"Empresa que não consegue investir rapidamente se torna um dinossauro", diz Robert Pearlstein - Economia - A Notícia

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Expogestão 201810/05/2018 | 16h05Atualizada em 10/05/2018 | 16h25

"Empresa que não consegue investir rapidamente se torna um dinossauro", diz Robert Pearlstein

Vice-presidente para negócios corporativos da Stanford Research Institute (SRI), Pearlstein, palestrou na Expogestão nesta quinta-feira, em Joinville

"Empresa que não consegue investir rapidamente se torna um dinossauro", diz Robert Pearlstein André Kopsch/divulgação
Foto: André Kopsch / divulgação

Quem não tem curiosidade de explorar novas tecnologias, algumas, que em breve farão parte do nosso cotidiano? E mais, quem não quer estar entre os primeiros brasileiros a conhecer as pesquisas em desenvolvimento no mundo e que prometem impactos profundos no futuro de empresas, serviços e pessoas? Para o público da Expogestão 2018, em Joinville, essa possibilidade deixou de ser uma intenção e se tornou real nesta quinta-feira (10).

Oportunidade concretizada com respaldo de Robert Pearlstein, vice-presidente para negócios corporativos da Stanford Research Institute (SRI) — organização sem fins lucrativos ligada à Universidade Stanford, que há sete décadas investe num futuro no qual o objetivo é fazer da inovação uma realidade. Com mais de 20 anos de experiência em tendências e estratégias de pesquisa junto a empresas, o executivo deu relevo à força transformadora das inovações em setores de ponta, como os praticados na SRI. A entidade conta com um portfólio que inclui a criação da assistente virtual Siri, do iPhone, além de tecnologias como o mouse, o HDTV e a impressora jato de tinta.

— Não vendemos produtos, desenvolvemos tecnologias avançadas e nossa missão é que essas inovações saiam do laboratório e avancem para o mercado com o intuito de causar impactos positivos no mundo.

Esse foi o ponto de partida para que ele entrasse em um dos temas mais aguardados da 16ª edição do evento: a revolução tecnológica em curso e suas implicações no amanhã. "Inovação hoje vai além de uma área científica, envolve, por exemplo, inteligência artificial, 'machine learning', processamento de energia, sensores, tudo sendo combinado para criar soluções inovadoras", sintetiza.

Leia mais notícias de Economia e negócios na coluna de Claudio Loetz

Ele destaca a propriedade intelectual dos membros do SRI em algumas das inovações que permeiam diversos campos de atuação como o de serviços e manufatura. Entre os exemplos, está o desenvolvimento de um aspirador de pó inteligente, mais leve que os comuns, barato de produzir e que pode ser aplicado em outras áreas. É possível, inclusive, utilizar na indústria têxtil na criação de bolsos, coleta de vidros ou mesmo em empresas de logística com uma esteira de eletro-adesão.

— Alavancamos uma mesma tecnologia para mais de uma solução, porque a chave para nós é entender as necessidades do mercado e ter uma metodologia inovadora que seja aplicável — explica.

Hora certa para inovar

Ele aponta também que o hoje é o melhor momento na história para quem tem a contribuir para o campo da inovação. Para isso, destaca como áreas chaves a ligação com as megatendências tecnológicas e da sociedade, citando como exemplo o amplo espaço de exploração de novidades por meio da "big data",o desenvolvimento de inteligência artificial, os algoritmos avançados e seus impactos no varejo, na área da saúde, alimentação e manufatura.

Conforme Pearlstein , um dos pontos considerados relevantes para o tema é que o mundo tem cerca de sete bilhões de habitantes e deve aumentar para dez bilhões até 2050. No entanto, passa por um processo de envelhecimento da população, além de haver previsão de aumento no número de consumidores da classe média, impulso no êxodo rural e cada vez menos mão de obra para o trabalho. Esse conjunto de tendências, ele diz, será fator determinante para novas inovações sejam criadas e incorporadas às fábricas e ao dia a dia da sociedade.

A velocidade com que essas soluções chegam ao mercado também demonstram aceleração: para atingir 150 milhões de usuários a televisão levou 38 anos, o game Pokemón Go, duas semanas. A constância deve ser uma prática a quem vislumbra ser referência em uma época em que a concorrência é cada vez mais ditada pelas boas ideias.

— Se você fizesse uma lista das 500 maiores empresas mundiais na década de 1960, era possível que uma companhia se mantivesse lá durante 30 anos. Se fizer isso hoje e a empresa ficar lá por 15 a 20 anos, ela tem sorte. Empresas de pequeno, médio e grande porte, se não consegue investir rapidamente se torna um dinossauro — sentencia.

Em contrapartida, ele destaca que a inovação com frequência tem a ver com o tempo e os parceiros certos, lembrando que o mouse foi criado na década de 1960 e permaneceu na gaveta por 18 anos até o "boom" que o levou ao mercado. O empresário afirma ainda que uma inovação bem sucedida raramente é resultado de sorte, mas sim um processo disciplinado e de melhoria contínua, em que é preciso olhar para outros mercados em busca de novas ideias e oportunidades.

Exemplos de um novo mundo

Um exemplo bem sucedido disso, conforme ele, é que a mudança possibilitada ao longo do tempo com relação aos robôs inteligentes, que antes serviam como um assistente pessoal virtual e agora já existem os assistentes mentores virtuais. Estes, aliando diferentes aplicações são capazes de guiar uma tarefa ou mesmo de compreender o comportamento e os sentimentos de uma pessoa.

Dois desses exemplos já são realidade, um usado no campo e desenvolvido para agricultores do estado de Washington, nos Estados Unidos, no qual a inteligência artificial é usada para colher maçãs e é possível identificar se o fruto está maduro e pronto para ser colhido. Em outra solução, no Chile, foi desenvolvido um robô de mineração controlado por telecomando e orientado por um trabalhador real, que atua de dentro de um escritório.

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