Claudio Loetz: Enquanto nada se define, o País implode internamente - Economia - A Notícia

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Livre Mercado19/05/2017 | 06h02Atualizada em 22/05/2017 | 13h01

Claudio Loetz: Enquanto nada se define, o País implode internamente

A economia sofrerá abalos. Será o efeito direto da publicação das gravações de conversa do presidente Michel Temer

'O esforço de retirar o País da recessão pode se tornar inútil'. A frase é do presidente Michel Temer, em pronunciamento no qual afirmou que não vai renunciar, em meio à convulsão política de um governo que não existe mais. Ao dizer que não vai renunciar, Temer quer dizer que não vai renunciar ao foro privilegiado. Despista: 'Não preciso de foro especial'. Se isso fosse verdade, o caminho da renúncia seria o caminho óbvio.Mas na política, muitas vezes, o que se diz em público não é o que se efetivará na prática. Enquanto nada se define, o País implode internamente.

Foto: nelson almeida / AFP

 No momento em que os dados macroeconômicos surgiram mais animadores.A efervescência política vai mudando as coisas à medida que os fatos vão se atropelando em razão de conversas de bastidores. A divulgação das fitas das gravações dará o tom ao desfecho. Se Temer insistir em ficar, será removido adiante. Neste caso, talvez traumaticamente.

Os empresários joinvilenses trocaram mensagens e telefonemas ao longo do dia. O presidente da Associação Empresarial de Joinville, Moacir Thomazi, resume: a renúncia de Temer é o menos ruim que pode acontecer. O nosso sentimento geral é de preocupação e de tristeza. Tristeza porque, se não houver solução rápida, vamos ter de começar do zero, principalmente nas questões que envolvem as reformas. 


Bolsa em queda
A Bolsa recuou perto de 9%, no pior dia desde 22 de outubro de 2008!Com os desdobramentos dos fatos, acontece o óbvio: o mercado financeiro trava, o dólar avança às alturas, os investidores se recolhem, o risco-país sobe, a incerteza generalizada domina a cena. Até mesmo no exterior há perplexidade e temor. A crise brasileira é assunto da revista The Economist desta semana e de programas inteiros em TV francesa, por exemplo. Ainda na frente econômica, a votação das reformas trabalhista e da Previdência vão demorar para acontecer, e o Comitê de Política Monetária (Copom) certamente vai rever a intenção de reduzir fortemente a taxa de juros básicos no curto prazo.

Interessado em viajar para o exterior?
A cotação do dólar às 14h11, na casa de câmbio Confidence, em Joinville, estava em R$ 3,56 (em moeda). Às 16h59, o valor já tinha subido dois centavos. Houve momentos em que os negócios com dólar, em outras agências, foram suspensos, dadas a volatilidade e as incertezas.A este preço, que tanto pode subir, quanto descer, é bem provável haver muitos cancelamentos de viagens internacionais. 

Há pouquíssimos dias, o dólar valia menos de R$ 3,30. Conversamos com vários empresários joinvilenses nesta quinta-feira. Todos apreensivos, um tanto atônitos. A melhor frase, que explicita a percepção do momento, vem do presidente do Sindicato da Indústria Plástica de Santa Catarina, Albano Schmidt: – Cautela e canja de galinha são o prato do dia.

Nota da Abimaq

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) emitiu nota num tom absolutamente desconexo em relação à realidade política. Quer que, ¿independentemente do momento atual vivido no Brasil, o Poder Legislativo precisa dar continuidade à agenda de reformas: previdenciária, trabalhista, tributária e da medida provisória 774, que trata do Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Sonhar não paga imposto.


O futuro
Convocação de eleição indireta? Autorização para um processo de impeachment? A solução para o impasse político-institucional é o menos importante neste day after. Não que o formato, a ser manejado nos bastidores, seja irrelevante, mas, neste primeiro momento, a preocupação é com o salve-se quem puder. Não há ninguém tranquilo. Nem em Brasília, nem em São Paulo – polos irradiadores dos campos político e econômico. Até na nossa planície periférica ao centro das decisões nacionais há espanto no ar. A renúncia implicaria a perda do foro privilegiado. Aí, se pavimentaria o caminho para ser processado na primeira instância, com visita ao juiz Sérgio Moro. O Brasil vai pegar fogo. A economia sofrerá abalos. Será o efeito direto da publicação das gravações de conversa do presidente Michel Temer.Há exatamente um ano, Michel Temer governa o Brasil aos trancos e barrancos, dada sua baixíssima legitimidade para assumir o posto. Se Dilma era odiada pela elite, Temer perdeu todas as condições políticas e morais para continuar. 

Imprevisível

Chegou a hora da verdade, e tudo dentro das regras jurídicas em vigor.Para além do ambiente político, a resposta imediata à denúncia contra Temer veio do mercado financeiro. A Bolsa de Valores acionou o mecanismo de circuit breaker, num movimento de proteção contra quedas generalizadas das ações, dada a instabilidade aguda vivida no dia. O circuit breaker acontece quando o índice Bovespa recua mais de 10%. Na prática, significa uma parada nas negociações das ações, para que os investidores e operadores do mercado possam se reposicionar. Tudo causa. Neste emaranhado, há várias hipóteses e possibilidades intraconstitucionais colocadas na mesa de apressadas negociações. 

Fala-se, abertamente, numa eventual mudança constitucional imediata, de modo a se viabilizar eleição direta em 90 dias, depois da saída de Temer. Improvável, hoje.A imprevisibilidade é crescente. Era frenético o vaivém de helicópteros na região da avenida Faria Lima, em São Paulo, o coração dos negócios da capital paulista. Bem neste dia de turbulência, em Joinville, o deputado federal Jair Bolsonaro, da extrema-direita, fez palestra no Sítio Novo, à noite. Bolsonaro é pré-candidato a presidente da República.A pressão pela renúncia cresce hora a hora. No meio político – e também no meio empresarial e das finanças, nunca o verbo temer foi tão conjugado.

 A saber:
Eu temo por novas delações.
Tu temes pelas revelações.
Ele (ela) teme ser delatado(a).
Nós tememos ser presos.
Vós temeis Sérgio Moro.
Eles (elas) temem a Polícia Federal.

 
 

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