Loetz: "A criminalidade perturba a vida individual e afasta as pessoas do convívio comunitário" - Economia - A Notícia

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Livre Mercado18/08/2017 | 19h24Atualizada em 18/08/2017 | 19h25

Loetz: "A criminalidade perturba a vida individual e afasta as pessoas do convívio comunitário"

Colunista faz análise dos efeitos da violência nas cidades

Loetz: "A criminalidade perturba a vida individual e afasta as pessoas do convívio comunitário" /

O que há em comum entre Barcelona e Joinville? À primeira vista, a resposta é: nada. Sim, assim parece ser. Realidades diferentes, mundos diversos, culturas variadas. Comportamentos cosmopolita e provinciano, respectivamente. Se é assim, tão pouco similares entre si, por que tratar desse assunto neste espaço?O tema em comum é o do terror. Dirão alguns que a afirmação é um absoluto absurdo; completo despropósito. Veremos que o raciocínio é simples, a comprovar que cuidar dessa temática não é nada inadequado. 

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Barcelona viveu, nesta semana, dias de pânico em função de ataques de terroristas em pontos cultuados pelos turistas – aos milhares – , a visitar uma das mais modernas cidades do planeta no verão europeu. Terror em estado puro –e no limite daquilo que uma sociedade pode suportar e que tem a obrigação de combater com máximo rigor. Inclusive pedir explicações e cobrar, energicamente, ações das autoridades para evitar se repetir esse tipo de situação. 

A sociedade de Joinville não sofre ataques terroristas. Mas tem, sim, um quê de desconforto agudo no seu cotidiano. Nada que sugira ações armadas orquestradas, como ocorreu por lá. Mas furtos, assaltos, roubos e, embora tenhamos tido relativa calmaria nos últimos 30 dias, também assassinatos nos tiram a tranquilidade. Com facções criminosas infiltradas em vários bairros, a seduzir jovens a ingressar no mundo da violência nada gratuita. 

Nada gratuita porque o mundo do crime é um mundo de negócios repleto da disseminação de drogas, a espalhar a desestruturação familiar pelas variadas regiões do município. Há, também, outros tipos de terror cotidiano. Que nem de longe se assemelham ao que foi descrito acima, mas que deixam os joinvilenses perplexos. Já vou tratar delas.

A criminalidade, com características próprias, em cada lugarejo ou metrópole, perturba a vida individual e afasta as pessoas do convívio comunitário. Esta circunstância, tão conhecida por muitos, atrai e repele atividades econômicas. Atrai negócios relacionados a produtos e serviços de segurança. Inibe a ida a ambientes, onde a multidão se aglomera. 

Claro que estes fenômenos sociológicos são mais perceptíveis em cidades grandes, nas quais o descontrole sobre os bandidos e a escassez de recursos e aparato para combatê-lo se espalha. Além da essencialidade de se defender da bandidagem, o que, em última análise, significa comportamento reativo, é necessário que a sociedade reflita sobre o tipo de comunidade que quer ter. Nesta concepção, não se procura tão somente visualizar os fatos acontecidos e nem amparar o debate em torno de números de crimes. 

A civilização passa, necessariamente, pela noção – válida individual e coletivamente – de como nós nos percebemos. Relevante, portanto, é cada um de nós se perguntar: qual é tua sensação de (in)segurança em Joinville? Para se ter uma ideia de nós mesmos, devemos perguntar que sociedade somos e o que queremos ser. Em relação à sensação de (in)segurança, algumas perguntas se impõem:
Você já foi assaltado?
Você conhece alguém que já foi assaltado?
Você já teve sua casa arrombada?
Você conhece alguém que teve sua casa arrombada?
Você já viu um assassinato?
Você conhece alguém que viu um assassinato?
Você se sente seguro onde mora?
Você tem medo de sair de casa de noite?

Há lugares que você evita frequentar porque tem medo? Agora que o leitor já respondeu, para si mesmo a estas perguntas, fica mais fácil compreender o que pretendi expor no início deste artigo. Sim, cada um de nós já viveu o terror de perto. De forma diferente, e com consequências distintas para a vida. Mas indistintamente, é terror, a se mostrar no cotidiano.

Há, também, outros tipos de ¿terror¿ cotidiano. Que nem de longe se assemelha ao que foi descrito acima, mas que deixam os joinvilenses perplexos. São os dramas de quem tem de atravessar a cidade para sair de casa e trabalhar
– há casos de viagem que demora mais de uma hora, se o estudante ou trabalhador for de ônibus aos seus destinos.

Há o ¿terror¿ de ter de desviar dos infindáveis buracos (crateras, por vezes), a nos acompanhar em dezenas e dezenas de ruas em todos os bairros da cidade, onde obras essenciais são feitas. Pena que muitas dessas obras permanecem inconclusas depois de muito tempo. Este não é um terror que mata; é um ¿terror¿, na linguagem popular, que irrita e perturba.

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