"Não há orgão regulador para controlar preço de bitcoin", diz corretor de moedas virtuais - Economia - A Notícia

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Conexão Econômica16/12/2017 | 03h00Atualizada em 16/12/2017 | 03h00

"Não há orgão regulador para controlar preço de bitcoin", diz corretor de moedas virtuais

As moedas virtuais ou criptomoedas migraram para o mercado financeiro tradicional no último dia 11 ao estrear na Bolsa de Chicago, nos EUA

"Não há orgão regulador para controlar preço de bitcoin", diz corretor de moedas virtuais Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação

Apontadas até há pouco como investimento de alto risco para quem gosta de tecnologia, as moedas virtuais ou criptomoedas migraram para o mercado financeiro tradicional no último dia 11 ao estrear na Bolsa de Chicago, nos EUA. Apesar disso, autoridades da área econômica seguem alertando sobre o risco de bolha. Mas para um dos especialistas nesse mercado, o empresário Rocelo Lopes, fundador e CEO da corretora de moedas virtuais CoinBR, de Florianópolis, não há risco de bolha porque a oferta de bitcoins é limitada.

Como surgiram as criptomoedas?
A primeira coisa sobre moeda virtual surgiu em janeiro de 2009, quando Satoshi Nakamoto colocou na internet uma explicação sobre como ele tinha resolvido a questão de transitar valores e reservas entre duas pessoas sem ter uma terceira envolvida. Outras pessoas viram e participaram e aí caiu no mercado. Em 2010 começaram as transações. As pessoas estavam mandando bitcoins uma para outra para pagar serviços. Prestavam um serviço e recebiam em bitcoin. Ficou famosa uma história de que uma pessoa da Inglaterra pagou 10 mil bitcoins por duas pizzas nos EUA. Quando viram que essa moeda resolvia todo um problema de privacidade de usuários e principalmente agilidade de pagamento entre usuários de diferentes regiões e países perceberam o tamanho da eficiência.

Qual é o risco de investir nessas moedas?
Muita gente acha que bitcoin é vinculada a dólar, a euro, a uma moeda qualquer. Não é vinculada a nenhuma moeda, nem ao ouro. E não tem lastro, como nenhuma moeda do mundo tem lastro hoje em dia. O que elas têm é a palavra do Banco Central de que ele pode imprimir dinheiro e nessa palavra não dá mais para acreditar. Logo, bitcoin também não tem lastro.

Como é definido o preço do bitcoin?
É determinado de acordo com o mercado. Se o mercado brasileiro precisa de moeda porque muita gente está comprando bitcoin no país, então ela vai ser cotizada ao preço brasileiro, que pode ser diferente do preço americano. Pode ser que nos EUA ela esteja mais barata. Por exemplo, hoje a bitcoin está sendo vendida 100% mais cara na Venezuela do que no resto do mundo. No Japão, está 5% mais barata. Ela é sempre baseada no mercado local e, às vezes, você tem diferença de preço entre as corretoras de um mesmo país.

Quantas corretoras atuam com moeda virtual no Brasil?
São 10 corretoras que atuam com bitcoin. A nossa, a CoinBR é uma delas. Nosso modelo é diferente das outras nove. Elas trabalham no mercado de oferta e demanda. Quem quer comprar a moeda informa que quer adquirir e quem quer vender também. Cada um decide o preço e a corretora só intermedia e cobra a comissão dela. A coinBR apenas vende e compra. Quando o meu cliente quer comprar bitcoin eu vou ao mercado e ofereço a ele o preço que eu tenho tabelado. Eu não tenho diferença para 0,1 bicoin ou 1 bitcoin. Nossa empresa funciona como uma corretora de câmbio, é a única assim na América Latina que trabalha assim. O cliente pode usar para pagar conta de energia, boleto bancário, cartão de crédito e qualquer outra coisa.

Quanto custa uma bitcoin (dia 13 de dezembro, às 13h)?
O preço de venda agora está R$ 59.350 e o de compra, R$ 53.000. A pessoa pode comprar frações, como 0,001 bitcoin.

