As lições e as inspirações da Expogestão 2018 em Joinville - Economia - A Notícia

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Economia11/05/2018 | 20h26Atualizada em 11/05/2018 | 20h26

As lições e as inspirações da Expogestão 2018 em Joinville

Temas abordados em 14 palestras reforçam entendimento de que vivemos uma era de transformações exponenciais, que impactam no mundo dos negócios

As lições e as inspirações da Expogestão 2018 em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Os temas abordados ao longo das 14 palestras nacionais e internacionais durante os três dias da Expogestão 2018, em Joinville, reforçaram o entendimento de que vivemos uma era de transformações exponenciais, que impactam o mundo dos negócios. Com um convite para conectar o público participante, de 6,6 mil pessoas, às tendências que se desenham para o futuro, o evento cumpriu seu papel e, hoje, você confere os ensinamentos que ficaram e merecem ser aplicados na prática.

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O perfil do profissional do futuro

O perfil do profissional do amanhã foi um dos temas abordados por pelo menos três palestrantes durante os três dias de Expogestão. Com a transformação tecnológica e a automatização de processos, o modelo de trabalho deve mudar ao longo dos anos, requisitando novas competências e habilidades dos profissionais.

O presidente da PageGroup, Gijs van Delft, mostrou estudos que apontam previsões até 2050, quando 65% das profissões que as crianças terão ainda não existem e 800 milhões de empregos devem acabar por causa da robótica e inteligência artificial. Por outro lado, haverá a criação de duas novas vagas para cada uma extinta. O desafio é que essas vagas não necessariamente serão as mesmas para as quais os profissionais de hoje estão se capacitando.

Embaixador Carlos Magariños: Economista, diplomata, embaixador da Argentina no Brasil, fundador da Foresight 2020 e da Global Business Development Network.Tema: O Futuro do Trabalho. Palestra: Soluções e oportunidades - presente do futuro
Carlos Magariños, embaixador da Argentina no BrasilFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"O segredo não é tentar competir contra as máquinas. Temos que achar a forma de trabalhar com elas. Isso nos pede que mudemos de habilidades ou criemos e fortaleçamos algumas competências novas. O pensamento critico, a identificação de padrões de grande magnitude e a comunicação completa com outra pessoa, ao menos hoje, são habilidades que os humanos fazem melhor do que os computadores. É como podemos agregar valor ao processo."
Carlos Magariños, embaixador da Argentina no Brasil

Gijs van Delft: Presidente da PageGroup Brasil.Tema: Talentos e novas tecnologiasPalestra: O profissional do amanhã - mitos e fatos
Gijs van Delft, CEO da PageGroup BrasilFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"A transformação digital não é só uma ameaça, mas pode ser uma oportunidade. É preciso ver quem você quer ser nesse novo mercado. Qual valor quer agregar?"
Gijs van Delft, CEO da PageGroup Brasil

Peter Walker: Sócio-cofundador da R&G Global Consultants.Tema: Cultura da GestãoPalestra: Das mudanças individuais à geração de resultados
Peter Walker, sócio da R&G Global ConsultantsFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"O DNA diferente e que deve ser observado, está na capacidade de entender as mudanças que são necessárias, ter paixão para fazer com que as coisas ocorram. A crença está em você querer melhorar sua empresa, nunca se satisfazer com o status quo. É desafiar seus paradigmas atuais, ter comprometimento e entrega de impacto capazes de gerar melhorias significativas à organização."
Peter Walker, sócio da R&G Global Consultants

Leitura de cenários

Conheça, em frases, as tendências que se desenham para os futuros econômicos, políticos e tecnológicos:

"O comércio bilateral entre a China e o Brasil cresceu 30% no ano passado, alcançando US$ 87,5 bilhões. A meta é aumentar esses números, em via de mão dupla, possibilitando benefícios mútuos aos dois países. Queremos ser parceiros e caminhar juntos."
Li Jinzhang, embaixador da China no Brasil, sobre o futuro das relações comerciais entre as duas nações.

