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Economia19/12/2017 | 14h47Atualizada em 19/12/2017 | 15h27

Leilão do centenário Moinho Joinville termina sem interessados

Imóvel na região central da cidade pertence à Bunge Alimentos

Leilão do centenário Moinho Joinville termina sem interessados Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Depois de 42 dias de leilão, o Moinho Joinville, localizado no bairro Bucarein, em Joinville, continua pertencendo à Bunge Alimentos. Não houve interessados em adquirir o imóvel centenário nem seu terreno de 52 mil metros quadrados, onde funcionou, até 2013, o moinho de trigo da multinacional. A oferta inicial, via plataforma online Superbid, era de R$ 12 milhões, e incluía o terreno, o imóvel principal — que está em fase de transformação em patrimônio cultural municipal de Joinville — e outras construções do parque fabril que funcionou por exatamente 100 anos. A Bunge Alimentos ainda não divulgou posicionamento sobre o futuro do imóvel a partir de agora. 

O Moinho Joinville foi construído entre 1910 e 1913, quando foi inaugurado por Abdon Batista, Oscar Schneider e Domingos Rodrigues da Nova, sócios na Companhia Industrial Catarinense. Ao longo do século 20, foi transferido quatro vezes para novos proprietários, e, desde 2002, pertencia à Bunge. 

Em 2013, quando anunciou o encerramento das atividades em Joinville, a empresa alegou que o principal fator era a revisão da estratégia da empresa para se alinhar aos novos cenários do mercado de alimentos no País. Na época, havia apenas 41 funcionários diretos trabalhando no local, além de empregados terceirizados. 

No ano passado, o imóvel havia sido colocado à venda em uma imobiliária de Joinville a R$ 32 milhões. Segundo o proprietário da imobiliária, Manoel Candemil, alguns empresários entraram em contato, mas não houve interessados nem mesmo para visitar o local.

Além de seu prédio principal ser uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP), que já teve seu processo de tombamento pela Comissão do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural de Joinville concluído em 2013 (e bloqueado judicialmente desde então) , o comprador do Moinho Joinville também deveria respeitar um recuo de 50 metros da margem do rio Cachoeira, por ser uma Área de Preservação Permanente (APP). Com isso, a área aproveitável era de 35 mil metros quadrados. 

Ao entrar no catálogo de sua imobiliária, em 2016, Candemil apresentou o imóvel pelo potencial para tornar-se um complexo multiuso. É dessa forma que outras duas construções semelhantes foram anunciadas ao serem compradas da multinacional: o Moinho Fluminense, no Rio de Janeiro, que foi vendido em 2015 a uma construtora que anunciou um investimento de R$ 1 bilhão mas, em 2017, rescindiu o contrato — e o local se tornou alvo de vândalos —; e o Moinho Recife, na capital pernambucana, que também passou por leilão via Superbid, foi vendido por R$ 10 milhões e ganhou projeto de revitalização, mas ainda há divulgação sobre prazos para início das obras e o real uso do local.

Os três moinhos, de Joinville, de Recife e do Rio de Janeiro, são exemplares arquitetônicos únicos no Brasil, construídos entre 1885 e 1914. Segundo o historiador Cristiano Abrantes, do Conselho de Patrimônio Cultural (CPC) da Secretaria de Cultura e Turismo de Joinville, o imóvel joinvilense atende a todos os requisitos da lei do Inventário do Patrimônio Cultural de Joinville (IPCJ): valor urbanístico, arquitetônico, histórico-cultural e singularidade. 

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