"O corte de despesas é o caminho para o país crescer", disse Henrique Meirelles na Fiesc - Economia - A Notícia

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Loetz25/11/2017 | 02h00Atualizada em 25/11/2017 | 02h00

"O corte de despesas é o caminho para o país crescer", disse Henrique Meirelles na Fiesc

Confira entrevista com ministro da fazenda e possível candidato à presidência da república. 

"O corte de despesas é o caminho para o país crescer", disse Henrique Meirelles na Fiesc Diorgenes Pandini/Diário Catarinense
Meirelles concedeu entrevista coletiva após palestra na Fiesc. Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

O ministro da fazenda Henrique Meirelles esteve em Florianópolis nesta sexta-feira para uma palestra na Federação das Indústrias de Santa Catarina. Antes, esteve em almoço com lideranças políticas na Casa D'Agronômica. Confira entrevista de Meirelles concedida ao Diário Catarinense: 

O cenário hoje

O Brasil está crescendo e gerando empregos. Saímos da mais longa recessão da nossa história. No mês de outubro já foram criados quase 80 mil novos postos de trabalho. Segundo todas as projeções de comércio que temos, o Natal deste ano será um dos melhores dos últimos anos. Na medida em que as pessoas começam a achar trabalho, passam a ter salário, renda. Isso aumenta a demanda e a capacidade de venda das empresas, incentivando novas contratações.

Reforma da Previdência

É um projeto, como está hoje, robusto, sólido e dentro das nossas margens e expectativas. Portanto, sim, ele é mais do que suficiente para ajudar a equilibrar a situação fiscal do país. Quando apresentamos o projeto, em nenhum momento esperávamos que ele seria 100% aprovado. Vivemos numa democracia e o Congresso é soberano. Acreditamos que o projeto possa e deva ser votado em dois turnos na Câmara dos Deputados ainda neste ano. Não sabemos se dará tempo de ir ao Senado, mas se for votado na Câmara já será um grande passo.

Risco de não aprovar

Esperamos que seja aprovada. Eu acho que é o melhor para o Brasil. Agora, se não for, esse é um problema que o próximo governo terá de enfrentar e em condições piores, porque teria de ser uma reforma ainda mais aguerrida, mais dura.

Crédito para as empresas

O BNDES diminuiu muito a sua concessão de crédito. Agora, grande parte disso foi em função da menor demanda. O investimento do Brasil caiu mais de 30% nessa recessão. Então as empresas investiram menos em máquinas e equipamentos e demandavam menos empréstimos do BNDES e de outras instituições de longo prazo. Agora não. O financiamento de máquinas e equipamentos já está crescendo. 

Candidatura à presidência

A minha posição no momento, como eu tenho dito, é que o Brasil está vivendo um momento-chave, um momento crítico de saída da recessão. Temos feito um trabalho muito grande nesse um ano e meio. 

O país começou a criar emprego e a crescer. Então a minha atenção e o meu foco têm de ser integralmente, hoje, no meu trabalho no Ministério da Fazenda. Agora, no final do primeiro trimestre do ano que vem, acredito que será o momento em que aí, sim, vamos parar, dar uma olhada e verificar a situação, e decidir se é algo adequado e se é a melhor maneira ou não de eu continuar prestando serviços ao país.

Reforma tributária

Já foi feita a aprovação do teto de gastos, depois a Reforma Trabalhista, antes disso a terceirização. Agora é a discussão da Previdência. A próxima é Tributária.

Reoneração da folha

O esforço para não aumentar impostos é enorme. No governo anterior se fez a desoneração da folha numa expectativa de criação de empregos e crescimento. Foi o contrário. O desemprego aumentou e o Brasil não cresceu, entrou em recessão. Esse é o tipo de incentivo que não tem tido um histórico de sucesso. O grande foco que estamos tendo é com o corte de despesas. Esse é o caminho para que o país volte a crescer sem ter aumento de impostos.

***

CURTAS

Expectativas - Chamou atenção da cúpula da Fiesc o fato de Henrique Meirelles trazer dados positivos da economia de Santa Catarina. Para o presidente da federação, Glauco José Côrte, o importante é ele reconhecer a contribuição do Estado e que o governo olhe para os investimentos de infraestrutura de SC e busque a retomada da construção civil. O primeiro vice-presidente da Fiesc, Mario Cezar Aguiar, disse que Meirelles trouxe indicadores consistentes de crescimento, mostrou a importância da reforma da presidência e não fez discurso de candidato. 

Remendo - O presidente do conselho da Federação das Associações Empresarias de Santa Catarina (Facisc), Alaor Tissot, disse estar preocupado com a reforma da Previdência encaminhada, que mantém as distorções a favor do setor público. Para ele, é preciso uma reforma ampla. Do contrário, o novo governo terá que fazer outra. Único deputado federal de oposição na plateia, o deputado federal Esperidião Amin (PP) disse que vai analisar a proposta porque  "o diabo mora nos detalhes".   

Presença - Surpreendeu o baixo quórum de industriais de destaque que compareceram à palestra do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na Fiesc. Presença necessária foi a do empresário Mario Cezar de Aguiar, que é o primeiro vice-presidente da federação, e vai suceder a Glauco Côrte no comando no próximo ano. Outro nome elevante no cenário catarinense presente foi o presidente da Federação do Comércio, Bens e Serviços (Fecomércio-SC) Bruno Breithaupt. E Rose Dedekind, da Fampesc. 

Encontro com startups 

Meirelles visita startups em Florianópolis.
Foto: divulgação / divulgação

Após a palestra na Fiesc, na qual mostrou em gráficos que a economia catarinense está melhor do que a da média do Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez questão de visitar startups em Florianópolis. Esteve na ExactSales e Nanovetores. O governador Raimundo Colombo e o superintendente da Fundação Certi também acompanharam a visita. O empresário Gabriel Bottós, fundador da Welle Laser e sócio da ExactSales, Thermo Off e GnTech, falou para Meirelles sobre o impacto das startups na economia, com geração de empregos de qualidade, renda e arrecadação de impostos.
- O investimento em startups é muito baixo, ou você acerta, ou você aprende. Não tem como errar no empreendedorismo – disse Gabriel Bottós.    

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