"Inovação bem-sucedida raramente é resultado de sorte, surge de disciplina e melhoria contínua, no qual você precisa olhar para o mercado em busca de novas ideias e oportunidades. Ela ocorre de forma rápida e é preciso escolher o tempo e os parceiros certos. Quem não acompanhar esse ritmo, facilmente se tornará um dinossauro."
Robert Pearlstein, vice-presidente do Stanford Research Institute (SRI), sobre os avanços tecnológicos.

"Se tivermos mais crescimento econômico e governança política teremos o crescimento sustentado; se a governança não melhorar e as reformas não forem feitas, vamos parar na tempestade perfeita."
Carlos Alberto Primo Braga, mestre e doutor em economia, sobre as perspectivas econômicas do País.

"O presidente vai ter que fazer uma reforma que tira benefícios do presente para garantir os benefícios do futuro. Essa é a reforma mais difícil porque quem perde sabe que está perdendo."
Rafael Cortez, doutor em ciência política, sobre os desafios do futuro presidente do Brasil.

"As criptomoedas representam uma evolução maior do que a própria internet, porque pela primeira vez é possível alcançar a confiança entre atores completamente desconhecidos. Isso se dá, porque a segurança do sistema incentiva o comportamento honesto - entre iguais - e facilita o acesso a um sistema financeiro aberto, sem intermediação de bancos ou autoridades monetárias."
Fernando Ulrich, especialista em criptomoedas do Grupo XP, sobre as potencialidades das moedas digitais.

O futuro das organizações

A revolução tecnológica, principalmente na esfera digital, segue em ascensão e vem se mostrando desafiadora a velhos paradigmas, como o modo de relação entre empresas e clientes, o destino dos investimentos e a conquista de espaço no mercado. Impactos diretos dessa transformação já são sentidos no meio corporativo, a partir do que é feito hoje e o que se espera do amanhã. 

Parte dos modelos de negócios atuais, por exemplo, tem sua sobrevivência colocada à prova, tendo urgência na criação de novas iniciativas, de preparação e "sacadas inteligentes". Essas são algumas das reflexões mais fortes deixadas pelos nomes que passaram pela Expogestão, que vislumbram nessa realidade um caminho de soluções e oportunidades. 

Nesse contexto, o papel que se impõe a funcionários, executivos, gestores e líderes está em construir o sucesso das organizações nas quais atuam, encarando de frente os desafios e não os enxergando como um problema. E para tornar essa travessia mais natural, elaboramos com base nas lições trazidas pela Expogestão, cinco dicas valiosas para empresas que almejam sucesso no mundo futuro dos negócios: 

1- Reconheça e invista em talentos: o uso de tecnologia de ponta não garante sozinho o sucesso de uma organização. "Máquinas você compra, dinheiro você pede emprestado se tem crédito, mas a motivação das pessoas é a base do êxito." Essa fórmula ensinada por Décio da Silva, presidente do conselho da WEG, demonstra a importância de se investir em bons profissionais para o alcance dos resultados esperados. Vince Molinaro, diretor global de Gestão de Soluções de Liderança da Lee Hecht Harrison (LHH), reforça o conselho aos líderes. "Precisamos de líderes responsáveis, então alinhe e engaje seus funcionários e deixe um legado de liderança forte. Trata-se de fortalecer seus líderes para que fortaleçam sua organização, de forma a entregar valor aos clientes, acionistas e sociedade." 

2- Aprenda a lidar com ativos intangíveis: em tese a empresa tem que aprender a aprender, a se adaptar em um cenário que não estava previsto e, no fluxo com que as coisas se impõem. A lição é de Ricardo Guimarães, presidente da Thymus Branding, que acredita que as marcas podem ser eternas, desde que você ofereça experiências extraordinárias, algumas, ainda impensáveis. “Viemos de uma sociedade com instituições em que as pessoas apenas cumprem ordens, são ativos tangíveis. A sociedade que estamos vivendo são de pessoas que veem o significado das ações. Agora temos que aprender a lidar com os ativos intangíveis”, justifica. 

