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De olho na previdência17/12/2017 | 04h06Atualizada em 17/12/2017 | 04h06

SC tem o segundo maior percentual de aposentados e pensionistas do Brasil

Estudo do Ipea aponta necessidade de uma idade mínima para a aposentadoria diante do envelhecimento da população brasileira

SC tem o segundo maior percentual de aposentados e pensionistas do Brasil Roni Rigon/Agencia RBS
Estudo do Ipea aponta necessidade de uma idade mínima para a aposentadoria diante do envelhecimento da população brasileira Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

 Um estudo divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que Santa Catarina tem o segundo maior percentual de aposentados e pensionistas do Brasil. No Estado, a estimativa é que 18,4% dos catarinenses recebam benefícios, seja do regime geral do INSS ou dos institutos públicos de previdência. O resultado de Santa Catarina ficou 4,2 pontos percentuais acima da média nacional, que é de 14,2%. Nacionalmente, o Rio Grande do Sul é o líder, com 20,4% de aposentados ou pensionistas no total da população.

Um dos responsáveis pelo estudo, Rogério Nagamine conta que os dois estados mais austrais do país têm características um pouco diferentes do resto do país. Uma delas é o fato de terem uma população um pouco mais envelhecida, além de a longevidade ser maior. Os dois fatores ajudam a explicar a maior proporção de aposentados e pensionistas.

— Além disso, dizemos que são estados com cobertura da população idosa muito alta. Isso significa que o percentual de idosos que recebe benefícios é superior à média nacional — conta Nagamine.

Importância da reforma

Embora esse processo de envelhecimento esteja mais acentuado nos estados do sul, o pesquisador conta que ele é comum em todo o país — as duas regiões com população mais jovem são o Norte e o Centro-Oeste. Outro dado que corrobora a tese de Nagamine é a comparação ao longo dos anos: o percentual de aposentados era muito maior em 2015 do que em 1992, os dois anos-base do estudo. Em Santa Catarina, por exemplo, a taxa de beneficiários saltou de 8% para 18,4% em 23 anos. Nacionalmente, esse aumento foi menor: de 8,2% para 14,2%.

Para a professora Graciella Martignago, do curso de economia da Unisul, os dados são claros ao apontar a necessidade de uma reforma do sistema previdenciário brasileiro, já que a população envelhecerá ainda mais nos próximos anos e o percentual de trabalhadores ativos tende a encolher paulatinamente.

— O Brasil precisa se adaptar aos novos tempos. A longevidade está aumentando e as pessoas vão depender por mais tempo do sistema previdenciário. 

Nagamine diz que o mais essencial é o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria. Hoje, com as atuais regras no Brasil, há muitas pessoas que se aposentam com menos de 55 anos, em especial no sistema 85/95, o que o pesquisador considera um erro gravíssimo. Ele conta que não é raro algumas pessoas receberem o benefício por mais tempo do que contribuíram:

— Estamos pagando benefícios para pessoas com plena capacidade laboral. A lógica da previdência é garantir renda para quem perdeu essa capacidade.

Economista critica formato da reforma

Supervisor técnico do Dieese-SC, o economista José Álvaro Cardoso reconhece a necessidade de se repensar a previdência, porém critica a atual proposta de reforma em tramitação no Congresso. Segundo ele, as alterações demográficas são uma realidade, mas as mudanças  no sistema devem ser repensadas com calma.

— O ideal seria que só se refletissem nos próximos cinco anos, talvez para aqueles que já entrarem no mercado de trabalho em um sistema diferente. Vale lembrar que a Previdência Social é autofinanciada e faz parte do sistema de seguridade social, que é superavitário — diz Cardoso.

Federação de aposentados desaprova gestão de recursos

O presidente da Federação das Associações dos Aposentados de Santa Catarina (Feapesc), Iburici Fernandes, é um exemplo de pessoa que se aposentou cedo. Ele diz que começou a trabalhar com 12 anos e com 14 anos já tinha a sua carteira assinada. Em contrapartida, se aposentou no regime geral aos 48 anos de idade, depois de 30 anos de contribuição:  

— Nós aqui começamos a trabalhar muito cedo, graças a Deus. E a minha vida foi toda dentro de uma empresa só, na qual trabalhei 33 anos. 

Falando em nome da Feapesc, ele diz que a entidade é vigorosamente contra a reforma. Sua principal crítica é ao fato de que o país não se preparou adequadamente para esse momento, pois por muitas décadas o sistema previdenciário foi superavitário e o governo não soube gerir corretamente esse dinheiro.

— Por que os planos privados dão certo? É porque tem uma gestão adequada, o dinheiro fica aplicado. Queremos uma reforma, mas desde que a sociedade participe do processo — opina. 


 

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