A transição na indústria começou, mas você não sabe - Economia - A Notícia

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Livre Mercado26/05/2017 | 08h27Atualizada em 26/05/2017 | 08h27

A transição na indústria começou, mas você não sabe

A capacidade de se transformar e de se adaptar às futuras circunstâncias vão ditar a história dos sobreviventes, avalia colunista Claudio Loetz  


Nas escolas as aulas são dadas por um professor, em pé, com alunos sentados em carteiras enfileiradas. Esse é o nosso velho modelo de aprendizagem. Desatualizado e em desconexão com o mundo virtual e de relações instantâneas. O trabalhador que chegar ao local do serviço com dez minutos de atraso, às vezes é mandado de volta para casa. Punição.

Confira especial sobre a indústria 4.0 

Esse é o nosso velho modelo de comprometimento e gestão. Não é raro que o trabalhador desconheça o que os códigos das máquinas modernas indicam fazer. Essa é a nossa velha qualificação. É pouco comum ver empreendedores dispostos a investir, contínua e fervorosamente, um percentual razoável de seu faturamento em inovação, orientando para o efetivo desenvolvimento de pessoas. Esse é o nosso velho formato de competitividade. Empresários e trabalhadores ainda acreditam que viver o momento é o que importa. 

Um olhar ilógico e distante do que está por vir não é incomum: indivíduos só enxergam o hoje, e anotam os dias de feriados; e donos de negócios enxergam como ganhar mais, não importando como, em busca do lucro imediato. Ambos - trabalhadores e empresários - com este viés comportamental, - miram o passado, enquanto deveriam ter de olhar para o adiante. Sem isso, evidentemente não haverá futuro. Neste contexto de perplexidades, as transições, em sua fase inicial, sempre causam apreensão. Há uma certa angústia, de parte a parte.

O jogo da inovação e da expansão, com o objetivo de perenizar os empreendimentos, depende, fundamentalmente, de três fatores:

1- a mudança de modelo mental, de modo a se compreender que o mundo está em processo de revolução tecnológica inevitável;
2 - querer fazer parte dessa onda logo, de modo a ser uma das referências desde o começo; e
3- ter acesso ao conhecimento e ao capital indispensáveis, a promover esta revolução na prática.

Sem isso, a indústria viverá do passado. Aliás, não sobreviverá porque o eterno comportamento reativo cria, cada vez mais, uma defasagem entre o hoje vivenciado e o esperado para o amanhã. A ideia de que preparar-se para o que virá é desnecessário porque, "no momento certo", isso "inevitavelmente ocorrerá", é um raciocínio que condenará à exclusão do mercado daqui a alguns anos.A exigência é ser pró-ativo.

O mundo capitalista será implacável com os omissos e destruirá riquezas geradas até agora. Verdadeiros líderes empresariais têm a obrigação de liderar transformações radicais no modo de gerir. Seguir vocacionadoapenas para o tradicional, num momento histórico de inflexão profunda do modelo industrial e econômico é o caminho natural para a queda.Novos impérios serão construídos à base de conhecimentos científicos e de escolhas racionais amparadas na compreensão do novo.

Tem razão o presidente da Fiesc, Glauco Côrte, ao dizer que nossas vidas são afetadas por novas tecnologias que facilitam e modificam a maneira como nos comunicamos, e nos movemos.

— A cultura da inovação deve começar na alta direção e na adoção de processos produtivos de extrema eficiência, com pleno aproveitamento de recursos e máxima redução de desperdícios.

Em videoconferência, durante a Jornada pela Inovação e Competitividade, na Fiesc,na quinta-feira, a americana Nancy Tennat, professora-adjunta e CEO da Innovation Universe, argumentou:

— As empresas precisam reconhecer o histórico de inovação de sua empresa; aprender de outras empresas; promover o alinhamento das lideranças; articular o relacionamento da inovação com sua estratégia; definir o seu conceito de inovação; identificar e treinar líderes do processo de inovação; equipar os funcionários com ferramentas para a inovação; identificar eventuais barreiras e superá-las gradualmente e desenvolver uma mentalidade de melhoria contínua para a sua iniciativa de inovação. A inovação deve ser convincente, sustentável, além de criar valor para os acionistas.

Não é por acaso que as empresas mais antenadas já se estruturam em organizações do tipo Associação Brasileira da Internet Industrial (ABII). Robotização, inteligência artificial, automação e controle, desenvolvimento e programação de softwares super conectados à vida cotidiana são apenas alguns exemplos.

Também por isso, há, de parte da prefeitura de Joinville, a preocupação em criar uma nova política de desenvolvimento e competitividade locais. O objetivo é inserir Joinville no novo mundo global daqui daqui a dez a 15 anos. É grande a ramificação de indústrias catarinenses a serem integradas às tecnologias e mentalidades da indústria 4.0. A capacidade de se transformar internamente e de se adaptar às futuras circunstâncias vão ditar a história dos sobreviventes. 


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