Rubens Herbst: Um bunker no coração do América - Cultura e Variedades - A Notícia

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Nova Crônica 08/11/2017 | 09h34Atualizada em 08/11/2017 | 10h23

Rubens Herbst: Um bunker no coração do América

Minha mãe transformou a casa dela numa fortaleza

Rubens Herbst: Um bunker no coração do América /


Estou preocupado.
Minha mãe transformou a casa dela num bunker, ou numa fortaleza, se você preferir. Essa categoria de refúgio não é uma completa novidade aqui no América, então as pessoas que passam na rua pouco reparam no longo muro de três metros de altura sustentando rolos e mais rolos de um tipo de arame farpado capaz de cortar uma retroescavadeira ao meio. Nas duas colunas que ladeiam o portão, há cacos de vidro eventualmente mortais se atingirem a veia errada.

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Há ainda um alarme conectado a uma ala secreta do 62 BI e que, se disparado, emite um som de sirene que acordaria a primeira metade do Itinga.  No mais, falta só um posto de vigília com dois guardas armados com escopetas para a cinquentenária casa onde me criei parecer de vez o presídio regional de Joinville.

Não entendam errado, minha mãe não é paranoica nem se vê nela qualquer traço de senilidade. Ela apenas resolveu não pagar mais pra ver depois de tantas visitinhas indesejáveis, sendo que a mais recente – e que disparou sua vontade de morar numa prisão de segurança máxima – a deixou com um hematoma na mão, meia hora trancada no quarto, a porta de trás em frangalhos e a centímetros de um ataque cardíaco. Menos mal que os PMs foram cordiais e um sujeito foi preso alguns dias depois, suspeito de atacar as aposentadorias de outras velhinhas indefesas.

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Só que agora minha progenitora não é mais uma vulnerável senhorinha à deriva na insegurança joinvilense. Ela se “aparelhou”, por assim dizer, e espera que algum ladrão incauto arrisque invadir seu bem protegido lar para testar à vera os incrementos feitos. 

Por quê, então, ando apreensivo? Ora, os dois cães adotados no Abrigo Animal não atenderam as expectativas de abordagem sanguinária e acabaram repassados para uma vizinha despreocupada (moradora de apartamento, obviamente). O sistema de vigilância via satélite, responsável por ativar um invisível laser cortador-de-torsos, também não passou nos testes.

Além disso, o  porte de arma da minha mãe foi negado em primeira instância, suponho eu, por alguém incapaz de imaginar uma adorável senhora de 87 anos mirando no meio dos olhos de quem quer que seja e dizendo: “Eu avisei, seu tanso”. 

De qualquer forma, o ancinho, a pá e a enxada estão em lugar estratégico, prontos para serem usados feito espadas samurais em caso de invasão. Por sinal, se eu fosse o obstinado (e desprendido da vida) ladrão que conseguisse transpor o muro, não me arriscaria por entre a plantação de milho. Só estou dizendo...

* Toda semana, o jornalista Rubens Herbst usará de bom humor (e uma pitada de ficção) em suas observações do universo joinvilense. 

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