"Esperamos retomada de segurança pra que os negócios voltem à normalidade", diz Nivaldo Pinheiro, da Procave - Economia - A Notícia

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Entrevista28/05/2017 | 10h03Atualizada em 28/05/2017 | 10h03

"Esperamos retomada de segurança pra que os negócios voltem à normalidade", diz Nivaldo Pinheiro, da Procave

Construtor foi eleito Empresário do Ano em Itajaí

Foto: divulgação / Divulgação

O empresário Nivaldo Pinheiro recebeu nesta sexta-feira o Troféu Empresário do Ano da Associação Empresarial de Itajaí (ACII). Nascido em Agronômica, ele conheceu o trabalho no campo, foi servidor da prefeitura de Blumenau e corretor de imóveis antes de construir uma das empresas mais sólidas do mercado de luxo em Santa Catarina. Nesta entrevista, ele fala sobre economia, planos futuros e projetos para Itajaí.

O senhor foi eleito empresário do ano em ano de crise. O que fez a diferença?
Foi uma surpresa muito grande. Mas o nosso principal empreendimento hoje está em Itajaí, que é o Brava Home. É um projeto muito avançado, especialmente na questão ambiental, e isso imagino que tenha chamado atenção do empresariado. Também temos o lançamento do Brava Mall, junto com um shopping Premium, e o investimento na hotelaria, com o Absolute Hotel, todos em Itajaí.

É possível investir em momento de crise?
A Procave começou bem pequenininha, e foi um processo degrau a degrau, bem fundamentado. Nunca fizemos nada que não estivesse ao nosso alcance, não avançamos o sinal vermelho. Procuramos trabalhar com uma faixa de risco menor, e temos um cuidado muito grande hoje quando iniciamos um empreendimento. No projeto, escolha do local. Construímos em 39 anos uma relação de confiança, esse é o maior valor da Procave hoje. Em momentos de crise, isso é tudo.

Em que momento o senhor decidiu transferir a empresa para Balneário Camboriú e Itajaí?
Em 1988 estávamos construindo em Blumenau e surgiu um terreno em Balneário, foi quando começamos. Nosso interesse era o mercado de alto padrão, é um produto de custo mais elevado, e é preciso ter o cliente disposto a pagar por esse produto. Nos anos 90 Blumenau passou por uma crise muito forte, e o mercado começou a ter problemas. Em Balneário era o contrário. Em 2001 decidimos então encerrar em Blumenau e trabalhar em Balneário e Itajaí.

Por que o senhor considera o Brava Home sua principal obra?
Foi uma aposta, sempre enxerguei ali muito potencial naquela região. Localização é um dos fatores mais importantes, e a Praia Brava está no meio de dois grandes centros, com uma paisagem extraordinária. Balneário é uma cidade que, pelo custo metro quadrado muito caro, se obrigou a adensar pesado. Como ali ainda tava aflorando, o terreno era barato, foi possível comprar um terreno grande, preservar muito, e fugir do padrão de Balneário Camboriú. Acredito que foi importante para a Praia Brava o Plandetures, a lei que estabeleceu que recursos arrecadados como IPTU, ITBI, solo criado, fossem usado ali. Isso mudou a cara daquela região. Hoje não tem mais terreno para um segundo Brava Home. Eu queria fazer só Brava Homes na minha vida, mas não temos mais terreno naquela proporção para fazer o que fizemos lá. Ali vai ter shopping, escola, vamos também fazer um empresarial, vai ser o empreendimento mais sustentável do sul do Brasil, onde se pode trabalhar, estudar e estrutura comercial à disposição. O que mais estressa hoje é o transito, e isso só agrava a longo prazo. Se há uma estrutura em que possa viver sem usar o carro, é um conforto muito grande.

Esse mercado de alto padrão continua em alta?
É um mercado em que você precisa desenvolver um conjunto de obra com diferencial, nosso cuidado é esse. Projeto e escolha do terreno. É o que a gente sabe fazer, nos especializamos nesse segmento.

O mercado de luxo sentiu a crise?
Com certeza, e é o que lamentamos nesse momento. Em fevereiro, março, chegou-se a uma geração de confiança muito forte, os indicadores estavam positivos. No momento as pessoas estão segurando, com medo de fazer investimento. São dias de expectativa muito forte, que vão impactar nesse fim de ano e no outro também. Esperamos uma retomada de segurança pra que os negócios voltem à sua normalidade.

Foi necessário enxugar a estrutura?
Foi, quando se começa obra não tem como parar. Mas no momento em que termina, no início das novas, é que se faz reavaliação. Ano passado entregamos duas obras importantes, o Brava Home e o Ibiza. Havíamos iniciado também o Absolut e o Brava Mall. Neste momento estamos com diversos projetos engavetados, vamos aguardar dinheiro no bolso.

Quais são os planos para os próximos meses?
A expectativa para o fim deste ano ou primeiro semestre de 2018 é iniciar novas obras, uma em Balneário e outra em Itajaí, estamos trabalhando pra isso, mas a certeza vai se dar nos próximos meses. Sempre gostei de trabalhar com mercadoria pronta e temos um bom estoque, o que nos dá diferencial de mercado. Investimos 100%, então o que vier é base para os novos lançamentos.

O fato de o senhor ter sido corretor de imóveis mudou sua visão enquanto construtor?
Sim, porque na área comercial se aprende muito a ouvir o cliente, e vamos buscando isso nos projetos. Eu gosto da área comercial, gosto de participar dos projetos, sou criterioso.

Como o senhor vê o desenvolvimento de Itajaí para os próximos anos?
Esta região, Itajaí, Navegantes e Balneário Camboriú, tem que formar um núcleo de ações conjuntas. Estamos na melhor localização do Estado para negócios. Temos praia, rede hoteleira, portos, aeroporto, temos tudo pra sermos uma importantíssima região de negócios. Precisamos de duas coisas, a privatização do aeroporto de Navegantes, com modal logístico completo, como um mini Viracopos. E a segunda, a privatização do Porto de Itajaí. Não tem por que ter um porto federal, com concessão privada e administração municipal. Não se pode perder a logística. Se tivermos a competência e a coragem de nos liberarmos da vinculação à administração pública, o importante é que o porto funcione bem e gere a riqueza que a cidade precisa. Se conseguir isso, a cidade vai explodir.

 
 

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