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Indústria 4.025/05/2017 | 10h23Atualizada em 25/05/2017 | 15h55

Empresas de Joinville apostam em tecnologias inteligentes na produção 

Novo modelo de indústria muda a forma como pessoas, objetos, sistemas e máquinas se relacionam nas fábricas

Empresas de Joinville apostam em tecnologias inteligentes na produção  Salmo Duarte/Agencia RBS
Empresas instaladas na cidade lideram a busca no País por atualização e desenvolvimento de tecnologias inteligentes Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Você já ouviu falar em indústria 4.0? Ainda pouco familiar no Brasil, a iniciativa, que é responsável por conectar o mundo digital ao universo das fábricas, vem ganhando destaque na indústria de Joinville. Empresas instaladas na cidade lideram a busca no País por atualização e desenvolvimento de tecnologias inteligentes que estão mudando a forma como pessoas, objetos, sistemas e máquinas se relacionam.

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Considerada a 4ª Revolução Industrial, a indústria 4.0 foi instituída na Alemanha em 2011, e consiste na informatização dos processos de manufatura. Ela difere do início dos sistemas de automação nas fábricas, na década de 1970, e permite que máquinas passem a trocar dados,  real, com auxílio da internet. Isso significa que já é possível incorporar sistemas cyber-físicos em toda a cadeia produtiva, integrando máquinas, sistemas e ativos, antes isolados, a uma única rede big data. A transformação promete reduzir falhas, melhorar a eficiência e aumentar a produtividade das fábricas. 

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No ano passado, Joinville se tornou referência deste novo modelo no País ao ser palco da criação da Associação Brasileira de Internet Industrial (Abii). A entidade conta com organizações de pelo menos sete Estados e é inspirada no Industrial Internet Consortium (IIC), implantado em 2014 nos Estados Unidos pelas gigantes AT&T, IBM, GE e Intel. O consórcio reúne cerca de 300 associados de mais de 30 países, incluindo o Brasil, e tem o objetivo de consolidar a internet industrial no mundo, um dos pilares da indústria 4.0.

Em passagem por Joinville neste mês, o norte-americano Richard Soley, diretor-executivo do IIC, destacou que os frutos dessas inovações devem promover impactos profundos na maneira como tecnologia, indústria e sociedade irão interagir no futuro.

Richard Soley, diretor-executivo do IIC Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

– Essa mudança vai revolucionar o mundo completamente. As pessoas podem chamar de 3ª ou 4ª revolução, mas é a mesma que começou lá atrás, no século 18. A diferença é que agora com a internet é possível a convergência entre tecnologia da informação (TI) e os sistemas operacionais, que antes não acontecia. Essa hiper conectividade permite reunir informações que antes não se acreditava ter acesso. É um passo enorme porque essa conexão pode gerar transformações em diversas áreas, inclusive econômicas, pode ajudar a salvar vidas ou a melhorar os sistemas de transporte, por exemplo – diz.

Primeira brasileira a integrar o IIC, a Pollux Automation, empresa de tecnologia sediada em Joinville, é também uma das pioneiras na implantação da indústria 4.0 no País. Ela já soma mais de mil soluções de manufatura avançada, robótica e internet industrial implementadas em diversas indústrias. 

Segundo José Rizzo, sócio da companhia e atual presidente da Abii, o movimento está começando a ganhar forma no Brasil e é preciso que as empresas invistam nessas mudanças para acompanhar o fluxo internacional e se manterem competitivas no mercado. Para ele, Joinville se destaca no cenário nacional ao evidenciar a importância da indústria 4.0. Em um ano, a Abii conseguiu a adesão de 25 organizações, sendo que entre 70% e 80% delas atuam na região. Além da Pollux, fazem parte do grupo as empresas Embraco, Totvs, Senior e a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

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– Joinville saiu na frente e é privilegiada nesse aspecto porque temos uma indústria forte e muitas empresas ligadas à tecnologia. A ABII é formada na maior parte por empresas de Santa Catarina, mas como tem abrangência nacional pode ser que lá na frente essa realidade mude. Joinville tem que aproveitar o fato de estar puxando esse processo e garantir que, se lá na frente não for a principal cidade, vai continuar importante dentro dessa temática – aponta.

Dados revelados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no ano passado, mostram que as empresas brasileiras já sinalizam para a necessidade de inserir tecnologias digitais no setor. Em uma pesquisa feita com 2.225 fábricas, de diversos tamanhos e segmentos, um total de 58% sinalizou ter ciência da importância em abarcar a integração digital para a competitividade da indústria brasileira. Porém, apenas 48% delas utilizam alguma tecnologia inovadora dentre dez listadas pela entidade, sendo 63% entre as grandes empresas e, 25%, nas pequenas.

