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Economia02/11/2016 | 06h46Atualizada em 02/11/2016 | 15h02

Uma em cada cinco famílias de SC desconhece o quanto deve

Mercado de trabalho instável e inflação são alguns dos fatores apontados para descontrole nas contas 

Mudanças constantes de trabalho, troca de emprego estável por bicos e outras situações adversas têm levado os catarinenses a perder o controle sobre o que devem. Em outubro, 17,4% dos endividados em SC dizia não saber o quanto de sua renda estava comprometida com parcelas. Foi o segundo número mais alto da série histórica, que começou em 2013. O recorde, de 18,4%, foi registrado em setembro. O ano iniciou com um número bem mais baixo, de 5,4%. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela FecomercioSC nesta terça-feira. 
 
Cidade de tradição industrial - setor que sofreu bastante com a crise -  Joinville lidera no índice. No município do Norte do Estado, 27,3% das famílias afirmam não ter ideia do quanto do orçamento mensal é abocanhado por dívidas. Além disso, é a líder no Estado entre os endividados que dizem não ter condições de pagar todas as contas atrasadas, com 11,1% das famílias nesta condição. Entre os que não sabem quanto devem, Chapecó aparece em segundo lugar (25,8%), seguida por Itajaí (21,6%).

– Quando se perde um emprego estável, isso tende a acontecer. Com certeza é um número muito alto – diz o economista Luciano Córdova, da FecomercioSC.

Para o planejador financeiro e sócio da Par Mais, Jailon Giacomelli, a inflação, que achatou os salários, e a demora na mudança dos hábitos de consumo também podem ser apontados como fatores para esse descontrole.
 
– Vivemos anos de crédito abundante e de repente isso acabou, mas as pessoas tendem a mudar os hábitos de consumo apenas quando já estão em uma situação difícil. Isso faz com que se perca o controle – explica.
 
A falta de planejamento do próprio orçamento mensal, diz Giacomelli, é um dos fatores para o aumento da dívida. Ele recomenda, especialmente para quem trabalha como autônomo, uma reserva para momentos mais difíceis.
 
– Já é difícil fazer planejamento com renda estável, sem isso, então, é mais complicado ainda. É preciso fazer um esforço e separar algum dinheiro para eventualidades – aconselha.

Endividamento aumentou no Estado

Após meses de queda, o endividamento dos catarinenses subiu 0,9 pontos percentuais entre setembro e outubro, a primeira alta desde dezembro de 2015. Em todo o Estado, mais da metade das famílias (57%) estão endividadas. O número, no entanto, ainda é menor do que em outubro de 2015, quando 59,9% dos catarinenses estavam nessa situação.

– Foi uma alta moderada. Ainda podemos dizer que há uma tendência de desendividamento que deve seguir nos próximos meses – afirma o economista da FecomercioSC.

As mais comprometidas são as famílias com maior renda, superior a 10 salários mínimos por mês. Nessa faixa, 62,5% das famílias estão endividadas. O cartão de crédito continua sendo o principal motivador, e responde por metade das dívidas (49,9%).  A seguir vêm os carnês (32,4%), financiamentos de carro (29,8%) e de casa (17,2%).

Em geral, as famílias comprometeram 29,4% de sua renda com dívidas em outubro. Segundo a FecomercioSC, é um nível preocupante, embora ligeiramente menor que os 30% do mês anterior. O resultado está fortemente vinculado às elevadas taxas de juros. Apesar do celebrado corte na Selic no mês passado, ainda é a segunda maior taxa desde 2006. Os juros do cartão, principal agente endividador, bateram recorde em setembro ao alcançarem os 480,3% ao ano, maior taxa desde 2011. 

17,6% das famílias estão inadimplentes

Em outubro, 17,6% das famílias catarinenses estavam com contas vencidas, uma leve queda em relação a setembro, quando foi registrado 17,9%. Contudo, o número de inadimplentes que afirma não ter condições de pagar todas as contas em atraso cresceu, passando a 58,6%. A maior parte das contas está vencida há mais de 90 dias. 

Os resultados, de acordo com a FecomercioSC, são reflexos da desaceleração da renda em termos reais. Com a alta inflação acumulada nos últimos meses, os salários encolheram, o que reduziu a capacidade de pagar as contas. Segundo Córdova, a inadimplência deve permanecer alta, mas estável, sem crescer significativamente nos próximos meses. 

 
 

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