Claudio Loetz: Plano de compra põe funcionários da Busscar como sócios - Economia - A Notícia

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Livre Mercado06/12/2015 | 16h51Atualizada em 06/12/2015 | 16h52

Claudio Loetz: Plano de compra põe funcionários da Busscar como sócios

Proposta é de fundo de investimentos com matriz em São Paulo e Sindicato dos Mecânicos de Joinville

Fundo de investimento com matriz em São Paulo, o escritório Sá & Lima, também de São Paulo, e o Sindicato dos Mecânicos de Joinville estão estruturando documento para apresentar possível plano de aquisição das instalações fabris da Busscar. O modelo jurídico a ser sugerido é o de adjudicação aos ex-trabalhadores e que são atuais credores da companhia. Significa dizer que os ex-funcionários passariam a deter parcela minoritária do controle, garantindo cadeira no futuro conselho de administração, a ser criado oportunamente. Se os trabalhadores não quiserem ser sócios minoritários – e isto é o mais provável –, os mentores do plano vão avaliar outras formas.

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Ronaldo Cezar Dias
, representante do fundo, e o advogado Daniel Rodrigo de Sá Lima vão apresentar o conceito geral, neste domingo, em encontro promovido pelo Sindicato dos Mecânicos. Ambos vêm com o objetivo de notar a receptividade. Nada será conclusivo. Há três semanas, aproximadamente, já conversaram com o juiz Luiz Felipe Canever.

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A ideia central é um aporte inicial de R$ 120 milhões – dinheiro do fundo – e, à medida que a produção evolua, outros R$ 120 milhões serão colocados na empresa no prazo de quatro anos, explica Dias. A expectativa preliminar é obter retorno do investimento entre quatro e sete anos após o início das operações. Prazo em que, possivelmente, o fundo considere sua saída do empreendimento, na hipótese de ter garantido ganhos com a operação feita. Aí, hipoteticamente, viria uma chamada de capital (IPO) a ser feita junto ao mercado. A intenção é começar a produção com 1.400 ônibus, já a partir de 2017. Claro que esta perspectiva favorável depende de alguns fatores. O primeiro: vencer a disputa pelos bens colocados à venda. Segundo: precisa haver significativa melhora no cenário dos negócios do setor de ônibus e da própria economia. No entendimento de Dias e depois de várias consultas feitas a potenciais clientes, o primeiro veículo a ser fabricado é o double deck (DD). E com foco no exterior, especialmente países da América Latina e África. No primeiro ano – em 2017 –, a participação no mercado será pequena – nitidamente inferior a 5%. Segundo Ronaldo Dias, a empresa começaria a trabalhar com mil funcionários.

Ainda há variáveis a serem analisadas com cuidado para que o texto oficial da proposta técnico-financeira seja entregue até o prazo-limite definido no edital de chamamento do leilão, marcado para 15 e 30 de março. Entre eles, tamanho e valores dos bens e de todo o ativo existente; as condições técnicas e de utilização das máquinas; e, se houver, algum eventual contingenciamento financeiro e tributário.

– Já fizemos diversas versões e, continuamente, estamos atualizando o conteúdo, à medida que apuramos novas informações e vamos conversando com a equipe e outras pessoas sobre a situação – argumenta Ronaldo. Ele entende haver espaço para a retomada da Busscar. Afirma que eventual retorno da empresa ao mercado, com passivo zerado, já teria, antecipadamente, demanda de 300 ônibus para clientes da América Latina e da África.

O formato gerencial está praticamente delineado. Deverá ser trazido um executivo (CEO) e diretores financeiros e comercial de fora de Joinville. O executivo da área de produção precisará ter larga vivência no segmento; e a liderança do setor de RH absolutamente sintonizada com Joinville. A nova empresa Busscar nasceria já formalmente constituída como sociedade anônima de capital aberto, com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Isso lhe proporcionaria a indispensável governança corporativa. Fator básico para que o mercado possa crer num novo comando – independentemente de quem vá ser o novo dono do negócio.

Os potenciais investidores avaliam a possibilidade de aquisição da Busscar para viabilizar produção de carrocerias de ônibus. Não há interesse em comprar para, na sequência, revendê-la.

A explicação para tanto apetite pela Busscar passa por três aspectos. 1) A marca é, ainda, muito forte na memória das pessoas, apesar de estar fora do mercado desde 2012. 2) O recall do nome persiste entre consumidores. Até mesmo entre motoristas de ônibus, a elogiar o produto. 3) A tecnologia embarcada e o design continuam referências e padrão.

Na fala dos interlocutores que preparam a proposta, a “nova Busscar” teria amparo em quatro pilares: inovação, sustentabilidade, lucratividade e gestão austera.

Inovação, claro, é elemento de discurso recorrente, cada vez mais comum à esmagadora maioria das empresas, independentemente do tamanho e do ramo no qual atue. Sustentabilidade é o olhar para iniciativas cada vez mais conectadas à menor emissão de CO², e , portanto, menos poluentes. O mercado exigirá isso cada vez com mais força. Lógico que a perseguição ao lucro é condição essencialíssima à continuidade das operações. Em qualquer lugar e em qualquer empresa. Muito mais ainda no caso da Busscar, se vier a ser ressuscitada. Precisará, claro, demonstrar resultados aos investidores. Aliás, é para isso que eles se dispõem a avaliar se vale a pena aplicar centenas de milhões de reais.

E gestão austera é absolutamente imprescindível. Determinação no controle de gastos, completa vigilância sobre fluxo e absoluto empenho para maximizar a produtividade.

E outras propostas virão pela compra dos ativos.

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