3- Inove na velocidade das transformações: "A mudança é muito grande, urgente e difícil, mas a narrativa é simples: nós já passamos da era da inovação, o nosso mundo, as nossas indústrias estão sendo completamente reescritas. É preciso ter agilidade; inovação e escalabilidade. Alguns setores já passaram por isso, como mídia e telefonia, no qual, empresas sumiram e outras gigantes nasceram nesse tempo". O período descrito por Oliver Cunningham, da KPMG, é recente e as transformações continuam pulsantes e de forma rápida. A saída para quem quer pegar carona no surgimento de novos modelos de negócios é apostar no todo. "Nossa visão deve entender a transformação digital como a transformação da estrutura inteira, não como um tema restrito. É preciso encarar esse desafio de frente, porque ninguém quer trabalhar, investir ou mesmo comprar em uma empresa antiquada."

4- Encare os desafios: conquistar relevância e conseguir mantê-la exige atenção e alerta. Ricardo Guimarães é categórico e afirma que uma cultura de empresa para que ela sobreviva ao ambiente não é a calma. É preciso criar valor, aceitar o desafio de sair de uma cultura de conservação para uma cultura de evolução. "O ecossistema das tecnologias atuais alimenta quem contribui para ele e pune quem não contribui", reflete. 

5- Busque crescimento e longevidade, mas mantenha suas raízes: a sustentação e consolidação de um negócio passa por planejamento, investimentos e inovação, mas para que tudo funcione é necessário unidade da governança. Quem ensina é o executivo Décio da Silva, que ainda hoje segue os preceitos ensinados pelo pai quando ingressou no mundo corporativo, a receita é "cultura de gestão", que envolve pessoas; visão de longo prazo; execução, gestão participativa; governança e sociedade e família. "Quando um fundador monta uma empresa a coisa que mais lhe vem à cabeça é a longevidade, isso faz pensar que o mais importante para um líder de uma organização é prepará-la para quando ele não estiver mais presente. O fator chave é a unidade da governança", explica.

O futuro das pessoas

Os palestrantes da Expogestão também abordaram temas comportamentais e de saúde durante o evento. O neurologista Fabiano Moulin falou sobre como as pessoas estão ficando cada vez mais doentes, e o jornalista Marcos Piangers fez uma análise da dependência da tecnologia no dia a dia da população. Ambos ainda deixaram dicas de como melhorar a qualidade de vida e a saúde diante das mudanças e novidades que surgem com tanta velocidade na atualidade.

- Cuidar da saúde:
O neurologista Fabiano Moulin afirmou que a sociedade vive uma epidemia de depressão. Hoje, é um problema tratado com um estigma, mas que metade da população terá sintomas que podem durar o suficiente ou não para preencher o diagnóstico da depressão. Segundo ele, o primeiro ponto é reconhecer o problema e saber que é comum. "Não está relacionado à fraqueza, moleza e não adianta falar para a pessoa levantar e ir trabalhar. Temos que ter cuidado com nossos preconceitos", sugere. Uma dica do especialista é cada um pensar para quê e para quem está acordando todos os dias de manhã. Quem tiver essa resposta clara, terá menos riscos de ficar doente. De acordo com ele, também é importante exercitar a gratidão diariamente, fazer um diário, ler, meditar e ouvir música, por exemplo. "Quem não acha tempo para a saúde, vai ter que arrumar para a doença. A saúde é construção e planejamento, não passividade", complementa. 

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Expogestão 2018.Fabiano Moulin.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Neurologista Fabiano MoulinFoto: Salmo Duarte / A Notícia

- Atenção com a tecnologia:
O jornalista e radialista Marcos Piangers levou ao público lições sobre o uso da tecnologia. Segundo o palestrante, ela é incrível para quem sabe usar corretamente. O problema é quando nos viciamos e esquecemos o que é humano. "Você pode questionar se aquela tecnologia serve para você porque ela molda a forma com que a gente se comporta e o estilo de vida de cada um", explica. A percepção é de que todos estão cada vez mais viciados e impacientes. No entanto, Piangers defende que o problema não é a tecnologia, mas a falta de atitude que as pessoas têm todos os dias. "O problema é você que não percebe que o problema está na sua atitude", afirma. Ele ainda salientou que a tecnologia já está sendo e pode ainda mais ser usada para transformar o mundo em um lugar melhor. O segredo é ter um propósito e se doar para ele.

