Doença sem cura conhecida ameaça produção de maçãs em Santa Catarina - Economia - A Notícia

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Agricultura25/09/2016 | 22h05Atualizada em 25/09/2016 | 22h09

Doença sem cura conhecida ameaça produção de maçãs em Santa Catarina

Presente no Estado desde 2013, fungo já atinge de 5% a 10% dos 2,6 mil pomares

Doença sem cura conhecida ameaça produção de maçãs em Santa Catarina Guilherme Hahn/Especial
O produtor Jonas Alberto Zandonadi eliminou oito plantas após confirmar a aparição do fungo em duas delas Foto: Guilherme Hahn / Especial

A produção de maçãs, atividade de 1,8 mil agricultores em São Joaquim, na Serra catarinense, está em alerta. O cancro europeu, doença que atinge a macieira, mata a planta e apodrece os frutos, está na mira de pesquisadores. O problema é que não há fungicida específico para tratamento. São as mudanças no manejo que têm evitado que a doença se alastre.

Em Santa Catarina, o fungo já atinge de 5% a 10% dos 2,6 mil pomares. A primeira aparição da doença no Estado foi em 2013, quando produtores compraram mudas de Vacaria, no Rio Grande do Sul, que vieram infectadas. De lá para cá, o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) de São Joaquim, Leonardo Araújo, tem buscado soluções para o problema:

– Quando se encontra um cancro, já se sabe que outros irão surgir. A orientação é que se erradique a planta. Às vezes, o produtor não quer e vai cortando os galhos. Dessa forma, pode haver contaminação de outras plantas. Ao longo do tempo, a produção vai diminuir.

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A doença avança na proporção de 1 para 10: ou seja, se aparecer em uma planta, no ano seguinte estará em 10, no próximo em 100 e assim por diante. Os conídeos liberados dos cancros mais jovens, podem espalhar a doença até 4 metros de distância. Já os ascósporos, liberados pelos cancros mais velhos, podem viajar até 10 quilômetros pelo vento e atingir propriedades vizinhas.

– A gente orienta a tirar as duas plantas do lado da infectada. A transmissão é feita quando o cancro entra em contato com a água, e precisa de um ferimento na outra planta para contaminar – esclarece o pesquisador.

Esse ferimento pode ser provocado pela queda das folhas e colheita dos frutos, e não somente a poda. Por isso, os pomares passaram a receber mais banhos de fungicida para proteger as partes expostas da planta.

Doença gera aumento de custo para o agricultor

A manutenção para que a doença não se espalhe tem representado até 15% do lucro por hectare. Apesar do aumento, a meta é evitar que a doença se alastre.

– O produtor está pulverizando antes da chuva, o que aumentou o custo, mas é necessário. Esse fungo é diferente de outras doenças. Ele age de forma muito agressiva e, se não cuidarmos com muito esmero, perde-se o pomar muito rápido – alerta a presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Serra Catarinense, Rosângela Costa Rodriguez Pasetto.

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Entre as 12 mil plantas espalhadas por 24 hectares, nenhum nova aparição de cancro foi detectada nos últimos meses. No ano passado, o produtor Jonas Alberto Zandonadi eliminou oito plantas após confirmar a aparição do fungo em duas delas. A medida deu certo, e hoje ele comemora a erradicação da doença na propriedade.

– Estamos controlando em volta e se aparecer qualquer indício, vamos cortar. Não sabemos como o fungo chegou, pois as mudas são daqui mesmo, pode ter vindo pelo ar. Podíamos tirar o galho, mas por via das dúvidas, cortamos e queimamos. Esse ano fizemos a varredura e está tudo tranquilo, vamos acompanhar – explica Zandonadi.

Em São Joaquim, as propriedades mais atingidas estão em estado de alerta. Esse não é o caso dos pomares de Zandonadi, mas ele defende que o investimento é válido.

– Nós temos que cuidar para manter a produção de maça. Se nós produtores não fizermos esse cuidado, em dez anos estamos fora do mercado. É uma união, cada um cuida do outro – afirma.

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