Senai inaugura novos institutos em Joinville nesta quinta-feira - Economia - A Notícia

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Inovação21/09/2017 | 07h00Atualizada em 21/09/2017 | 07h00

Senai inaugura novos institutos em Joinville nesta quinta-feira

Espaços receberam cerca de R$ 60 milhões em investimentos e vão servir de suporte para a manufatura avançada com o desenvolvimento de produtos e tecnologias

Senai inaugura novos institutos em Joinville nesta quinta-feira Salmo Duarte/A Notícia
Novas instalações ficam na Zona Industrial Norte de Joinville Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Ideias inovadoras e o desenvolvimento de soluções com potencial para transformar a produtividade e a competitividade ganham impulso na mais industrial das cidades catarinenses a partir de hoje. A data marca a entrega da nova sede dos institutos de inovação em sistemas de manufatura e processamento a laser do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Joinville.

Com investimentos de aproximadamente R$ 60 milhões, entre instalações e máquinas com tecnologia de ponta, o espaço já surge como referência no País em pesquisas aplicadas aos conceitos de manufatura avançada. Localizado na Zona Industrial Norte, nas proximidades do endereço antigo que abrigava a iniciativa desde 2014, o empreendimento amplia em sete vezes a área física dos dois institutos.

Em funcionamento desde o início deste mês em um edifício de três andares e com área construída de oito mil metros quadrados, as novas instalações irão possibilitar atender a um número maior de projetos e demandas da indústria. Atualmente, são cerca de 60 profissionais atuando em 42 projetos, em especial, nos segmentos das indústrias automotiva, médica, odontomédica, aeroespacial, metalmecânica, de energia e de óleo e gás.

De acordo com Marcos Hollerweger, diretor do Senai na região Norte e Nordeste do Estado, o potencial de ocupação do local para novas tecnologias e soluções industriais é ainda maior.

– Hoje, somente cerca de 50% da área total do prédio estão ocupados, sendo que ainda há áreas mobiliadas sem ocupação e com condições de atender a volumes grandes de projetos vindos da indústria. Temos capacidade e, caso essas empresas precisem de mais apoio do Senai em desenvolvimento e pesquisa, temos como comportar essas demandas – destaca.

Em três anos, o contato entre os institutos de inovação com indústrias e universidades já rendeu mais de cem parcerias. Conforme Alceri Schlotefeldt, coordenador de negócios da unidade, novas soluções conjuntas com o mercado são viáveis porque “o ambiente reúne o que há de mais avançado no mundo em processamento de materiais a laser”.

Isso resulta em um aporte de R$ 25 milhões em instalações e outros R$ 34,7 milhões em equipamentos, investidos em parceria entre a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Credenciados pela Empresa Brasileira de Pesquisa de Inovação Industrial (Embrapii), os institutos de sistemas de manufatura e processamento a laser de Joinville possuem um plano de trabalho orçado em R$ 18 milhões para projetos de pesquisa em seis anos.

O valor será fracionado em três partes, de acordo com o número de projetos, sendo que o investimento em cada demanda será proveniente da Embrapii – até R$ 6 milhões –, Senai e a empresa beneficiada pelo projeto.

Precisão nos resultados

 JOINVILLE,SC,BRASIL,19-09-2017.Nova sede dos institutos Senai de inovação em sistema de manufatura e em processamento a laser.Marcos Hollerweger,diretor do senai.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Marcos Hollerweger é diretor do Senai na região Norte e NordesteFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Os equipamentos que exigem maior precisão de resultados têm uma base antitrepidação formada por um maciço de concreto com cerca de dois metros de profundidade e molas ajustadas ao peso das máquinas. Desta forma, caso veículos de maior porte passem pelas proximidades dos institutos e provoquem trepidação do solo, as máquinas que estão sobre o maciço – microusinagem, cinco eixos e medida automática – permanecem inertes.

Com a solução, a medida não compromete a precisão dos resultados de produção e análise de ferramentas. Em outra área, também no térreo, foi projetado um amplo espaço maker para coworking, brainstorm e concepção de ideias, próximo à recepção. O espaço conta ainda com cafeteria. No bloco ao lado, no mesmo terreno, funcionam 14 turmas do ensino médio do Senai, com mais de 580 alunos matriculados. A proximidade entre a sede dos institutos e as salas de aula atinge outro objetivo da instituição: possibilitar maior interação entre inovação, ensino e mercado.

