Embargo a frangos e suínos preocupa a cadeia logística e portuária em Itajaí e Navegantes - Economia - A Notícia

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Operação Carne Fraca20/03/2017 | 17h46Atualizada em 20/03/2017 | 17h59

Embargo a frangos e suínos preocupa a cadeia logística e portuária em Itajaí e Navegantes

Os terminais das duas cidades exportam 75% da produção catarinense

Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

O embargo de China, Chile e Coreia do Sul à carne brasileira preocupa o trade logístico e portuário de Itajaí e Navegantes, que respondem por 75% da exportação de cargas congeladas em Santa Catarina. A atenção é maior em relação à China, que suspendeu todos os embarques por uma semana, e à Coreia, que bloqueou a importação da BRF, uma das maiores clientes dos terminais locais.

Desde sexta-feira, quando foi deflagrada a Operação Carne Fraca pela Polícia Federal, toda a cadeia de exportação observa a movimentação do governo do Estado e torce para que, com diplomacia, consiga reverter o bloqueio à carne catarinense.

Os portos de Itajaí e Navegantes respondem por 75% das exportações catarinenses de frango e da carne suína, que também representam mais da metade da movimentação nos terminais locais: em janeiro e fevereiro deste ano, corresponderam a 54% das cargas que passaram pelos portos.

Se considerarmos o valor dessas cargas, o impacto é ainda maior. Nos dois primeiros meses do ano, as operações com contêineres reefer (próprios para cargas congeladas) chegaram a R$ 650 milhões, o equivalente a 63% de toda a movimentação financeira gerada pelos terminais. Além da BRF, a JBS, também citada na Operação Carne Fraca, está entre as empresas que utilizam os portos de Itajaí e Navegantes para envio de carne e frango para o exterior.

Superintendente do Porto de Itajaí, Marcelo Salles diz que a operação "caiu como uma bomba":

— Vamos depender da ação do governo do Estado em demonstrar quem é quem. Em Santa Catarina, desenvolvemos uma cultura de fiscalização que vem garantindo excelência. Teremos que ter competência para apresentar esses elementos.

Até esta segunda-feira à tarde, ainda não havia uma manifestação oficial dos exportadores aos terminais e nem impacto sobre as cargas de exportação. Como há um prazo de pelo menos uma semana entre a chegada do contêiner ao porto e sua partida a bordo do navio, o resultado dos embargos deverá ser sentido nos próximos dias.

Os bloqueios chegam num momento em que novos acordos comerciais garantiam o crescimento das exportações de frangos e suínos em Santa Catarina. Em relação ao mesmo período no ano passado, a movimentação já havia aumentado 12% nos portos locais.

Além dos terminais, a região de Itajaí desenvolveu expertise na operação de cargas congeladas, com uma rede de armazéns frigoríficos de alta capacidade, que também deve ser impactada pela possível queda na movimentação. 

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