Especialistas analisam os cenários político e econômico do Brasil na Expogestão - Economia - A Notícia

Versão mobile

 

 

Economia08/05/2018 | 21h30Atualizada em 09/05/2018 | 09h25

Especialistas analisam os cenários político e econômico do Brasil na Expogestão

Carlos Alberto Primo Braga e Rafael Cortez palestraram no primeiro dia do evento em Joinville

Especialistas analisam os cenários político e econômico do Brasil na Expogestão Salmo Duarte/A Notícia
O economista Carlos Braga avalia que o Brasil passará por um problema de sustentabilidade Foto: Salmo Duarte / A Notícia

A palestra que encerrou o primeiro dia da Expogestão foi uma análise dos cenários econômico e político do Brasil. O professor Carlos Alberto Primo Braga foi responsável pela leitura do quadro econômico, enquanto o especialista Rafael Cortez desenvolveu aquilo que se apresenta para as eleições presidenciais de 2018.

Mestre e doutor em economia, Braga foi o primeiro a subir ao palco para discutir alguns aspectos dos riscos e incertezas que o país passa no momento. Segundo ele, o país tem uma economia fechada, um viés anti-exportador, baixa produtividade e uma competitividade internacional descrescente.

Um dos pontos abordados por Braga foi a dúvida se a recuperação da economia é realmente um crescimento sustentável ou um "voo de galinha". Ele aponta índices complicados, como o desemprego elevado, o desequilíbrio fiscal e o gasto atual de 10% do PIB com previdência.

— Nós não temos um problema de dívida externa, como nos anos 1980, mas teremos rapidamente um problema de sustentabilidade. Então, a menos que implementemos as reformas estruturais será apenas um voo de galinha — afirma.

Para ele, é preciso recuperar a produtividade na economia brasileira porque se isso não acontecer, o país não vai recuperar o nível de crescimento apresentado em outros anos. Durante a palestra, Braga explicou que várias situações podem afetar a recuperação econômica do país. Uma das mais complicadas é entender o que vai acontecer no cenário político.

Para fazer uma leitura do que pode ocorrer nas eleições deste ano, o doutor em ciência política Rafael Cortez subiu ao palco para finalizar o painel. Ele se propôs a analisar a corrida eleitoral, os impactos na economia e como o PT e o PSDB implementaram uma espécie de bipartidarismo nas eleições presidenciais nos últimos anos.

De acordo com ele, ao longo das últimas eleições, os dois partidos conseguiram tomar o protagonismo nas disputas por terem vantagem em já estar à frente do país ou por inibirem os partidos menores fazendo coligações e os impedindo de entrar na corrida, por exemplo.

Na leitura de Cortez, esses dois cenários são difíceis de serem repetidos neste ano porque os dois partidos tiveram nomes envolvidos em investigações de corrupção, além do atual presidente ter índices muito baixos de popularidade.

Desta forma, resta um último ponto que deve ser mais forte na disputa de 2018, que é o convencimento pela campanha eleitoral. Neste cenário, se apresenta a oportunidade de um terceira força chegar com chances de vencer as eleições.

— No mundo em que ainda havia algum nível de crescimento econômico, a terceira força (Marina Silva) já teve algo por volta de 20% dos votos. O que esperar agora de um governo que a popularidade está no chão e pouca gente aguenta falar em PT e PSDB? — questiona o especialista.

Rafael Cortez: Sócio da Tendências Consultoria, doutor em Ciência Política pela USP, professor universitário, especialista em instituições brasileiras, política comparada e economia política.Sessão: Cenários Economia & PolíticaPalestra: Cenário Político
Cortez acredita que o ponto principal será o convencimento durante a campanha eleitoralFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Cortez explica que o resultado vai depender do número de candidatos. Segundo ele, é possível essa terceira força estar no segundo turno ou, em um cenário mais revolucionário, os dois partidos que estiveram a frente do país nas últimas décadas ficarem fora da disputa ainda no primeiro turno.

— Eu acho que a esquerda vai se dividir mas se houver união eles têm potencial. O mesmo raciocínio vale para a centro-direita — explica.

Independentemente de quem vencer as eleições, Cortez diz que o presidente vai ter que encontrar um equilíbrio que permita aumentar novamente as taxas de crescimento econômico brasileiro. E isso passará por reformas que tiram benefícios do presente para garantir que eles existam no futuro.

— Esse tipo de reforma é a mais difícil de ser feita porque quem perde sabe que está perdendo — aponta. 

Leia mais:

"O segredo não é tentar competir com as máquinas", diz embaixador da Argentina na Expogestão 2018

O que esperar da Expogestão 2018, um dos maiores eventos corporativos do país 


 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaJEC/Krona derrota o Atlântico-RS e se mantém na liderança da Liga Nacional https://t.co/xFnO6JOcN4 #LeianoANhá 2 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaNereu Martinelli confirma interesse de participar da JEC S.A. https://t.co/IFJ9XolK1d #LeianoANhá 3 horas Retweet
A Notícia
Busca