Para que essas ideias possam começar a sair do papel, outra sala abriga um laboratório aberto, onde, além do novas ideias, podem ser criados moldes de protótipos para a indústria, além de projeção, impressão em 3D e moldagem com o auxílio de máquinas. Considerado um espaço de cocriação, projetos e desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, o local é aberto a todos os interessados que tenham ideias voltadas ao desenvolvimento industrial.

Parceiros já estão alocados

 JOINVILLE,SC,BRASIL,19-09-2017.Nova sede dos institutos Senai de inovação em sistema de manufatura e em processamento a laser.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Espaço também tem dezenas de laboratóriosFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Algumas das iniciativas já estão em andamento há cerca de 20 dias no prédio, por meio de salas ocupadas por entidades e indústrias nas quais as empresas podem desenvolver suas próprias pesquisas. Entre elas, destaca-se a instalação da Associação Brasileira de Internet Industrial (Abii) e de um projeto permanente da Embraco, denominado Diili – tecnologia desenvolvida com base na internet das coisas (IoT) capaz de desenvolver aplicações para sistemas de refrigeração.

O espaço também tem dezenas de laboratórios, no térreo, que oferecem soluções em modelagem, simulação e manufatura para sistemas que demandam mais efetividade e qualidade de produção, além de deposição, soldagem e corte de metais a laser. As salas laboratoriais possibilitam uma ampla gama de resultados, como a criação, análise e otimização de processos de usinagem avançada e microusinagem, microinjeção, desenvolvimento de produtos e máquinas, prototipagem e impressão em 3D.

De acordo com o Senai, os investimentos em sistemas de última geração têm como objetivo principal melhorar os processos de manufatura e o desempenho industrial. Entre os recursos do Senai que contribuem para a transformação da indústria está ainda a realização de ensaios e análises de falhas e desenvolvimento de testes focados nas propriedades mecânicas dos materiais utilizados na indústria, química instrumental, microscopia eletrônica e difração de raio X.

Máquinas desenvolvem objetos complexos

 JOINVILLE,SC,BRASIL,19-09-2017.Nova sede dos institutos Senai de inovação em sistema de manufatura e em processamento a laser.Jhonattan Gutjahr,engenheiro mecânico.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
RPMI 535, que faz a deposição de metais a laser, é considerada a segunda maior máquina do mundoFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Em alas distintas, os laboratórios do Instituto de Inovação de Sistemas de Manufatura e do Instituto de Inovação em Processamento a Laser têm equipamentos de última geração e técnicas computadorizadas que permitem a criação de objetos complexos com extrema precisão.

Uma das máquinas, a RPMI 535, que faz a deposição de metais a laser, é considerada a segunda maior máquina do mundo. Invenção americana, ela é a primeira de deposição de metais a laser em atmosfera controlada a entrar em operação na América Latina. Um grupo de americanos está em Joinville com a missão de terminar a instalação e realizar o treinamento operacional do equipamento.

Jhonattan Gutjahr, doutorando em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é um dos que recebe capacitação. Segundo ele, com a RPMI 535 é possível processar em 3D peças de alta complexidade por meio de feixes de laser, que podem ser utilizadas em indústrias como a naval e aeronáutica.

– Uma das vantagens desta máquina é que ela é uma atmosfera inerte, então cada processamento é feito de forma com que a atmosfera fique com menos de 10 ppm (partes por milhão) de oxigênio interno e isso não é comum em nenhum tipo de equipamento. É específica dele e isso possibilita, por exemplo, processar em alta qualidade peças de titânio, que têm alta reatividade e que nenhuma máquina consegue fazer – afirma.

A mesma máquina, que teve custo de R$ 10 milhões, também possibilita fazer cortes e soldas a laser de metais complexos, além de revestimentos internos em tubos, que representam grande vantagem para as áreas de petróleo e gás. Outro sistema, de fusão seletiva a laser (SLM), transforma pó metálico em peças sólidas. A produção do material é feita camada por camada com uma fonte de laser, que varre o leito de pó e funde a peça de acordo com o projetado no arquivo 3D.

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