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Gastronomia02/07/2018 | 08h57Atualizada em 02/07/2018 | 09h11

Semana da cuca começa nesta segunda-feira em Joinville

Passada de geração em geração, a cuca ganha uma semana municipal com a promoção de eventos que celebram este patrimônio da cidade

Semana da cuca começa nesta segunda-feira em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Segredos de mão em mão: Hilda (D) ensinou a arte da cuca para Juliana (E) e para Ivanir Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Não existe uma receita só para a forma de fazer cuca, mas uma lista básica inclui farinha de trigo, ovos, manteiga, fermento e muito carinho. Isso porque é raro encontrar uma história que não envolva o aprendizado passado entre as gerações da produção do doce mais tradicional de Joinville. 

De tão importante, a cuca ganhou uma Semana Municipal só para ela, instituída em lei no ano passado. Estes sete dias tem o objetivo de "fortalecer e divulgar o bolo de origem alemã muito consumido no Município de Joinville", de acordo com a lei. Nesta semana, o evento leva 11 confeitarias da cidade a oferecerem receitas criativas e saborosas de hoje até 6 de julho. No próximo sábado, o Festival de Cucas do Jornal do Almoço coroa a programação, com a escolha da melhor produção de 2018, e um evento no Mercado Municipal de Joinville.

A cuca pode ser considerada um patrimônio cultural imaterial da cidade. Criada em uma região da Europa que hoje integra a Polônia, ela tem sua primeira citação registrada em 1858, quando o poeta Joseph von Eichendorf comentou em uma carta sobre "a deliciosa Streuselkuchen de açúcar que foi servida no café da manhã do palácio". A receita foi um dos conhecimentos que os imigrantes germânicos trouxeram para o Sul do Brasil. 

Entre eles estava a família Kersten, que deixou a Pomerânia, ao Norte da Polônia, em 1884 e, três anos depois, adquiriu um terreno em uma localidade que, na época, era chamada de “Caminho Bonito”, na zona Norte de Joinville. Ela levava esse nome porque era apenas uma trilha, e não a Estrada Bonita que desde os anos 1990 é um ícone do turismo rural da cidade.

É lá que, atualmente, os descendentes tentam manter a tradição das lembranças mais bonitas da família — e muitas delas passam pela cozinha. Para Juliana, 29 anos, as cucas foram a tábua de salvação em um momento difícil: ela era recém-casada quando o marido, Rafael, sofreu um acidente e precisou se afastar do trabalho. A loja de artesanato de Juliana e a lavoura da família não eram suficientes para preencher o orçamento, mas a jovem tinha um trunfo. 

— Minha avó, Hilda, me passou o dom de mexer com a massa. Eu tinha 15 anos quando ela me ensinou a fazer cuca — recorda. 

Preservação na zona rural

Como muitos herdeiros do conhecimento da "Streuselkuchen" — ou do cuque, como muitos joinvilenses preferem chamar — Juliana pegou a receita original, que era baseada em ingredientes simples que podiam facilmente ser encontrados pelos colonos, e começou a lapidá-la. A Oma a ajudava, assim como a mãe, Ivanir, e a sogra, e Juliana começou a vender seus doces na propriedade do pai, um dos pontos turísticos mais conhecidos da Estrada Bonita. Era o início de um sonho em que as cucas seriam a principal fonte de renda, e que foi realizado no fim do ano passado, com a abertura de um café colonial que oferece as mais variadas opções do doce alemão. 

Segundo a jovem empreendedora, o objetivo foi alcançado depois de um curso de administração oferecido pelo Epagri para os jovens da zona rural de Joinville. Sem esse incentivo, ela talvez cedesse aos empregos da área urbana, as cucas ficariam apenas para as datas especiais, e a participação dela como um dos suportes para a preservação deste patrimônio da cidade teria deixado de existir. 

— Se não houvesse essa oportunidade, talvez eu mesma não continuasse na zona rural. Não dá mais para viver só da agricultura — lamenta ela.  

Com as cucas, Juliana pode utilizar os cachos do bananal do próprio terreno e os morangos orgânicos que planta para os recheios, da mesma forma que a mandioca e a batata-doce para os pães caseiros que serve no café colonial. E, enquanto divide-se entre os cuidados com o empreendimento e com a avó, Hilda, que hoje tem 82 anos, continua buscando novas receitas para tornar o doce ainda mais atrativo.  

— A cuca vem dos nossos antepassados, mas ela ganha mais avanços a cada geração. A base será sempre a mesma, mas o recheio pode ser renovado e, por isso, ela nunca vai perder a graça — avalia.

AGENDE-SE

5ª Semana da Cuca
Entre os dias 2 e 6 de julho, 11 confeitarias da cidade oferecem um combinado de cuca e café com leite a R$ 7,90. Confira a lista:
— Confeitaria Amor e Canela;
— Armazém do Pão;
— Pães e Doces Ecatarina;
— Panificadora e Confeitaria Mafra;
— Panificadora Manchester;
— Requinte Cafeteria;
— Confeitaria Semente da Terra;
— Doceria Sandem;
— Panificadora e Confeitaria Viana;
— Delicatesse Viktoria;
— Panificadora e Mercearia Wagner 

Final do 5º Festival de Cucas
No sábado, um evento reúne seis confeitarias de Joinville que oferecerão as cucas com as receitas dos finalistas do Festival de Cucas do Jornal do Almoço. Durante todo o dia haverá atrações germânicas, além de espaço kids com brinquedos para as crianças. Às 15 horas, começa a etapa final do Festival de Cucas: os autores das seis cucas finalistas ficam frente a frente com os dez jurados, que provarão cada receita e avaliarão com notas. O autor da cuca com maior nota recebe o título de melhor cuca do Festival de Cucas de 2018 e uma TV LED Full HD 40 polegadas. O Festival é uma promoção do Jornal do Almoço e tem realização da NSC TV.
Quando: sábado, 7 de julho, das 8 às 17 horas
Onde: Praça do Mercado Público Municipal de Joinville
Quanto: gratuito, com as cucas com as receitas dos finalistas a R$ 15 e espaço kids a R$ 5

 

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