Loetz: "Muitos negócios deixaram de acontecer", diz Célio Valcanaia - Economia - A Notícia

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Livre Mercado 25/11/2016 | 07h32

Loetz: "Muitos negócios deixaram de acontecer", diz Célio Valcanaia

Eleito presidente da Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa (Ajorpeme), ele assume a entidade em 2017 e tem vários desafios

Loetz: "Muitos negócios deixaram de acontecer", diz Célio Valcanaia Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação

consultor Célio Valcanaia foi eleito presidente da Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa (Ajorpeme). Vai dirigir a entidade em 2017. Nesta entrevista, alerta para a necessidade de as empresas adotarem ferramentas de gestão mais atualizadas e expõe as dificuldades de competitividade. Avalia que o quadro de demissões continuará. As prioridades de seu mandato são aumentar a representatividade política, fortalecer os negócios entre os associados e a busca por melhoria de produtividade das empresas.

A Notícia – O senhor foi eleito presidente da Ajorpeme e tem a posse marcada para janeiro de 2017. Quais serão as prioridades de sua gestão?
Célio Valcanaia –
A nossa gestão será focada em três pilares. O primeiro é o da representatividade. Representamos não somente nossos associados, mas todas as micro, pequenas e médias empresas de nossa região. Esta representatividade se dará junto às mais diversas esferas políticas, das quais pretendemos estar próximos para poder nos posicionarmos a favor do que entendermos ser bom para nossos associados e a comunidade. E nos posicionarmos contra tudo aquilo que não seguir esta regra. Queremos estar juntos com a Câmara de Vereadores e a Prefeitura na construção de soluções para uma série de problemas que dificultam nossos negócios. O segundo pilar é fortalecer os negócios entre os associados. Vamos incentivar a interação. Em um universo de quase 2,5 mil empresas, dificilmente haverá algo que não possa ser comprado e vendido entre empresas do universo Ajorpeme. O terceiro é a busca pela melhoria da produtividade das empresas. Isto se dará por meio de novos modelos de treinamento e também da construção de parcerias.

AN – Com a sua experiência profissional, o que o senhor pretende implementar que possa auxiliar os associados?
Valcania –
Minha experiência profissional foi muito focada em modelos de gestão. Hoje, na atividade de consultor, percebo que na maioria dos casos os problemas giram ao redor da gestão e da estruturação do negócio. É neste ponto que pretendemos montar parcerias que permitam aos associados melhorarem a gestão.

AN – Quais são as principais demandas das empresas junto à entidade?
Valcania –
Existem muitas demandas em aberto. A Constituição garante um tratamento diferenciado às micro, pequenas e médias empresas, mas isto não tem ocorrido. Pelo contrário, existem casos em que as dificuldades são maiores que para as grandes empresas. A questão da dificuldade e a demora na abertura de novas empresas sempre nos são questionadas. Junto com a Prefeitura, já conseguimos algumas melhorias e seguimos trabalhando para tornar isto menos traumático.

AN – E no plano nacional?
Valcania –
O Simples Nacional, que deveria ter sido reajustado para R$ 7, 2 milhões para comércios, e R$ 14,4 milhões para indústrias, passou para apenas R$ 4,8 milhões – e somente para 2018. Isto significa menos que a correção da inflação. Vamos botar muito esforço para tentar mudar isso.

AN – Em tempos de crise econômica, quais são as mais importantes queixas dos empresários para sobreviver?
Valcania –
As queixas mais frequentes são a dificuldade de manter os níveis de faturamento, as taxas de juros elevadas, a dificuldade na obtenção de empréstimos e também a dificuldade para reduzir o quadro de funcionários.

AN – O ambiente de negócios continua difícil. Como o senhor enxerga o cenário econômico para 2017?
Valcania –
Acredito que em 2017 já teremos uma retomada do crescimento do PIB, apesar de pequena. Voltando a crescer, a expectativa de novos negócios também retorna. Com isto, penso que teremos novos investimentos. E estaremos nos preparando para um avanço significativo em 2018.