O levantamento aponta ainda que o uso de tecnologias digitais também é maior nos setores de alta tecnologia. Entre as companhias de setores mais tecnológicos , 47% delas abarcam pelo menos uma novidade digital. O número cai para 36% naquelas em que os segmentos envolvem baixa tecnologia.

Digitalização de processos promove competitividade

Luciano Lopes, gerente corporativo de TI na Embraco, empresa de compressores para refrigeração sediada em Joinville, destaca que o desenvolvimento digital cresce à medida que as empresas entendem que a comunicação entre máquinas, redes e dispositivos traz benefícios tanto para o ser humano quanto para as próprias empresas. Conforme ele, a digitalização de processos promove maior assertividade e reflete na competitividade de mercado. 

Luciano Lopes, gerente corporativo de TI na Embraco Foto: Andre Kopch / Divulgação

– Essas empresas procuram o desenvolvimento digital para tentar errar menos, acertar mais e acelerar o seu processo de se manter lucrativa. Aquelas que têm uma tecnologia já implementada se beneficiam porque tecnologia ligada a velocidade e a produtividade, contribui na tomada de boas decisões. Seja para produzir mais, seja para produzir menos ou a quantidade exata para o mercado – avalia.

Apesar dos resultados esperados, ainda há dificuldade na implantação de recursos digitais, segundo a CNI, em decorrência dos custos, considerados elevados para 66% das empresas. Na sequência, aparecem entraves como a clareza na definição do retorno sobre o investimento (26%) e a estrutura e cultura da empresa (24%).Lopes informa que o impacto gerado pela internet industrial, mais abrangente que a indústria 4.0, já está presente no ambiente das micro e pequenas empresas, mesmo que de forma automática e sem necessidade de grandes investimentos.

– Tendo acesso a internet e a um dispositivo inteligente, como um smartphone ou um sistema de teletrabalho, por exemplo, ela já está com um consumo forte de internet industrial – exemplifica.

Na visão de José Rizzo, presidente da Abii, a adesão às novas tecnologias digitais, mesmo as que exigem investimentos, já estão mais acessíveis, já que ¿o que perfaz a internet industrial são sensores responsáveis por coletar, gerar e analisar dados e eles estão mais baratos.¿

– Atualmente, já não é algo que exige um grande investimento e consequentemente pode ser feito tanto pelas grandes empresas quanto por empresas menores. O que importante é que a liderança da empresa entenda o que é a internet industrial e adotá-la – salienta.

Robotização de processos é o caminho

A adesão de tecnologias inovadoras ainda passa por um processo de evolução em Joinville. A cidade detém 3.313 das 52 mil indústrias de Santa Catarina, como aponta o Observatório da Indústria Catarinense, mas poucas já adotaram práticas ligadas à internet industrial. Em contrapartida, os setores de produção das fábricas começam a ganhar aliados como robôs colaborativos, capazes de testarem e analisarem a qualidade de produtos em série, além do desenvolvimento de sistemas de rastreabilidade. O uso de braços mecânicos automatizados, em substituição a trabalhos repetitivos e insalubres, também já é uma realidade.

Criadora do conceito de robô como serviço, a joinvilense Pollux Automation é tida como pioneira da indústria 4.0 no País. A empresa implementa sistemas de manufatura avançada, robótica e internet industrial em fábricas que atuam em países da América Latina. Já são mais de mil soluções efetivadas nos últimos 20 anos. A empresa também é responsável por programar e instalar robôs colaborativos, vindos da Dinamarca, de acordo com as demandas da indústrias. Os robôs são capazes de realizarem tarefas repetitivas em menor tempo e com alto grau de precisão e segurança.

De acordo com a empresa, já foram instalados mais de cem deles em unidades fabris do Brasil. A promessa é de que o recurso automatizado gasta menos energia, gera economia financeira e reduz falhas e desperdícios nas linhas de produção. Conforme o sócio da Pollux, José Rizzo, um dos principais consumidores dessas tecnologias são as indústrias automotivas.

– Temos um time de engenharia que projeta e fabrica linhas de montagem, principalmente para a indústria automotiva. Costumamos falar que 80% dos carros que rodam no Brasil hoje tem componentes, sistemas, que passaram por linhas da Pollux – destaca.


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