Muitas autoridades financeiras dizem que está havendo uma bolha de bitcoin, mas o senhor discorda. Por que?
Porque moeda virtual é diferente de qualquer outro ativo que se tenha visto. É um produto escasso. Vamos ter somente 21 milhões de bitcoins no mundo. Hoje estamos em 17 milhões, faltam apenas 4 milhões para serem geradas. O princípio de uma bolha é um ativo sendo muito vendido, como na bolha imobiliária dos EUA. Com bitcoin não tem como acontecer isso porque sabemos que há um número limitado. Diariamente são colocados somente 1.800 novos bitcoins no mercado. Não dá para inventar. O preço pode subir ou cair. O mercado corrige. Uma vez saiu de US$ 10 mil e subiu para US$ 14 mil. A nossa expectativa para dezembro de 2020 é de R$ 300 mil por unidade de bitcoin.

Porque não podem emitir mais bitcoins?
Porque está implícito no código. Para alterar isso, todos mineradores (produtores de criptomoedas em grandes computadores) do mundo teriam que voltar e aceitar fazer isso.

O bitcoin entrou na Bolsa de Chicago segunda e o pregão caiu. O que muda com essa presença nas bolsas?
Eles imaginaram que seria um ativo comum, mas tiveram que suspender as negociações porque subiu 10% em 1 hora. Não tinham o volume suficiente para atender a demanda. Agora, dia 18, o CME Group (principal mercado de derivativos do mundo) vai colocar bitcoin no portfólio de ativos comercializados. Isso vai trazer, mais uma vez, para o mundo real, um ativo onde não há nenhum controle governamental.

O presidente do Banco Central do Brasil avalia que crescimento do bitcoin é uma bolha e não recomenda comercialização em órgãos regulados. Como você vê isso?
Todos estão se defendendo dessa maneira até porque é um negócio de risco. Não há órgão regulador nem regras para controlar uma disparada de preço de bitcoin. Se o investido perder, não poderá reclamar para ninguém porque o risco é dele. Vindo do Banco Central é uma posição esperada porque há um ativo muito usado como moeda, muito eficiente e ele não controla. Isso para um BC é meio perigoso.

Para quem quer investir em criptomoeda, o que recomenda?
Hoje, a gente recomenda à pessoa que quer tomar mais risco que invista 20% do seu capital em bitcoin. Se quer menos risco, invista 10%. A gente recomenda bitcoin, ethereum e dash (outras moedas virtuais). Divida 33% em cada uma delas e forma portfólio. Somos mais ousados do que nos investimentos tradicionais porque temos um histórico de evolução. Imagina que no início do ano você tem R$ 40 mil em CDB e compra R$ 4 mil em bitcoin. Seus R$ 4 mil estão valendo muito mais do que os R$ 40 mil no tesouro direto.

O que há de novo nessa área?
Vários investidores que já estavam comprando criptomoedas há mais de dois anos pararam de fazer isso e estão comprando a máquina que gera criptomoedas. A segurança do retorno do investimento é muito maior. Há mais de 10 milhões de máquinas gerando bitcoins no mundo. A pessoa teria um percentual pequeno da geração de bitcoin. Quem comprou uma máquina de US$ 5 mil (R$ 18 mil) em janeiro deste ano, em abril a máquina se pagou. Num estudo que a gente fez, ao longo de 4 anos espera-se que ela gere R$ 150 mil.

Como o senhor entrou nesse mundo virtual e como está a CoinBR?
Sou do Ceará, graduado em ciência da computação em São Paulo e trabalhei no exterior em segurança eletrônica e criptografia desde 1998 em 73 países. Em 2013, eu estava na África do Sul com uma empresa, conheci bitcoin e vim para Florianópolis para abrir CoinBR. Hoje temos a sede na cidade, mas pessoas trabalhando na África do Sul, Costa Rica, Paraguai, Hong Kong e Uruguai. Nossa equipe tem 26 pessoas. Geramos bitcoin (com a empresa CoinPY) e, a partir de janeiro, a gente vai trabalhar em nível global. 

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