AN – A redução de crédito e o aumento de exigências por parte dos bancos para a concessão de financiamento travaram muitas empresas. Esses fatores determinaram o fechamento de negócios e/ou redução de negócios de forma expressiva em Joinville.
Valcania –
De fato, muitos negócios deixaram de acontecer devido à dificuldade na concessão de financiamentos. Por exemplo: quem fabricava máquinas estava acostumado a financiá-las aos seus clientes por meio de Finame, BNDES e outros mecanismos. Estas opções praticamente deixaram de existir.

AN – Joinville passa por um período de demissões de milhares de trabalhadores. A onda deve continuar?
Valcania –
Não temos um número exato de quantos trabalhadores foram desligados do ano passado para cá. Certamente, grande parte dos desempregados é oriunda das PMEs. Acredito que ainda teremos mais demissões em 2017. As empresas, depois de tudo o que passaram, estão receosas em retomar as contratações. Esperamos que sinais claros de crescimento e estabilidade tragam motivação para que mais trabalhadores possam retomar seus empregos.

AN – A inadimplência das empresas para com seus fornecedores cresceu muito?
Valcania –
A inadimplência ataca toda a cadeia produtiva. Se quem está no topo atrasa seus pagamentos, ou mesmo não consegue pagá-los, toda a cadeia é afetada. Temos, hoje, ao redor de 6% de inadimplência no Brasil. A falta de estrutura das PMEs faz com que tenham maior dificuldade em lidar com inadimplência alta do que as grandes corporações.

AN – Pequenas empresas têm dificuldades para fazer investimentos sistemáticos em pesquisa e inovação e em melhorias tecnológicas. Há solução para o impasse?
Valcania –
Podemos dizer que no Brasil não só as pequenas, como também as grandes, têm dificuldades para investir em pesquisa e inovação. Muito disto é feito com dinheiro dos governos, que neste momento está bastante escasso. Também vejo as empresas reticentes em utilizar novas tecnologias. Creio que os principais motivos são o medo e o desconhecimento das potencialidades, além de ganhos possíveis com novas tecnologias. Na verdade, as ferramentas de gestão de nossas empresas ainda deixam muito a desejar. Precisamos fazer chegar aos nossos associados estas possibilidades.

AN – Como a Ajorpeme pode ajudar as empresas a se tornarem mais competitivas? Há setores com bom desempenho e em crescimento? Quais são? Valcania – A competitividade é relativa. Para tornar uma empresa mais produtiva, é preciso, primeiro, entender onde está o gargalo dela. Com base nisto, é possível definir ações de melhoria. É nisto que a Ajorpeme pensa em ajudar as empresas. O desempenho positivo de algumas empresas ou setores também varia. Algumas áreas são pouco afetadas. Temos muitas empresas que foram muito criativas e, em vez de reclamar, pensaram em novas formas de atender seus clientes.

AN – A concorrência caiu como efeito do fechamento de empresas.
Valcania –
Sim, a quantidade de concorrentes diminuiu, aumentando os negócios para os sobreviventes. Isto também pode influenciar a retomada do crescimento, já que não estamos mais preparados para produzir na mesma quantidade que produzíamos em 2010.

AN – As causas comunitárias e de interesse mais amplo do conjunto do empresariado joinvilense reúnem Ajorpeme, Acij, CDL e Acomac. Além do recorrente tema de segurança pública, que temas novos o senhor pretende levar à discussão?
Valcania –
Temos dois temas sempre presentes. A segurança pública se refere a hoje. Temos muitos problemas e vamos continuar buscando aumentar a presença policial em nossa cidade. O outro tema é a educação, e este se refere ao futuro. Temos o melhor ensino fundamental do Brasil. Todavia, nosso ensino médio deixa muito a desejar. Precisamos lutar por isso, já que o ensino médio é quem prepara o cidadão, na maioria dos casos, para o mercado de trabalho.

AN – O que a Prefeitura de Joinville deve fazer para melhorar a situação das pequenas empresas?
Valcania –
Temos uma ótima parceria com a PMJ e, nos últimos anos, conseguimos várias melhorias para nossos associados. Apesar disto, ainda existe muito o que fazer. Entregamos uma carta de reivindicações ao prefeito Udo, e pretendemos atuar junto dele para poder viabilizá-las.

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