Em Joinville, Miriam Leitão afirma: não haverá reformas trabalhista e previdenciária neste ano - Economia - A Notícia

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Livre Mercado11/06/2017 | 20h19Atualizada em 11/06/2017 | 21h25

Em Joinville, Miriam Leitão afirma: não haverá reformas trabalhista e previdenciária neste ano

Ela participou da Feira do Livro de Joinville e concedeu entrevista exclusiva para o colunista Claudio Loetz


Para a comentarista de economia, Michel Temer se dedicará a manter o mandato até 2018 Foto: Mauro Artur Schlieck / Divulgação

A jornalista Miriam Leitão fez palestra na Feira do Livro de Joinville no sábado, para centenas de pessoas no Teatro Juarez Machado. A experiente profissional é clara: não haverá reformas trabalhista e previdenciária neste ano.

Argumenta que o presidente Michel Temer estará empenhado em tentar salvar seu mandato e garantir a permanência no cargo até dezembro de 2018. Neste momento, não há clima para tentar aprovar as reformas, avalia a comentarista da GloboNews.

A seguir, os principais trechos de entrevista exclusiva concedida ao jornal ¿A Notícia¿.

O País passa por sua mais séria crise da história. O governo está envolvido em escândalos de corrupção, o presidente sob suspeitas e acusações gravíssimas. Como avalia o ambiente atual?

Miriam Leitão – A situação é particularmente grave. Já vivemos outras crises importantes. Até aqui, a que mais impacto teve foi no período Collor, de 1990/92. Mas nada se compara ao quadro de hoje. Há alguns sinais positivos na economia, sim, mas as dificuldades na política impedem avanços.

Temer quer apoio para votar e aprovar as reformas trabalhista e da Previdência ainda neste ano. Isso é razoável?

Miriam – Não haverá reforma alguma neste ano. O governo não tem o menor comando para viabilizar isso. Agora, Temer vai agir e concentrar as melhores horas de cada dia para tentar permanecer no poder até o fim de seu mandato. Nem isso sabemos se vai acontecer. Temos de ser realistas. A absolvição no TSE não significa obter apoios no Congresso.

Como ficará, então, a agenda?

Miriam – A agenda das reformas não deve ser a agenda de um governo, de um presidente. As reformas têm de ser uma agenda brasileira.

No ano que vem, haverá eleições presidenciais. Como a classe política e os políticos tradicionais estão desmoralizados, que lideranças podem surgir até lá?

Miriam – Há líderes em todas as áreas. Líder não é só o líder político. Líder é aquele que faz seu trabalho com valor acima da média – e é reconhecido por isso. Não sei, você não sabe, ninguém sabe quem vai emergir. A democracia encontrará solução.

O Tribunal Superior Eleitoral, que absolveu a chapa Dilma-Temer, apesar de todas as provas de corrupção, desmoralizou a Justiça?

Miriam – Não diria isso. O TSE... Vimos, nesta semana, o TSE renunciar ao seu papel. Ficou claro que o TSE, que a Justiça Eleitoral têm problemas.

Na economia, há boas notícias. Inflação domada... E más notícias.

Miriam – A pior notícia é o elevado índice de desemprego. No começo do governo Dilma, estávamos com 6 milhões de trabalhadores desempregados; ao término, havia 12 milhões. Agora, já temos 14 milhões de brasileiros sem ocupação. E não há perspectiva de reversão disso no curto prazo.

A boa notícia?

Miriam – A boa notícia é a inflação abaixo da meta oficial do governo. A lembrar, há um ano, a inflação estava em 9,5%; hoje, em apenas 3,5%. Isso ajuda na queda da taxa de juros. Aliás, os juros (taxa básica Selic) continuarão caindo. As contas externas também estão bem. Vejo que não teremos crise inflacionária. Vejo que não teremos crise cambial. Vejo que os bancos passam por ¿testes de estresse¿ frequentes. E o Banco Central intervém quando necessário. Outro fator positivo é que, com a Operação Lava-jato, haverá menos corrupção.

O ¿inverno¿ acabou?

Miriam – Não. Vai ser longo o ¿inverno¿.

No mundo dos negócios, os investidores olham para nós e pensam o quê?

Miriam
– O momento é especialmente turbulento. Os investidores sabem das potencialidades brasileiras, reconhecem nosso mercado gigante. O Brasil não é um país do futuro, como se dizia há vários anos. O Brasil é um país super fechado ao mundo. E é problema isso. Tem de aumentar sua inserção global. Tem de estar ligado à cadeia global de suprimentos.

O empresariado sempre viveu à sombra de vantagens obtidas junto a governos.

Miriam – Sim, é verdade. Os empresários sempre buscaram subsídios desde os anos 70 do século passado. Pediam e conseguiam financiamentos favorecidos no BNDES. O protecionismo é defesa.

Logística é problema grave de competitividade. A Federação das Indústrias de Santa Catarina reclama isso há muito tempo.

Miriam – É urgente se investir em melhoria da logística. O País é continental. Precisa ter transporte menos oneroso para os negócios. O Brasil terá de olhar para isso.

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