Lições dos congressistas

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.Ana Paula Palandi.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Ana Paula Palandi, analista de qualidadeFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"A gente tem que prestar atenção em algumas coisas. Se eu não tiver saúde, também não vou trazer bons resultados para a minha empresa, por exemplo. Então, acho que isso é o que levarei de lição daqui."
Ana Paula Palandi, analista de qualidade

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.José Valdir Colling.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
José Valdir Colling, financiárioFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"Várias palestras nos levam a pensar sobre o nosso momento atual, nossas equipes e o que podemos fazer nesse mercado competitivo. Então, estamos levando a lição de que precisamos inovar, fazer uma gestão de pessoas eficiente para qualificá-las. São os cuidados que devemos ter com toda a equipe que trabalha conosco."
José Valdir Colling, financiário

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.Marcelo Malinowski.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Marcelo Malinowski, bancárioFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"Como o próprio mote da Expogestão é inspiração, inovação e evolução, neste ano a gente tem conseguido ver muitos cases e ideias novas. Principalmente, para o meu setor que é o bancário, as palestras têm nos ajudado e trazido muitos subsídios para que possamos ter uma qualidade de trabalho e produtividade ainda maior para que consigamos inovar no dia a dia. Em um evento como a Expogestão, a gente consegue muitos subsídios para que consigamos conduzir as equipes e empresas para cumprir suas missões e atender as necessidades."
Marcelo Malinowski, bancário

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.Marco Antonio Salvo (Uberlândia - MG).(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Marco Antonio Salvo, especialista em gestãoFoto: Salmo Duarte / A Notícia

"Penso que o principal insight que nós tivemos foi em relação a transformação digital e de inovação. As palestras trouxeram realmente exemplos práticos e considerações que podem ser colocadas em prática em qualquer organização, sem que haja necessidade de uma grande estruturação. Embora esteja claro que a transformação não se vai fazer com atitudes simples, mas se apontou um caminho para que haja um encaminhamento da inovação e transformação digital nas empresas."
Marco Antonio Salvo, especialista em gestão

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.Doraci Felisiak (Maravilha - SC).(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Doraci Felisiak, secretário de Indústria e Comércio de Maravilha (SC)Foto: Salmo Duarte / A Notícia

"Percebi o desconhecimento que ainda se tem em muitas áreas e o bom é que viemos aqui para aprender, em busca por conhecimento com o objetivo de aplicar na nossa cidade. Vejo que estamos um pouco parados no tempo, falando por mim, por vezes, trabalhando e seguindo um caminho que não abre novos horizontes, então é muito importante buscar esse conhecimento na Expogestão, saio com o pensamento diferente com relação ao que podemos fazer de bom para o nosso município."
Doraci Felisiak, secretário de Indústria e Comércio de Maravilha (SC)

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.Airton Souza (Rodeio - SC).(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Airton Souza, diretor de Cultura e Turismo de Rodeio (SC)Foto: Salmo Duarte / A Notícia

"O contato com as novas mídias é importantíssimo, isso ficou em evidência. Hoje em dia, nós, que estamos em um governo, aprendemos que temos que estar sempre em contato com o público e as mídias sociais são um elo importante para que isso ocorra. Sempre temos que estar atualizados e a transformação digital está tão rápida que se você não está antenado nessas mudanças, você acaba perdendo espaço."
Airton Souza, diretor de Cultura e Turismo de Rodeio (SC)

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-05-2018.Lições da expogestão 2018.Vincenzo Mastrogiacomo (Chapecó - SC).(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Vincenzo Mastrogiacomo, diretor da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic)Foto: Salmo Duarte / A Notícia

"Sem dúvida nenhuma as palestras foram muito boas e elas são direcionadas e fundamentadas para a parte de gestão. Então, o que consegui ver nas palestras é que elas mostram que a gente pode crescer, que temos meios para aprender e ainda há coisas que estão para acontecer, tanto no trabalho, como na saúde e no relacionamento das pessoas Essa é a discussão mais importante."
Vincenzo Mastrogiacomo, diretor da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic)

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