"Antes o Tempo Não Acabava" e dois filmes inéditos no país - Cultura e Variedades - A Notícia

Versão mobile

Coluna de Cinema01/12/2017 | 17h12Atualizada em 01/12/2017 | 17h12

"Antes o Tempo Não Acabava" e dois filmes inéditos no país

Confira a crítica de Andrey Lehnemann

"Antes o Tempo Não Acabava" e dois filmes inéditos no país Divulgação/Divulgação
Cena de "Antes o tempo não acabava". Foto: Divulgação / Divulgação
Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

As variações da arte e da perspectiva podem ser inesgotáveis quando se trabalha com cinema. Um escritor britânico raciocinou uma vez que não interessa quantas vezes uma história é contada, quem a escreveu carrega alguma particularidade que pode fazer com que ela soe única. Talvez seja precisamente isso que encante as múltiplas visões sobre um mesmo assunto. Pensei nisso quando estava assistindo ao novo filme de Richard Linklater (de Boyhood e Antes da Meia Noite), que estreará no Brasil em 2018.

É comum que estúdios mandem filmes para críticos de cinema olharem antes das premiações. Chama-se de FYC, os screeners para consideração. Nas últimas duas semanas, eu recebi 75 filmes. Last Flag Flying, de Linklater, faz parte do pacote da Amazon. A melhor atuação de Bryan Cranston no cinema, antes conhecido por seu trabalho em Breaking Bad, está no longa-metragem do diretor norte-americano, que, claro, procura dar sua própria visão para a guerra.

Na visão do soldado.

Jamais do governo.

A trama acompanha três soldados remanescentes da guerra do Vietnã (Steve Carell, Bryan Cranston e Lawrence Fishbourne), que precisam enterrar o filho de um deles – morto na guerra do Iraque.

O segredo de Last Flag Flying reside nas discussões tresloucadas entre o trio de protagonistas, onde o cético personagem de Cranston tenta retornar o discurso paternalista e religioso sempre para algo mais calcado na realidade. Em determinado momento do filme, o personagem de Fishbourne diz que encontrou Jesus e a resposta imediata de Cranston é: " onde?". O único problema do filme fica por conta da falta de profundidade crítica. Com a resolução óbvia e a falta de profundidade quando se fala sobre a guerra, Linklater nos conquista pelo tom pessoal que imprime nos personagens. Mas só.

Ao contrário de In the Fade, em que a atmosfera e a crítica mordaz ao que estamos avaliando é o que nos instiga. Quase tanto quanto a personagem de Diane Kruger, em uma das melhores atuações do ano. Apesar da discussão moral se passar por boa parte dentro de um tribunal, é na angústia e depressão da mulher que perde a família em um ataque de neonazistas que nos aflige. A câmera vai e volta, mas continuamos nela. Em sua dor. No seu desespero, quando observa a justiça não sendo feita. A cena final pode chocar os desavisados. A música do filme foi composta por Josh Homme, da Queens of Stone Age.

E nos cinemas brasileiros? Nesta semana, Florianópolis recebe no Iguatemi Shopping o filme Antes o Tempo Não Acabava, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo. A coprodução brasileira e alemã estreou no Festival de Berlim e tive a oportunidade de vê-la pela primeira vez na Mostra de SP do ano passado. Ela entra em circuito nacional nesta quinta-feira, 30 de novembro.

A narrativa passeia pela vida do membro de uma tribo indígena e o conflito entre a tradição e o moderno. Como a vida de Anderson, um jovem indígena, não se enquadra no lugar comum. Ele enfrenta ao mesmo tempo preconceito da sua tribo por ir morar na cidade e da própria sociedade. O rapaz é curioso e a liberdade completa, por mais incrível que pareça, nunca foi o forte de seu antigo povo. Anderson passa a não querer mais conhecer limites. Seus gritos que ecoam no mar, enquanto contempla suas infinitas possibilidades é uma sequência interessantíssima.

Da mesma forma, os diretores são hábeis em criar paralelos entre a natureza e a periferia de Manaus, lugar em que Anderson começa a viver. Se antes o cajado batendo na terra no ritmo do cântico era a rotina daquele jovem, os sons das máquinas da fábrica que trabalha tomam nossos ouvidos, mais tarde. A realidade passa a ser outra – da produção, da robótica. Anderson se experimenta nesse novo mundo. Ele dança ao som de Wesley Safadão e se sente livre pra transar com quem quer. É um retrato competente de alguém que está recém se conhecendo.


Leia mais de Andrey Lehnemann

"Marjorie Prime" é uma reflexão envolvente sobre nosso confronto com o tempo

Conheça o Embarcação, lugar para experiências poéticas e debates artísticos contemporâneos






Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaPM forma turma de mais de 100 soldados em Joinville https://t.co/xCYLIE5lPq #LeianoANhá 3 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaQuatro catarinenses estão no mesmo pote do sorteio dos jogos da Copa do Brasil https://t.co/RKjgNpLt1a #LeianoANhá 4 horas Retweet

Veja também

A Notícia
Busca