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Carlos Rodolfo Schneider05/09/2014 | 18h06

A importância da produtividade

De acordo como o empresário, cada ponto percentual a mais na carga tributária compromete meio ponto na taxa de produtividade

A importância da produtividade Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Schneider: "redução do custo de se fazer negócios deveria ser prioridade do governo" Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Carlos Rodolfo Schneider
Coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)

Como todo empresário sabe muito bem, produtividade é palavra-chave para o crescimento. O aumento da produtividade do trabalho, afirma o ex-ministro Delfim Netto, apoiador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), “depende, fundamentalmente, do aumento do capital físico (estradas, portos, energia, equipamentos produtivos, comunicação, tecnologia) posto à disposição de cada trabalhador, que precisa ter qualificação adequada para operá-lo”.

Basicamente, depende de aumento de investimentos, que por sua vez depende do lucro das empresas e da renda disponível, que mantêm uma correlação negativa com a elevação do peso dos tributos.

O MBE conclui que cada ponto percentual a mais na carga tributária compromete meio ponto na taxa de produtividade total dos fatores (PTF), assim reduzindo o PIB potencial. No período 2002-2011, esta taxa caiu 4,59% no Brasil, contra um crescimento de 21,04% na Coreia do Sul, de 25,75% na Índia e de 35,21% na China.

Relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que, ao contrário da China, onde a produtividade do trabalho é elevada e cresce tanto na indústria quanto no setor de serviços (10% ao ano), no Brasil, na última década, ela caiu na indústria e estagnou no setor de serviços, gerando perda de competitividade da economia.

O documento atribui o nosso problema ao alto custo da burocracia, dos impostos e do comércio internacional no País. Segundo a OCDE, quase 70% dos lucros vão para o pagamento de impostos, a mais alta taxa entre os emergentes e mesmo entre países desenvolvidos como Alemanha e EUA, nos quais fica abaixo de 50%.

Se por um lado os investimentos no Brasil estão estagnados na casa dos 18% do PIB, a taxa de investimento da União vem caindo (excluindo o Programa Minha Casa, Minha Vida) e se encontra em torno de 1%, apesar do aumento dos impostos, que vêm sendo destinados ao aumento das despesas.

Isso explica em grande parte por que o Brasil caiu mais quatro posições, para o 54º lugar, entre as 60 nações avaliadas no índice de competitividade de 2014 do Institute for Management Development (IMD).

Nos últimos quatro anos, já perdemos 16 posições. As principais razões apontadas para o nosso fraco desempenho são baixa produtividade; ineficiência do governo (58º lugar), com destaque para burocracia, alta carga tributária, legislação trabalhista e sistema regulatório defasados; e corrupção.

Recomenda-se que a redução do custo de se fazer negócios no Brasil deveria ser prioridade do governo, para manter e ampliar as conquistas sociais.

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