Falta de qualificação dificulta recolocação de joinvilenses no mercado de trabalho  - Economia - A Notícia

Versão mobile

Indústria 4.025/05/2017 | 14h03Atualizada em 25/05/2017 | 14h03

Falta de qualificação dificulta recolocação de joinvilenses no mercado de trabalho 

Falta de vagas preocupa Jaqueline e Reginaldo.  Saldo positivo de vagas em 2017, não é garantia de encontrar emprego

Falta de qualificação dificulta recolocação de joinvilenses no mercado de trabalho  Salmo Duarte/Agencia RBS
Mecânico Reginaldo Carmo na fila Centro Público de Atendimento ao Trabalhador (CEPAT) Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

O saldo positivo de 2.056 vagas abertas na indústria, em 2017, não é garantia de recolocação rápida no mercado de trabalho. Além da crise econômica, a falta de mão de obra qualificada também está entre os fatores determinantes para que o índice de desemprego se eleva-se.

Como a indústria de Joinville se prepara para o futuro em meio à crise

Conheça as indústrias que se instalaram em Joinville desde 1881

De acordo Mario Cesar de Aguiar, a substituição laboral por máquinas mais inteligentes estão exigindo profissionais cada vez mais qualificados para ocuparem os postos de trabalho na indústria. A falta desses profissionais hoje é apontada como um dos fatores para o aumento no número de desligamentos. 

Mudança no perfil do trabalhador pode ser benéfica para o mercado de emprego, diz economista

Para vice-presidente da Fiesc, setor industrial passa por uma profunda transformação

O desenvolvimento dessas tecnologias demandam uma mão de obra mais qualificada e isso acaba substituindo parte dela. Esse é uma questão bastante significativa e que nós devemos estar preparados para enfrentá-la à medida que deve crescer ainda mais essa dependência da indústria 4.0 - destaca.

Os reflexos dessa demanda já são sentidos pelo mecânico Reginaldo Carmo, de 29 anos. Ele era uma das cerca de 50 pessoas na fila de atendimento do Centro Público de Atendimento ao Trabalhador (CEPAT),na última segunda-feira. Ele estava lá para dar tentar dar entrada no seguro-desemprego.

Desempregado há cerca de um mês, essa foi a segunda demissão pela qual passou em menos de um ano. Segundo ele, por ter cursado somente até a 6ª série, acabou não recebendo oportunidades decrescimento dentro das empresas. Agora ele busca mais qualificação para voltar ao mercado.

— De sete anos para cá caiu bastante o número de vagas. Agora a gente sai de casa, distribui currículos aqui e ali, mas dificilmente é chamado. Hoje estão dando mais valor para quem tem formação no papel do que na prática, que também deveria contar — disse ele. 

Jaqueline da Cunha no Centro Público de Atendimento ao Trabalhador (CEPAT) Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

A falta de vagas também preocupa Jaqueline da Cunha, de 22 anos. Ela trabalhava na linha de produção de uma empresa por quase três anos e nesse tempo ficou grávida. Como a função era repetitiva, foi trocada de área e permaneceu na empresa até a criança completar um ano. Depois,em outubro, foi mandada embora devido a baixa demanda nas linhas de produção e ainda não conseguiu retomar o serviço

— Quando fui para a rua as demissões eram frequentes. Na segunda-feira eram 15 demitidos, na terça seguinte, 16, e assim estava indo até que me mandaram embora. Ainda tento voltar e penso em retomar os estudos, mas assim que começar a trabalhar ficará difícil conciliar — lamentou.

Indústria é responsável por 37,6% da economia do município

O primeiro trimestre de 2017 representou uma esperança para quem busca por emprego nas indústrias de Joinville, setor responsável por 37,6% da economia do município. Acumulando saldos negativos desde 2014, o setor é responsável por 37,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, e voltou a contratar mais do que demitir nos quatro primeiros meses do ano.

No período foram registradas 10.380 admissões formais contra 8.324 desligamentos. A alta foi puxada pela construção civil, que teve saldo positivo de 497 vagas, e a área metalmecânica (+ 477). A construção civil havia apresentado o maior saldo negativo no ano passado, quando fechou 725 vagas em comparação ao número de contratações.

Conforme dados disponíveis pelo Observatório da Indústria Catarinense, o mercado industrial joinvilense vinha acumulando maior número de fechamentos do que aberturas de vagas há três anos. Em 2016 houve retração de 1.600 postos de trabalho.

No auge da crise econômica brasileira, em 2015, a diferença foi ainda maior: redução de 8.678 vagas. O último saldo positivo, no ano, havia sido acumulado em 2013. Na época foram contabilizadas 2.705 contratações a mais do que demissões.

Confira quais são as competências essenciais do profissional do futuro 

Crise no governo pode frear recuperação 

Para o presidente da Associação Empresarial de Joinville, Moacir Thomazi, e o 1° vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, a crise pela qual o País passou foi determinante para os resultados negativos. Para ambos, a recuperação se deve a estabilização econômica e a retomada do crescimento, porém, eles acreditam que a crise que atinge o governo de Michel Temer desde a semana passada, pode influenciar nos resultados dos próximos meses.

— Havia muito otimismo, o número de empregos registrou superávit e a economia mostrava reação, mas agora existe um quadro quase pessimista decorrente da `hecatombe¿ que ocorre em Brasília. Se houver uma solução a curto prazo, Santa Catarina não deve sofrer grandes consequências, do contrário, podemos voltar para a situação em que nos encontrávamos — avalia, Thomazi.

A incerteza é sentida também por Aguiar, que acredita que a força dos industriais pode ser determinante para a continuidade da recuperação econômica.

— Os fatos que ocorreram nessa última semana pegaram os empresários de surpresa e colocaram em cheque esse otimismo, mas os industriais certamente irão arregaçar as mangas e sabem da necessidade de ter confiança no futuro do País. Isso talvez demande um pequeno lapso temporal, mas acreditamos que o Brasil esteja no caminho certo da retomada econômica — pondera. 

 
 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaOcorrências de assalto assustam moradores da Praia do Sonho, em Palhoça https://t.co/Ex5LPAOSPF #LeianoANhá 2 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaPacientes com hipertensão pulmonar reclamam da demora na liberação do remédio em Joinville https://t.co/j2tgmaD8KE #LeianoANhá 3 horas Retweet
A Notícia
Busca
clicRBS
Nova busca - outros