a serem explorados.

Fernando Ulrich palestra na Expogestão 2018 em Joinville
O especialista em criptomoedas do Grupo XP, Fernando UlrichFoto: Salmo Duarte / A Notícia

— A criptomoeda é uma grande inovação, sem precedentes, a mais importante desde a criação da internet. Se tratássemos a internet hoje como um correio eletrônico seria subestimar a rede, mas lá atrás isso não estava tão claro e não se sabia de que forma ela ia perturbar os mercados já estabelecidos. Vários negócios foram possibilitados, que não eram imaginados. A criptomoeda está num estágio parecido e novos modelos de negócios. É a inovação mais importante desse milênio e vai impactar toda a sociedade e a economia — acredita.

Para ilustrar as potencialidades de sua fórmula, ele aponta para alguns conceitos básicos. O primeiro, sua utilização como ativo digital que vai além de um sistema de pagamento; o segundo, a ideia de descentralização política em que as transações são possíveis sem a existência de um regulador central, ela é feita "entre iguais".

— Pela primeira vez é possível alcançar a confiança entre atores completamente desconhecidos, porque o sistema é desenhado de tal forma que as regras incentivam o comportamento honesto. Em nove anos nenhum caso de fraude foi reportado no blockchain, o livro contábil do sistema — afirma.

O terceiro e último conceito é o de rede global sem fronteiras. Para ele, as criptomoedas representam um potencial de inclusão financeira, por exemplo, de baixo custo, com segurança, rapidez e transparência nas transações. As implicações podem ir além, obrigando governos a mudarem suas regras no campo financeiro. 

— Hoje no Brasil quase metade da população não tem acesso ao sistema vigente (banco), ou seja, está desconectada e isso inviabiliza o acesso ao sistema financeiro para muita gente. No meio digital basta ter um telefone móvel com acesso a internet e um simples aplicativo que você se conecta a uma plataforma financeira internacional — exemplifica.

— Os protocolos da criptomoeda são de código de fonte aberto, qualquer um pode melhorar este código, criar novas soluções e entregá-las ao mundo sem precisar solicitar autorização de um órgão regulador. Se sua inovação for benéfica ela vai ser aceita e utilizada — complementa.

O futuro no meio dos negócios

Na sequência, Oliver Cunningham levou ao público sua visão sobre o futuro da tecnologia financeira a partir dos chamados novos mapas mentais que surgem com as inovações, como o Blockchain, por exemplo, e sua influência no surgimento de novos modelos de negócios. A ideia central foi explanada com exemplos de companhias de sucesso atuais, que têm nas transformações digitais o caminho para resultados expressivos.

Oliver Cunningham: Sócio na área de Estratégia & Operações em Serviços Financeiros da KPMG.Sessão: Transformação Digital e Novos NegóciosPalestra: Novos mapas mentais, novos modelos de negócios
Oliver CunninghamFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Proposta que é seguida pela KPMG, que tem como agente de incentivo a percepção de que "nós já passamos da era da inovação, o mundo está sendo reescrito completamente". Esse entendimento imperativo da transformação foi amplificado através de uma pesquisa global feita com líderes de companhias, no qual, 90% têm ciência de que as novas tecnologias digitais vão transformar suas indústrias e, para 70% deles, os próximos três anos serão mais desafiadores do que os últimos 50 anos.

O surgimento dos aplicativos mais fortemente a partir de 2010 mostra que essa revolução já começou, e exige uma mudança no modelo antigo de forma urgente. 

— Está acontecendo uma mudança profunda no comportamento do cliente, que, em média, checa o celular 160 vezes ao dia e tem uma interação digital (com uma marca) que dura cerca de oito segundos. É muito fácil perder um cliente nesse tempo e mais difícil é ganhá-lo, porque exige personalização — explica.

 Essa é a mudança apontada como necessária para quem quer abarcar essas mudanças, sair na frente e vencer.

Leia mais sobre negócios e Economia na coluna de Claudio Loetz

Os vencedores no mundo digital, exemplificados por ele, são formados por plataformas inteligentes, como o Google, Uber, Netflix e Amazon. Mas o que faz dessas organizações vencedoras? Refletir e agir diante dessa pergunta forma a proposta de Cunningham. E ele explica que, quando se depura essas marcas e elas têm sua fórmula e sucesso pesquisadas, se sobressaem quatro componentes:

— Essa disrupção digital é a mudança em forma e substância que ocorre quando novas tecnologias e modelos mentais criam novos modelos de negócios, com propostas de valor que desafiam a escala de bens e serviços existentes. Elas são leves em ativos, ricas em dados, o cliente está no centro e são calcadas em um modelo de plataforma — explica.

Agilidade, inovação e escalabilidade devem ser consideradas, porque ele explica que simplesmente aderir à digitalização não se converte em sucesso. É preciso "controlar o mindset do cliente e ter ciência do lugar que a empresa ocupa na cabeça deste consumidor". Outra situação chave é a mudança de mentalidade e aplicação de recursos para inovação e modelos de negócios que acompanhem a velocidade das transformações digitais.

— É preciso encarar esse desafio de frente. Ninguém quer trabalhar, investir ou mesmo comprar em uma empresa antiquada, não faz sentido — revela.

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